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quarta-feira, 13 de abril de 2016

Documentário- Seeding Fear

 
Seeding Fear from Kings Point on Vimeo.

Seeding Fear is a short documentary Executive Produced by Neil Young that tells the story of Michael White, a fourth generation farmer, who went toe to toe with Monsanto
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Directed/Produced by Craig Jackson
Executive Produced by Bernard Shakey and Elliot Rabinowitz
Edited by Justin Weinstein and Craig Jackson
Music by Daniel Lanois
Cinematography by Craig Jackson

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Reis do Agronegócio - Chico César na Mob Nacional Indígena de 2015- a ouvir, (re)lembrar e partilhar


Quilombolas, indígenas, agricultores familiares e ambientalistas se reuniram em Brasília para reivindicar a retomada da demarcação de terras indígenas e territórios tradicionais. Além de promover uma articulações politica para evitar retrocessos na legislação brasileira, a mobilização colectiva exige uma ordenação fundiária necessária para por fim nos actos de violência contra as populações tradicionais. O evento foi marcado por protestos, um sessão solene no Senado Federal e pela belíssima apresentação de Chico César, que cantou a música “Reis do Agronegócio”, com letra de Carlos Rennó.

“Reis do Agronegócio” (música de Chico César, letra de Carlos Rennó)

Ó donos do agrobiz, ó reis do agronegócio,
Ó produtores de alimentos com veneno,
Vocês que aumentam todo ano sua posse,
E que poluem cada palmo de terreno,
E que possuem cada qual um latifúndio,
E que destratam e destroem o ambiente,
De cada mente de vocês olhei no fundo
E vi o quanto cada um, no fundo, mente.
Vocês desterram povaréus ao léu que erram,
E não empregam tanta gente como pregam.
Vocês não matam nem a fome que há na Terra,
Nem alimentam tanto a gente como alegam.
É o pequeno produtor que nos provê e os
Seus deputados não protegem, como dizem:
Outra mentira de vocês, Pinóquios véios.
Vocês já viram como tá o seu nariz, hem?
Vocês me dizem que o Brasil não desenvolve
Sem o agrebiz feroz, desenvolvimentista.
Mas até hoje na verdade nunca houve
Um desenvolvimento tão destrutivista.
É o que diz aquele que vocês não ouvem,
O cientista, essa voz, a da ciência.
Tampouco a voz da consciência os comove.
Vocês só ouvem algo por conveniência.
Para vocês, que emitem montes de dióxido,
Para vocês, que têm um gênio neurastênico,
Pobre tem mais é que comer com agrotóxico,
Povo tem mais é que comer, se tem transgênico.
É o que acha, é o que disse um certo dia
Miss Motosserrainha do Desmatamento.
Já o que acho é que vocês é que deviam
Diariamente só comer seu “alimento”.
Vocês se elegem e legislam, feito cínicos,
Em causa própria ou de empresa coligada:
O frigo, a múlti de transgene e agentes químicos,
Que bancam cada deputado da bancada.
Até comunista cai no lobby antiecológico
Do ruralista cujo clã é um grande clube.
Inclui até quem é racista e homofóbico.
Vocês abafam mas tá tudo no YouTube.
Vocês que enxotam o que luta por justiça;
Vocês que oprimem quem produz e quem preserva;
Vocês que pilham, assediam e cobiçam
A terra indígena, o quilombo e a reserva;
Vocês que podam e que fodem e que ferram
Quem represente pela frente uma barreira,
Seja o posseiro, o seringueiro ou o sem-terra,
O extrativista, o ambientalista ou a freira.
Vocês que criam, matam cruelmente bois,
Cujas carcaças formam um enorme lixo;
Vocês que exterminam peixes, caracóis,
Sapos e pássaros e abelhas do seu nicho;
E que rebaixam planta, bicho e outros entes,
E acham pobre, preto e índio “tudo” chucro:
Por que dispensam tal desprezo a um vivente?
Por que só prezam e só pensam no seu lucro?
Eu vejo a liberdade dada aos que se põem
Além da lei, na lista do trabalho escravo,
E a anistia concedida aos que destroem
O verde, a vida, sem morrer com um centavo.
Com dor eu vejo cenas de horror tão fortes,
Tal como eu vejo com amor a fonte linda –
E além do monte o pôr-do-sol porque por sorte
Vocês não destruíram o horizonte… Ainda.
Seu avião derrama a chuva de veneno
Na plantação e causa a náusea violenta
E a intoxicação “ne” adultos e pequenos –
Na mãe que contamina o filho que amamenta.
Provoca aborto e suicídio o inseticida,
Mas na mansão o fato não sensibiliza.
Vocês já não ´tão nem aí co´aquelas vidas.
Vejam como é que o Ogrobiz desumaniza…:
Desmata Minas, a Amazônia, Mato Grosso…;
Infecta solo, rio, ar, lençol freático;
Consome, mais do que qualquer outro negócio,
Um quatrilhão de litros d´água, o que é dramático.
Por tanto mal, do qual vocês não se redimem;
Por tal excesso que só leva à escassez –
Por essa seca, essa crise, esse crime,
Não há maiores responsáveis que vocês.
Eu vejo o campo de vocês ficar infértil,
Num tempo um tanto longe ainda, mas não muito;
E eu vejo a terra de vocês restar estéril,
Num tempo cada vez mais perto, e lhes pergunto:
O que será que os seus filhos acharão de
Vocês diante de um legado tão nefasto,
Vocês que fazem das fazendas hoje um grande
Deserto verde só de soja, de cana ou de pasto?
Pelos milhares que ontem foram e amanhã serão
mortos pelo grão-negócio de vocês;
Pelos milhares dessas vítimas de câncer,
De fome e sede, e fogo e bala, e de AVCs;
Saibam vocês, que ganham “cum” negócio desse
Muitos milhões, enquanto perdem sua alma,
Que a mim não faria falta se vocês morressem;
Saibam que não me causaria nenhum trauma.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Entrevista a Jane Goodall no filme "Human"



Jane Goodall, DBE, Ph.D. (Londres, 3 de Abril de 1934, de nome completo Valerie Jane Morris Goodall) é uma primatóloga, etóloga e antropóloga britânica.

Estudou a vida social e familiar dos chimpanzés (Pan troglodytes) em Gombe, Tanzânia, ao longo de 40 anos. Os seus estudos contribuíram para o avanço dos conhecimentos sobre a aprendizagem social, o raciocínio e a cultura dos chimpanzés selvagens.

É mensageira da paz das Nações Unidas, fundou o Jane Goodall Institute e é afiliada ao grupo defensor dos animais Humane Society of the United States. O seu trabalho é reconhecido e já foi homenageada em muitas ocasiões com honrarias académicas diversas e prémios científicos.

Toda a sua Biografia na Wikipedia (PT) e ainda mais detalhada Wiki (EN)

Todas as Postagens sobre Jane Goodall no Bioterra


terça-feira, 3 de novembro de 2015

ONU: Pequenas Quintas Bio Podem Ser a Única Forma de Alimentar o Planeta

Enquanto alguns países continuam a forçar a massificação da produção agrícola, baseada em químicos, monoculturas e OGMs, a ONU reforça a importância e a urgência do desenvolvimento de um sistema de produção sustentável, natural e biológico.

De acordo com um estudo da Commission on Trade and Development (UNCTAD) da Organização das Nações Unidas, a Agricultura Biológica e small-scale farming (ou agricultura de pequena escala) serão a solução para alimentar o mundo de forma sustentável. O relatório sugere que serão necessárias alterações vincadas na forma como se produz e comercializa os alimentos, focando nas vantagens de uma mudança de agricultura de massas das grandes cadeias mundiais para pequenas produções locais.

O mesmo relatório indica ainda que diversificar as quintas e culturas assim como minimizar a utilização de fertilizantes é uma necessidade extremamente urgente. Tal como também é vital reformular as regras de global trade para irem de encontro às necessidades que identificam. Tratados internacionais como o TPP e o TTIP vão, actualmente, na direcção oposta ao que a UNCTAD acredita serem as necessidades do futuro.

A própria segurança global poderá estar, de acordo com este relatório, também em risco devido ao aumento constante de preços dos produtos alimentares e da especulação de preços em torno destes.

Fonte: UNCTAD

Dossiês Bioterra relacionados
Agricultura em varandas
Compostagem doméstica
Dossier agricultura sustentável
Da agricultura para a permacultura

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

UM PIMENTO IGUAL AOS QUE TODOS CONHECEMOS... AGORA É PROPRIEDADE PRIVADA DA SYNGENTA


Plataforma Transgénicos Fora22 de outubro de 2015 - O Instituto Europeu de Patentes (IEP) em Munique concedeu à gigante suíça da área das sementes, Syngenta, uma patente que abrange o pimento e os seus usos "como um produto fresco, produto fresco cortado, ou para processamento, como por exemplo, a conservação em lata" (EP 2 166 833 B1). As plantas foram desenvolvidas para produzir pimentos sem sementes e são provenientes de cruzamentos normais, usando a biodiversidade existente. Esta variedade não foi produzida através de engenharia genética e como tal é totalmente natural - resultou de séculos de atividade agrícola por um sem número de produtores e não foi "inventada" por nenhuma empresa.
A lei europeia proíbe a concessão de  patentes para processos de cruzamento convencional. Mas apesar disso o IEP continua a patentear plantas e suas características, sementes e ainda frutos provenientes de tais processos. Ao fazê-lo transgride a legislação mas serve os seus próprios interesses, uma vez que as receitas deste instituto aumentam com cada patente atribuída.
"Passo a passo, patente a patente, as multinacionais estão a tomar o controlo da nossa alimentação quotidiana. No futuro poderemos ter até de pedir permissão antes de cortar um pimento em peçados", diz Christoph Then da coligação No Patents on Seeds! (Não às patentes sobre sementes!). "Agora a Syngenta pode impedir qualquer pessoa de cultivar e colher este pimento, de o vender ou de o usar em mais cruzamentos. A privatização da nossa alimentação levanta preocupações profundas e pede uma resposta clara e urgente por parte do poder político."
Ações políticas estão já a ser desenvolvidas a vários níveis. Por exemplo, há mais de um ano, a Comissão Europeia criou um grupo de trabalho para discutir patentes sobre cruzamento convencional. São esperados resultados dentro das próximas semanas mas a maioria dos observadores está cética de que a Comissão Europeia tome medidas com vista a uma mudança real.
Contudo os governos europeus podem agir diretamente através do Conselho Administrativo do IEP, que actua como órgão supervisor. E podem assim aprovar novas regras, de carácter vinculativo, para melhor interpretação das proibições existentes e que garantam o seu cumprimento.
"Temos de reforçar as proibições existentes. Patentes para variedades de plantas e para métodos de cruzamento convencional são proibidas a nível europeu. O Conselho Administrativo do IEP pode decidir como aplicar essas proibições eficazmente e assim travar futuras patentes de cruzamento convencional", disse François Meienberg da Declaração de Berna, uma organização não-governamental humanitária. "Os governos europeus não deviam esperar mais, uma vez que o IEP continua a conceder mais e mais patentes sobre a nossa alimentação quotidiana. Eles têm de agir nas duas frentes, junto do IEP e da Comissão Europeia", acrescentou.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Agricultura Regenerativa- conferência do Engenheiro Agrónomo Jairo Restrepo


Imperdível conferência do Engenheiro Agrónomo Jairo Restrepo, onde analisa holísticamente a sociedade, através da sua lente académica e de cidadão.
Eis alguns dos principais temas aqui abordados:
- alimentação
- saúde (capacidade cognitiva, sistema imunitário, sistema digestivo, fertilidade, cancro, ...)
- educação
- agro-indústria
- indústria farmacêutica
- transgénicos
- neuro-venenos, herbicidas, insecticidas e outros venenos ( alimentação tóxica)
- sociedade
- imperialismo corporativo

Ver também 
Palestra "Alimentos sanos, un mundo más justo es posible" por Jairo Restrepo Rivera , dia 26/03/2015

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Qualquer pessoa pode ajudar a tornar a sua autarquia livre de ‪‎herbicidas‬


Qualquer pessoa pode ajudar a tornar a sua autarquia livre de herbicidas. Ver o link da Quercus - ANCN abaixo


"O seu uso, em especial dos herbicidas à base de glifosato (o mais usado em todo o mundo), tem aumentado muito nos últimos anos devido à proliferação das culturas geneticamente modificadas (OGM), que se tornaram resistentes à sua aplicação (quando antes da modificação genética, morriam com ele)."


Como ajudar: Quercus- ANCN

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Encontros Improváveis: Madou Lamine Sall & The Soft Moon



Amantes de auroras
Procurei-te por todo o lado e em nenhum
entre a flor e o caule
entre o dia e a noite
por entre os risos do sono
por entre as carícias da ausência
Onde estás filha da noite
já o poema perde o fôlego
e as palavras se esquivam
a caneta dança em arabescos ébria do seu vinho negro
as vogais estão distraídas
e as consoantes teimosas erram em procissão
sobre o vazio da página que boceja
Serás a única a compreender esta noite porque
escrevo este poema de sexo e de azeitona de sangue e de amor
Gostaria de te falar no ventre da noite
à hora em que migalhas de estrelas dançam na tua boca
de mel e de febre
Onde estás rapariga da noite
sei que voltarás
porque sou a fera da tua toca
o réptil que te serpenteia e te traz para a luz
do dia.

terça-feira, 24 de março de 2015

Inimiga nº 1 dos transgénicos, física indiana denuncia ditadura alimentar

Fonte: Folha de São Paulo, 24/8/13
Considerada a inimiga número um da indústria de transgênicos, a física e ativista indiana Vandana Shiva afirma que há uma ditadura do alimento, onde poucas e grandes corporações controlam toda a cadeia produtiva. E dá nome aos bois: Nestlé, Cargil, Monsanto, Pepsico e Walmart.
"Essas empresas querem se apropriar da alimentação humana e da evolução das sementes, que são um patrimônio da humanidade e resultado de milhões de anos de evolução das espécies", diz.
Crítica feroz à biopirataria, Shiva ressalta que a única maneira de combater o controle sobre a alimentação é o ativismo individual na hora de consumir produtos mais saudáveis e de melhor qualidade.
Leia os principais trechos da exclusiva à Folha durante o 3º Encontro Internacional de Agroecologia, em Botucatu.

É possível alimentar o planeta sem usar transgênicos?
O único modo de alimentar o mundo é livrando-se das sementes transgênicas. Essas sementes não produzem alimentos, mas produtos industrializados. Como isso poderia ser a solução para fome? Só estão criando mais controle sobre as sementes. Desde 1995, quando as corporações obtiveram o direito de controlar as sementes, 284 mil fazendeiros cometeram suicídio na Índia. Nós perdemos 15 milhões de agricultores por causa de um design de produção agrária criado para acabar com a agricultura familiar.

Como mudar a alimentação do modelo agroindustrial para outro baseado na produção familiar e na distribuição local?
As pequenas fazendas produzem 80% dos alimentos comidos no mundo. As indústrias produzem commodities. Apenas 10% dos grãos de milho e soja são comidos por pessoas; o resto é 'comido' pelos carros, como biocombustíveis, e por animais. É possível elevar esses 80% para 100% protegendo a biodiversidade, a terra, os fazendeiros e a saúde pública. É apenas por meio da agroecologia que a produtividade agrícola pode aumentar.

Como as grandes corporações dominam a cadeia mundial de alimentos?
Se você olha para as quatro faces que determinam nossa comida, são todas controladas por grandes corporações. As sementes são controladas pela Monsanto por meio dos transgênicos; o comércio internacional é controlado por cinco empresas gigantes; o processamento é controlado por outras cinco, como a Nestlé e a PepsiCo; e o varejo está nas mãos de gigantes como o Walmart, que gosta de tirar o varejo dos pequenos comércios comunitários e com conexões muito diretas entre os produtores de comida e os consumidores. São correntes longas e invisíveis, onde 50% dos alimentos são perdidos.
Temos sim uma ditadura do alimento. A razão que eu viajei todo esse caminho até o Brasil é porque eu sou totalmente a favor da liberdade alimentícia, porque uma ditadura do alimento não é só uma ditadura. É o fim da vida.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Quem "descobriu" o quê?

Fonte: Google Maps
Neste google maps interactivo (clicar na ligação) podemos encontrar os navegadores/exploradores que descobriram os diversos territórios aos longo do período das "Descobertas". O conceito de "Descobertas" tem sido esbatido por "Achamentos" dado o caracter colonizador/ opressor que essa época teve com implicações dramáticas, uma vez que que se retirarmos do mapa territórios habitados à altura das "descobertas" europeias, começamos a ter outra visão, talvez mais interessante. 

Outra perspectiva/questão que este mapa nos dá é a falência ou melhor dizendo o pouco empenho sócio-político ibero-americano por parte dos países navegadores- Portugal e Espanha. A nível de mercados e guerras ainda assistimos à subjugação dos povos sul-americanos a interesses de mercado da Europa e dos EUA, à intervenção directa da CIA e da NATO.  Os intercâmbios universitários, linguísticos, antropológicos e conservação ambiental ainda são muito débeis.

Por extensão aos países anglófonos e francófonos, sucede-se quase o mesmo: ainda há a geografia da fome. Há a nova geografia dos transgénicos e interesses das multinacionais, devastação das florestas, minérios e das pescas e pouca soberania destes estados.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A próxima Revolução Verde




Com a melhor tecnologia ao seu dispor, dois membros do Centro Donald Danforth para as Ciências Vegetais procuram compreender como as plantas funcionam e explicam de que forma a tecnologia pode beneficiar as culturas face às alterações climáticas. As superculturas modernas são úteis, mas não se chegará a uma solução agrária apenas com biotecnologia. 


Algo está a matar a plantação de mandioca de Ramadhani Juma. “Talvez seja água a mais”, sugere enquanto segura entre os dedos folhas amarelas murchas de uma planta com dois metros de altura. “Ou sol a mais.” Ramadhani lavra um pequeno talhão, com menos de meio hectare, perto da cidade de Bagamoyo, à beira do oceano Índico, sessenta quilómetros a norte de Dar-es-Salam, na Tanzânia.

Numa manhã chuvosa de Março, seguido por dois dos seus quatro filhos pequenos, ele conversa com um técnico da cidade grande, Deogratius Mark, de 28 anos, que trabalha no Instituto de Investigação Agrícola Mikocheni.


Mark explica-lhe que o problema não é o sol nem a chuva. Os verdadeiros assassinos da mandioca, demasiado pequenos para os olhos os detectarem, são vírus. Mark rasga algumas folhas molhadas: um punhado de moscas brancas sai a voar como dardos. As moscas têm o tamanho da cabeça de um alfinete, mas transmitem dois vírus, explica. Um destrói as folhas da mandioca e o segundo, o vírus do listrado castanho, destrói a raiz comestível e rica em amido, uma catástrofe normalmente descoberta apenas no momento da colheita. Ramadhani é um representante típico dos agricultores com quem Mark costuma falar. Por norma, nunca ouviram falar de doenças virais. “Consegue imaginar como ele irá sentir-se se eu lhe disser que vai ter de arrancar pela raiz todas estas plantas?”, pergunta Mark num sussurro.

Ramadhani veste calções azuis rasgados e uma T-shirt verde com a frase estampada “Você quer comprar uma vogal?”. Escuta com atenção o diagnóstico de Mark. De seguida, pega na enxada e começa a cavar. O filho mais velho, de 10 anos, mordisca uma folha de mandioca. Arrancando da terra uma raiz, Ramadhani abre-a a meio com um golpe de enxada. Suspira: a polpa branca apresenta-se raiada de amido castanho e podre.

Se quiser salvar uma parte da safra que lhe permita alimentar a família, Ramadhani terá de antecipar um mês a colheita. Pergunto-lhe que importância tem a mandioca para a sua vida.

“Mihogo ni kila kitu”, responde-me em suaíli. “A mandioca é tudo.”

A maioria dos tanzanianos pratica agricultura de subsistência. Em África, as pequenas explorações agrícolas plantam mais de 90% da totalidade das culturas e a mandioca é um alimento essencial para mais de 250 milhões de pessoas. Cresce em solos marginais e aguenta vagas de calor e secas. Seria a cultura perfeita para a África do século XXI, não fosse a mosca branca, cujo território se vai alargando à medida que o clima aquece. Os mesmos vírus que invadiram este campo já se espalharam por toda a África Oriental.

Antes de partirmos de Bagamoyo, vamos conversar com um dos vizinhos de Ramadhani, Shija Kagembe. As suas plantações de mandioca não estão melhores. Escuta Mark em silêncio, enquanto este lhe explica o que os vírus fizeram e depois pergunta: “Como pode ajudar-nos?”







A RESPOSTA A ESTA PERGUNTA será um dos maiores desafios do século. As alterações climáticas e o crescimento demográfico tornarão mais precárias as vidas de Ramadhani, de Shija e de outros pequenos agricultores no mundo em desenvolvimento. Durante a maior parte do século XX, a humanidade conseguiu manter a dianteira na corrida malthusiana entre crescimento demográfico e disponibilidade de alimentos. Será que irá manter esse avanço no século XXI, ou será avassalada por uma catástrofe mundial?

Segundo previsões da ONU, até 2050 a população mundial aumentará em mais dois mil milhões de pessoas. Metade nascerá na África subsaariana e 30% no Sul e no Sudeste da Ásia. Será também nessas regiões que se sentirá com mais dureza o efeito das alterações climáticas. No passado mês de Março, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) avisou que o abastecimento mundial de alimentos já corre perigo. “Nos últimos 20 anos, em especial no que se refere ao arroz, ao trigo e ao milho, tem-se registado um abrandamento no ritmo de crescimento do rendimento das colheitas”, conta o climatologista Michael Oppenheimer, um dos autores do relatório do IPCC. “Em alguns sectores, os rendimentos já não crescem. Do meu ponto de vista, a ruptura dos sistemas alimentares constitui a maior ameaça das alterações climáticas.”

Há meio século, a catástrofe perfilava-se de maneira igualmente sinistra. Falando sobre a fome mundial, num discurso proferido na Fundação Ford em 1959, um economista afirmou: “Na melhor das hipóteses, as perspectivas para as próximas décadas são graves; na pior, são assustadoras.” Nove anos mais tarde, no seu célebre livro “A Bomba Populacional”, Paul Ehrlich vaticinava que as crises de fome, em particular na Índia, matariam centenas de milhões de pessoas nas décadas de 1970 e 1980.

Antes que essas visões catastróficas se concretizassem, a revolução verde transformou a agricultura mundial, em especial o cultivo de trigo e de arroz. Através do apuramento selectivo das espécies, o biólogo norte-americano Norman Borlaug criou uma variedade anã de trigo que concentrava a maior parte da sua energia nos grãos comestíveis e não nos caules longos, impossíveis de comer. Resultado: gerou-se mais cereal disponível por hectare. Um projecto semelhante, desenvolvido no Instituto Internacional de Investigação do Arroz (IRRI na sigla internacional) nas Filipinas, melhorou radicalmente a produtividade do cereal que alimenta quase metade do planeta.

Entre a década de 1960 e a de 1990, os rendimentos do arroz e do trigo na Ásia duplicaram. Embora a população deste continente crescesse 60%, os preços dos cereais baixaram, o consumo médio aumentou quase mais um terço das calorias anteriormente ingeridas e a taxa de pobreza foi reduzida a metade. Quando Norman Borlaug conquistou o Prémio Nobel da Paz em 1970, foi elogiado porque, “mais do que qualquer outra pessoa do seu tempo, ajudou a disponibilizar pão a um mundo esfomeado”.

Para atingir patamares similares até 2050, vamos precisar de outra revolução verde. Uma das teses para atingir esta meta aposta no avanço tecnológico, com ênfase na continuação do trabalho de apuramento de melhores culturas iniciado por Norman Borlaug, recorrendo a técnicas genéticas modernas. “A próxima revolução verde terá de fortalecer imenso as ferramentas da anterior”, prevê Robert Fraley, director-geral de tecnologia do grupo Monsanto e vencedor do prestigiado World Food Prize em 2013. Segundo ele, a comunidade científica consegue actualmente identificar e manusear uma enorme diversidade de genes de vegetais, melhorando características como a resistência às doenças e a tolerância à seca. Isso tornará a agricultura mais produtiva e mais resiliente.

A tecnologia essencial desta abordagem, que tem granjeado sucesso e polémica à Monsanto, é a dos organismos geneticamente modificados, ou OGM. Divulgados pela primeira vez na década de 1990, foram adoptados por 28 países e plantados em 11% do solo arável do planeta, incluindo metade dos terrenos de cultivo nos Estados Unidos. Cerca de 90% do milho, do algodão e da soja cultivados no país são geneticamente modificados.

Há quase duas décadas que os norte-americanos se alimentam de OGM. No entanto, na Europa e em grande parte de África, os debates sobre a segurança e consequências ambientais destas culturas têm travado a sua utilização. Um estudo recente do Ministério Norte-Americano da Agricultura apurou que a aplicação de pesticidas nas culturas de milho diminuiu 90% desde a introdução do milho Bt, que contém genes da bactéria Bacillus thuringiensis, ajudando a planta a combater as traças do milho e outras pragas. Relatórios referentes à China indicam que os afídeos nocivos diminuíram e as joaninhas e outros insectos benéficos aumentaram nas províncias onde o algodão geneticamente modificado foi plantado.

Os OGM especificamente desenvolvidos pelo trabalho de Robert Fraley na Monsanto têm sido lucrativos para a empresa e para muitos agricultores, mas não têm ajudado a conquistar o público para a causa da agricultura de tecnologia avançada. As culturas Roundup Ready da Monsanto são geneticamente modificadas para se tornarem imunes ao herbicida Roundup, também produzido pela Monsanto. Quer isto dizer que os agricultores podem pulverizar com o herbicida para eliminar as ervas daninhas sem causar estragos no seu milho, algodão ou soja. O contrato assinado com a Monsanto não lhes permite conservar sementes para plantar: todos os anos precisam de adquirir à empresa as sementes patenteadas.

Embora não existam provas fortes de que as culturas Roundup ou Roundup Ready não sejam seguras, os defensores de uma solução alternativa consideram essas sementes caras como um factor dispendioso introduzido num sistema inviável.
A agricultura moderna já depende excessivamente dos adubos sintéticos e dos pesticidas. Não só são incomportáveis para um agricultor como Ramadhani Juma, como poluem a terra, a água e o ar. Os adubos sintéticos são produzidos com recurso a combustíveis fósseis e emitem potentes gases com efeito de estufa quando aplicados nos campos.

“A escolha é clara”, afirma Hans Herren, outro laureado com o World Food Prize e director da organização sem fins lucrativos suíça Biovision. “Precisamos de um sistema agrícola muito mais preocupado com a paisagem e com os recursos ecológicos. Precisamos de mudar o paradigma da revolução verde. A agricultura intensiva não tem futuro, precisamos de algo diferente.” Para este especialista, há maneiras de combater as pragas e de aumentar os rendimentos mais adequadas aos Ramadhani Jumas deste mundo.







A MONSANTO NÃO É A ÚNICA organização a acreditar que a genética vegetal moderna pode ajudar a alimentar o planeta. Num dia quente de Fevereiro, ao fim da tarde, o especialista em genética vegetal Glenn Gregorio, do Instituto Internacional de Investigação do Arroz, mostra-me o arroz que deu início à revolução verde na Ásia. Encontramo-nos na cidade de Los Baños, cerca de sessenta quilómetros a sudeste de Manila, caminhando ao longo do limite de certos arrozais muito especiais, que existem nos 200 hectares do instituto.

“Este é o arroz milagroso, o IR8”, mostra Glenn, quando nos detemos junto de uma mancha densa verde-esmeralda de plantas de arroz, que nos dão pela coxa. Na década de 1960, o especialista em patologias vegetais Peter Jennings deu início a uma série de experiências de cruzamento de espécies. Dispunha de dez mil variedades de sementes para trabalhar. O seu oitavo cruzamento (entre uma estirpe anã de Taiwan e uma variedade mais alta da Indonésia) gerou a estirpe de crescimento rápido e rendimento elevado mais tarde conhecida como India Rice 8, pelo papel desempenhado na prevenção da fome naquele país. “Revolucionou a produção de arroz na Ásia”, lembra Glenn. “Na Índia, alguns pais puseram aos filhos o nome de IR8.”



Enquanto passeamos ao longo dos arrozais, passamos por outras estirpes historicamente importantes, todas identificadas, uma a uma, com uma tabuleta de madeira pintada com esmero. Todos os anos, o Instituto lança dezenas de novas variedades: cerca de mil foram semeadas em todo o mundo desde a década de 1960.

Durante décadas, o IRRI preocupou-se exclusivamente em melhorar as variedades tradicionais de arroz, cultivadas em campos que são inundados na época do plantio. Ultimamente, tem deslocado a sua atenção para as alterações climáticas. Agora, disponibiliza variedades tolerantes à seca, incluindo uma que pode desenvolver-se em campos secos e sobreviver só com chuva, como acontece com o milho e o trigo. Existe um arroz com tolerância ao sal para países como o Bangladesh, onde a subida do nível dos mares está a envenenar os arrozais. “Os agricultores não se apercebem de que a água salgada está a infiltrar-se nos arrozais”, diz Glenn. “Quando o sabor salgado da água começa a sentir-se, as plantas já estão a morrer.”

Das variedades de arroz existentes no IRRI, poucas são culturas geneticamente modificadas, na medida em que contêm um gene transferido de uma espécie diferente e nenhuma se encontra ainda disponível junto do público. Uma chama-se Golden Rice e contém genes do milho que permitem produzir betacaroteno: tem por objectivo combater o flagelo mundial da carência de vitamina A. No Verão passado, um campo experimental de Golden Rice pertencente ao IRRI foi espezinhado por activistas. Segundo o administrador Robert Zeigler, o IRRI cria variedades geneticamente modificadas apenas como último recurso, quando não consegue encontrar a característica desejada no próprio arroz.

No entanto, toda a operação de produção de variedades do Instituto tem sido acelerada pela genética moderna. Durante décadas, os investigadores do IRRI seguiram pacientemente a receita antiga: seleccionar plantas com a característica desejada, realizar a polinização cruzada, aguardar que a descendência atinja a maturidade, seleccionar as plantas com melhor desempenho, repetir o processo. Hoje, existe uma alternativa. Em 2004, um consórcio internacional cartografou a totalidade do genoma do arroz, composto por cerca de quarenta mil genes individuais. Desde então, investigadores de todo o mundo têm vindo a destacar genes que controlam características valiosas e podem ser directamente seleccionados.

Em 2006, por exemplo, a especialista em patologia vegetal Pamela Ronald, da Universidade da Califórnia, isolou o gene Sub1 presente numa variedade do arroz da Índia Oriental. Raramente cultivado nos dias de hoje devido ao seu baixo rendimento, o arroz da Índia Oriental possui uma característica admirável: consegue sobreviver duas semanas debaixo de água. A maioria das variedades morre passados três dias.

Investigadores do IRRI procederam à polinização cruzada do arroz Sub1 com uma variedade de rendimento elevado e muito saborosa chamada Swarna, popular na Índia e no Bangladesh. Analisaram o seu DNA para apurar quais as plântulas que tinham efectivamente herdado o gene do Sub1. A tecnologia, denominada selecção assistida por marcadores, é mais rigorosa e permite poupar tempo. Os investigadores não precisaram de cultivar as plântulas e, de seguida, submergi-las durante duas semanas, para verificar as taxas de sobrevivência.

O novo arroz tolerante a cheias, chamado Swarna-Sub1, já foi adoptado por quase quatro milhões de agricultores na Ásia, onde todos os anos as cheias destroem cerca de vinte milhões de hectares de arroz. Um estudo recente apurou que os agricultores de 128 aldeias do estado indiano de Odisha, na baía de Bengala, aumentaram o seu rendimento em mais de 25%. Os agricultores com piores talhões obtiveram maiores benefícios.

“Na Índia, as castas inferiores recebem as terras de pior qualidade e, em Odisha, as terras piores têm propensão para as cheias”, explica Robert Zeigler. “Aqui está agora uma biotecnologia altamente sofisticada (arroz tolerante a cheias), que beneficia preferencialmente os mais pobres dos pobres, os Intocáveis. É uma história fantástica.”

O projecto mais ambicioso do Instituto pode transformar o arroz de raiz e aumentar exponencialmente a produtividade. O arroz, o trigo e outras plantas praticam um tipo de fotossíntese conhecido como C3, devido ao composto de três carbonos produzido por estes cereais quando a luz solar é absorvida. O milho, a cana-de-açúcar e outras plantas utilizam a fotossíntese C4. Essas culturas exigem menos água e azoto “e normalmente apresentam rendimentos 50% mais elevados”, explica William Paul Quick, do IRRI. O plano consiste em transformar o arroz numa cultura C4, através da manipulação dos seus próprios genes.

Contrariamente à tolerância à submersão do arroz Sub1, a fotossíntese C4 é controlada por muitos genes, e não por um único, o que a transforma numa característica mais complexa. “Ela evoluiu independentemente 62 vezes. Isso indica que não pode ser muito difícil de fazer”, diz
Quick. Ao “neutralizar” os genes um por um, ele e os seus colegas identificam sistematicamente cada gene responsável pela fotossíntese na Setaria viridis, uma pequena erva C4 de crescimento rápido. Até agora, todos os genes por eles descobertos encontram-se também presentes nas plantas C3. A única diferença passa por usos diferentes.



William e os colegas esperam aprender a forma de activá-los no arroz. “Acho que vamos levar, no mínimo, 15 anos”, diz. “Estamos agora no quarto ano.” Se tiverem êxito, talvez as técnicas sirvam para melhorar a produtividade das batatas, do trigo e de outras plantas C3. Seria um sucesso sem precedentes para a segurança alimentar: em teoria, os rendimentos poderiam aumentar 50%.

Cenários radicais como estes fizeram de Robert Zeigler um defensor apaixonado da biotecnologia. De barba branca, Robert crê que o debate público sobre os organismos geneticamente modificados se tornou horrivelmente confuso. “Quando comecei a investigar, na década de 1960, muitos de nós aderimos à engenharia genética por pensarmos que poderíamos ajudar o mundo”, explica. “Estas ferramentas eram fantásticas!”

“Sentimo-nos um pouco traídos pelo movimento ambientalista”, continua. “Se quiserem conversar sobre o papel que as grandes empresas devem desempenhar na nossa segurança alimentar, podemos ter essa conversa e ela é, de facto, importante. Mas é um debate diferente daquele que pondera o uso das ferramentas da genética para melhorar as nossas culturas. São ambas importantes e convém não as misturar.”

Robert decidiu a carreira que queria seguir depois de uma curta experiência em África, em 1972. “Quando estava na República Democrática do Congo, assisti a uma crise de fome por escassez de mandioca”, conta. “Foi isso que me motivou a especializar-me em patologia vegetal.”

QUAL A VISÃO DA AGRICULTURA mais acertada para os agricultores da África subsaariana? Na actualidade, afirma o geneticista Nigel Taylor, do Centro Donald Danforth para as Ciências Vegetais, o vírus do listrado castanho tem potencial para provocar outra crise de fome por escassez de mandioca. “Transformou-se numa epidemia nos últimos cinco a dez anos e está a piorar”, diz. “As temperaturas aumentam e o território da mosca branca alarga-se. Se o vírus se deslocar para a África Central e atingir as regiões de cultivo da mandioca na África Ocidental, teremos um gigantesco problema de segurança alimentar.”

Nigel e outros investigadores percorrem neste momento as etapas iniciais do desenvolvimento de variedades de mandioca imunes ao vírus do listrado castanho. O investigador colabora com peritos do Uganda num ensaio de campo, que decorre em paralelo com outro no Quénia. Porém, só quatro países africanos (Egipto, Sudão, África do Sul e Burkina Faso) permitem o plantio comercial de culturas geneticamente modificadas.




Em África, como noutras partes do mundo, os organismos geneticamente modificados são temidos, embora existam poucas provas científicas que justifiquem esse temor. Há um argumento mais forte, segundo o qual as estirpes vegetais tecnologicamente avançadas não são uma panaceia e talvez não sejam sequer aquelas de que os agricultores africanos mais necessitam. Mesmo nos EUA, alguns agricultores têm problemas com elas.

Um artigo publicado em Março deste ano documentou uma tendência inquietante: os crisomelídeos do sistema radicular do milho estão a desenvolver resistência às toxinas bacterianas presentes no milho Bt. “Fiquei surpreendido ao ser confrontado com estes dados, pois sei o que significam: esta tecnologia está a começar a fracassar”, diz o entomólogo Aaron Gassmann, co-autor do relatório. O motivo: alguns agricultores não cumprem a obrigação legal de criar “campos de refúgio” com milho não-Bt, que atrasariam a disseminação dos genes resistentes sustentando os crisomelídeos vulneráveis às toxinas do Bt.

Na Tanzânia ainda não há culturas geneticamente modificadas, mas alguns agricultores aprenderam que a plantação de várias culturas simultâneas é uma das melhores formas de prevenir pragas. O país possui o quarto maior número de agricultores biológicos certificados do mundo.
E parte do mérito cabe à jovem Janet Maro.

Janet cresceu numa quinta perto do Kilimanjaro. Em 2009, quando era aluna de licenciatura na Faculdade de Agronomia de Sokoine, em Morogoro, contribuiu para a criação de uma organização sem fins lucrativos, a Agricultura Sustentável da Tanzânia (SAT).

Desde então, ela e o seu pequeno grupo de colaboradores têm vindo a dar formação em práticas biológicas aos agricultores locais. No sopé da serra de Uluguru, Morogoro dista cerca de 160 quilómetros de Dar-es-Salam. Poucos dias depois do meu encontro com Ramadhani Juma, Janet conduz-me às montanhas para visitar três das primeiras explorações agrícolas certificadas da Tanzânia. “Os peritos agrícolas do Estado não vêm cá”, diz, enquanto subimos aos solavancos uma estrada de terra batida numa carrinha. Verdejantes devido às chuvas provenientes do oceano Índico, as encostas estão densamente florestadas, mas as árvores vão sendo abatidas pelos luguru para criar terra agrícola.

Com intervalos de meio quilómetro, passamos por mulheres que, caminhando sozinhas ou em pequenos grupos, equilibram sobre a cabeça cestas carregadas com mandioca, papaias ou bananas. É dia de mercado em Morogoro, 900 metros mais abaixo. Aqui, as mulheres são mais do que meras carregadoras. Entre os luguru, a propriedade da terra é transmitida por linha feminina.

Detém-se junto de uma casa de uma única divisão, construída em tijolo, com paredes parcialmente estucadas e telhado de chapa ondulada. Habija Kibwana convida-nos a sentarmo-nos no seu alpendre, juntamente com duas vizinhas.

Ao contrário dos agricultores de Bagamoyo, Habija e as vizinhas cultivam uma diversidade de plantas: agora é a época das bananas, dos abacates e dos maracujás. Em breve, plantarão cenouras, espinafres e outros legumes. Este misto de culturas serve de compensação, caso alguma cultura fracasse, e contribui para diminuir as pragas. Os agricultores aprendem a semear
de maneira estratégica, criando filas de Tithonia diversifolia, um girassol selvagem que as moscas brancas preferem, mantendo as pragas afastadas da mandioca. O uso de compostagem, em
vez de adubos sintéticos, melhorou tanto o solo que um dos agricultores, Pius Paulini, duplicou a sua produção de espinafre. As escorrências de água dos campos já não poluem os rios que abastecem Morogoro.

Talvez o resultado da agricultura biológica que mais alterou as vidas dos agricultores tenha sido livrarem-se das dívidas. Mesmo com subsídios do Estado, custa 500 mil xelins tanzanianos (cerca de 220 euros) comprar adubo e pesticida suficientes para tratamentos em meio hectare, uma despesa elevadíssima num país onde o rendimento anual per capita é inferior a 1.200 euros. “Antes, quando era preciso comprar adubo, ficávamos sem dinheiro para mandar os filhos para a escola”, afirma Habija. A sua filha mais velha terminou agora os estudos secundários.

As explorações agrícolas também se tornaram mais produtivas. “A maior parte dos alimentos vendidos nos mercados foi produzida por pequenos agricultores”, diz Janet.

Quando lhe pergunto se as sementes geneticamente modificadas também poderiam ajudar esses agricultores, ela mostra-se céptica. “Não é realista”, responde. Como pagarão as sementes se nem têm dinheiro para pagar os adubos? Que probabilidades há num país onde poucos agricultores chegam alguma vez a falar com um perito agrícola do Estado ou não têm sequer consciência das doenças que lhes ameaçam as colheitas, de conseguirem obter o apoio necessário para cultivarem as culturas geneticamente modificadas?

Do alpendre de Habija desfruta-se um magnífico panorama de encostas com socalcos abundantemente cultivados, mas também de encostas rasgadas pelos campos erodidos dos agricultores não-biológicos, sem socalcos para retenção do solo. Segundo Habija e Pius, o sucesso do projecto chama a atenção dos vizinhos. A agricultura biológica alastra. Mas alastra devagarinho.

Esse é o problema essencial, creio. Como levar até pessoas como Ramadhani Juma os conhecimentos que as organizações como a SAT ou o IRRI possuem? Não basta debater o uso de tecnologia simples ou avançada. Há mais do que uma maneira de aumentar os rendimentos ou de travar a mosca branca. “A agricultura biológica pode ser a solução para certas regiões”, afirma Mark Edge, executivo da Monsanto. “Não pensamos, de forma alguma, que as culturas geneticamente modificadas sejam a solução para todos os problemas de África.” Afinal, como lembra Robert Zeigler, desde a primeira revolução verde, a ciência ecológica tem progredido a par da genética.


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Uns bons argumentos contra a monocultura/ cultura de transgénicos

E Mail com as perguntas
Caros amigos
Quais os argumentos a contrapor quando   referenciam que a cultura intensiva e mono cultura é importante para matar a fome. Sei que isto é falso e por instinto sei que é uma mentira, mas isto não chega.Espero que m e deem algumas dicas.
Igualmente quando falas com um pequeno agricultor que aderiu aos trangénicos,, caso do milho e outras culturas e que te diz que tem menos trabalho e melhores resultados, como contrapôr? É dificil mas não impossivel a abordagem.
As minhas melhores saudações
Fernanda Julia Garcia

Respostas por Irina Castro
A minha resposta iria neste sentido.

1º O mito da fome: a questão da fome no mundo é colocada sempre sobre o principio da escassez e nunca é vista como uma questão de má, e injusta redistribuição e alimentos. 
Por exemplo: como podemos justificar que Tanzania, sendo um dos paises africanos onde mais se pesca, seja onde o consumo de peixe é menor, e onde existem altos indexes de fome? simples, os tratados bilaterais, bem como as imposições economicas por parte de outros paises sobre a divida externa de Tanzania obrigam a que o país exporte a maioria das suas pescas. O que depois significa também na europa, que paises como Portugal e Grecia, recebam incentivos para o abate das suas frotas pesqueiras.
Isto impõem não só pressões enormes sobre os países, mas também uma pressão ambiental sobre tanzania que tem de produzir peixe suficente para cumprir as exportações, originando problemas ambientais como os que temos no lago vitoria.

2º A fome não é só uma questão de ter ou não ter comida. Está associada à cultura e à historia dos povos. Existe uma relação psico-emocial-social com a alimentação, e descartar isso da discussão é ignorar por completo a complexidade do fenomeno da fome.
Podes explicar isto muito bem como culturas como a mexicana, cuja diversidade de milho está associada à sua alimentação. A textura, as cores, os sabores, e até mesmo as formas de produção. 

Isto para dizer, para além da perda de agrodiversidade promovida pela monocultura, ela também destroi sistemas de produção integrada. A Milpa, sistema de produção de milho no mexico, engloba a produção do milho, com a da abobora e com o feijão, três dos principais elementos que compõem a alimentação do povo mexicano. Ora se substituis isso por milho em monocultura, na verdade estás a promover a fome, e não a alimentação.

3º A monocultura e o milho trangenico (o hibrido também) são desenhados de acordo com uma visão de ambiente e sociedade norte-americanas. E até é possivel que nas primeiras colheitas agricultures portugueses e indianos possam ter bons resultados, o problema está associado à continuação da produção, que a longo prazo tem demonstrado não apresentar uma analise de custo-benificio favoravel aos pequenos agricultures.
Por outro lado, a questão dos trangénicos implica que se percam as redes de troca de sementes, o que em termos de produção mais tarde o agricultore verá que as sementes que compra à empresa são por vezes 10 vezes mais caras que as que comprava anteriormente e podem custar até 40% do rendimento da produção.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Misteriosa doença fatal tem sua causa descoberta: os agrotóxicos da Monsanto

Jeff Ritterman,  Truthout
Há anos, que cientistas tentam desvendar o mistério de uma epidemia de doença renal crónica que atingiu a América Central, a Índia e o Sri Lanka. A doença ocorre em agricultores pobres que realizam trabalho braçal pesado em climas quentes. Em todas as ocasiões, os trabalhadores tinham sido expostos a herbicidas e metais pesados. A doença é conhecida como CKDu (Doença Renal Crónica de etiologia desconhecida).

O “u” (de “unknown”, desconhecido) diferencia essa enfermidade de outras doenças renais crónicas cuja causa é conhecida. Poucos profissionais médicos estão cientes da CKDu, apesar das terríveis perdas impostas à saúde dos agricultores pobres, de El Salvador até ao sul da Ásia.

Catharina Wesseling, diretora regional do Programa Saúde, Trabalho e Ambiente (Saltra) na América Central, pioneiro nos estudos iniciais sobre o surto ainda não esclarecido na região, diz o seguinte: “Os nefrologistas e os profissionais de saúde pública dos países ricos não estão familiarizados com o problema ou duvidam inclusive que ele exista”.

Wesseling está a ser diplomática. Na cúpula da saúde de 2011, na cidade do México, os EUA recusaram uma proposta dos países da América Central que teria listado a CKDu como uma das prioridades para as Américas.

David McQueen, um delegado norte-americano do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, que posteriormente se desligou dessa agência, explicou a posição do seu país. “A ideia era manter o foco nos fatores de risco chave que poderíamos controlar e nas grandes causas de morte: doença cardíaca, cancro e diabetes. E sentíamos que a posição que assumimos incluía a CKD”.

Os norte-americanos estavam errados. Os delegados da América Central estavam certos. A CKDu é um novo tipo de doença. Esta afeção dos rins não resulta da diabetes, da hipertensão ou de outros fatores de risco relacionados com a dieta. Diferentemente do que acontece na doença renal ligada à diabetes ou à hipertensão, muitos dos danos da CKDu ocorrem nos túbulos renais, o que sugere uma etiologia tóxica.

Hoje, a CKDu é a segunda maior causa de mortalidade entre os homens em El Salvador. Esse pequeno e densamente povoado país da América Central tem atualmente a maior taxa de mortalidade por doença renal no mundo. Os vizinhos Honduras e Nicarágua também têm taxas extremamente altas de mortalidade por doença renal. Em El Salvador e Nicarágua, mais homens estão morrendo por CKDu do que por HIV/Sida, diabetes e leucemia juntas. Numa região rural da Nicarágua, tantos homens morreram que a comunidade é chamada “A Ilha das Viúvas“.

Além da América Central, a Índia e o Sri Lanka foram duramente atingidos pela epidemia. No Sri Lanka, mais de 20 mil pessoas morreram por CKDu nas últimas duas décadas. No estado indiano de Andhra Pradesh, mais de 1.500 pessoas receberam tratamento para a doença desde 2007. Como a diálise e o transplante de rim são raros nessas regiões, a maioria dos que sofrem de CKDu irão morrer da doença renal.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

As agriculturas do mundo e o negócio das sementes, fertilizantes e pesticidas

Por Ricardo Vicente
Atualmente os discursos políticos e técnicos dominantes nas sociedades ocidentais condicionam brutalmente a opinião de qualquer cidadão sobre o que é hoje a agricultura no mundo. Propagam-se as ideias sobre os avanços tecnológicos da ciência e a sua facilidade de acesso: a mecanização, a comunicação, os processos de automatização, as ferramentas biotecnológicas, a obtenção de novas variedades, etc. A sociedade absorve a ideia de que a população mundial é suportada por uma espécie de agricultura industrializada. Esta ideia é falsa, mas é sobre ela que se desenham e promovem políticas que são aplicadas local e globalmente. A agricultura é muito diversa e bastante desigual. Esta situação é fácil de constatar, não apenas comparando países “desenvolvidos” com países pobres mas também dentro de cada país.

Pensar e desenhar políticas agrícolas significa intervir sobre a vida de todos nós, mas em especial sobre a vida de uma grande fatia da população mundial que depende diretamente da agricultura enquanto atividade económica e de subsistência, cerca de 27% (FAO, 2010). Os dados da FAO relativos à população agrícola do ano 2010 mostram um globo onde a agricultura e a produção de alimentos andam a velocidades muito diferentes: 49% da população africana; 56% da África central; 39% da Ásia; 47% da Ásia do sul; 16% da América latina; 1,7% da América do norte; 5,9% da Europa; 2% da Europa central; 4,4% em Espanha; 10,3% em Portugal.

Segundo Mazoyer e Roudart (2001), 80% dos agricultores em África e 40 a 60% na América Latina e Ásia apenas dispõem de utensílios manuais e, entre estes, só 15 a 30% têm tração animal. Referem os mesmos autores que a diferença de produtividade do trabalho entre a agricultura manual menos produtiva do mundo e a agricultura motorizada e mecanizada mais produtiva, no espaço de um século (o séc. XX), passou de 1:10 para 1:500. No caso dos cereais, afirmam que um trabalhador isolado, na melhor situação, consegue produzir 2.000 toneladas, enquanto que, na pior situação, uma família produz apenas 1 tonelada, no espaço de um ano. Estas duas realidades encontram-se hoje, frequentemente, separadas não por um oceano mas por um muro ou vedação.

É sobre esta realidade desigual que se desenham acordos e políticas internacionais que interferem diretamente nas atividades agrícolas, mas é também neste quadro que atuam as diversas empresas multinacionais produtoras e distribuidoras de fatores de produção. Não por mero acaso, o percurso histórico de agravamento das desigualdades produtivas e da fome, no século XX, é coincidente com o da história das principais multinacionais que ainda hoje atuam no mercado mundial (ver figuras 1, 2 e 3).

Foi no decorrer dos anos 60 e 70 que todo o processo se acelerou, com o surgimento crescente de variedades híbridas, adubos e pesticidas, possibilitando o melhoramento da relação semente-fertilizante e consequentemente o grande aumento das produções. Este processo ficou historicamente conhecido por revolução verde. Nos países e regiões mais pobres, onde eram maiores os riscos de fome consequentes do aumento da população e da fraca capacidade produtiva dos sistemas agrários, as consequências foram desastrosas. A maioria dos novos saberes e tecnologias não chegaram aos agricultores locais e as poucas que chegaram retiraram-lhes a autonomia, criando dependências entre agricultores e empresas fornecedoras de fatores. Na história destas empresas abundam as situações fraudulentas que provocaram a destruição de recursos endógenos e criaram dependências dos seus negócios. Surgiram diferenciais de produtividade brutais com a entrada em funcionamento de unidades produtivas modernas, os preços dos alimentos caíram, muitos agricultores abandonaram a atividade, destruíram-se redes de distribuição locais e surgiram novas dependências alimentares que espalharam a fome e o desespero. Iniciou-se uma mudança de paradigma, passou a haver produção de alimentos suficiente para alimentar a população mas a fome agravou-se devido à impossibilidade de acesso aos alimentos.

Todas as atuais principais empresas de produção e distribuição de sementes, adubos e pesticidas têm um histórico de atividade que iniciou antes ou durante a revolução verde e quase todas já tiveram reestruturações decorrentes da fusão com outras empresas. Há quase um século que atuam numa área de atividade onde o negócio é garantido e ainda não parou de crescer (ver Fig. 4 e 5). Se analisarmos as suas histórias, facilmente constatamos que os seus negócios cresceram sem regras nem princípios, ao lado dos interesses financeiros e políticos das maiores potencias mundiais.

Alguns factos históricos sobre as principais empresas multinacionais que operam no mercado se sementes, pesticidas e adubos:

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Documentário imperdível- "David versus Monsanto"


Imagine-se que um temporal afectou o seu jardim. E você sabe que sem o seu consentimento ,caíram sementes que são geneticamente modificados no seu pomar. Um par de dias mais tarde , os representantes vêm de uma casa comercial, reivindicar os seus legumes e apresenta-lhe uma multa de 20.00,00 € para utilizar sementes geneticamente modificadas que estão patenteados. O senhor contesta e além disso a justiça lhe deu razão! Mas você luta ... 

Esta pequena história não é uma utopia , é a triste realidade em todo o mundo . É também a realidade de Percy Schmeiser no Canadá e Louise - vencedores do Prémio Nobel Alternativo, que lutam desde 1996 contra química e fabricante de sementes Monsanto. Aproximadamente três quartos da produção mundial de plantas geneticamente modificadas são dos laboratórios da Monsanto. Um grupo da indústria que EUA inventou o DDT, PCB e agente laranja que dizem que é sua propriedade. Para ganhar o domínio do campo ao prato , não tem medo de nada. Também agricultores Troy Rush, David Runyon e Marc Loiselle teve de ouvir sobre isso, como milhares de outros agricultores em todo o mundo . Eles e Schmeisers não são os únicos a lutar contra a Monsanto, assim como para assegurar a sua existência como agricultores e defender a liberdade de expressão e o direito à propriedade. Mas, principalmente, interceder para o futuro de seus filhos e netos , para que eles também tenham a oportunidade de crescer em um mundo sem alimento que é geneticamente manipulados. Esta filme mostra a coragem e dá coragem. Coragem para as pessoas que o temem, de que uma pessoa é impotente contra a política ou um conglomerado económico. " David contra Monsanto " prova o contrário.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Documentário da Semana: Tous Cobayes? (Todos Cobaias?)


"Todos cobaias?" consiste em duas partes. A primeira parte mostra os perigos de uma dieta contendo organismos geneticamente modificados (OGM ), enquanto a segunda descreve os riscos decorrentes de instalações nucleares. O filme tenta mostrar que o homem se apropriou dessas tecnologias sem prevenção, enquanto ocorre extensivamente a contaminação irreversível de vida. O filme faz a pergunta " Será que somos todos cobaias ? " . Quanto o painel de OGM , o filme é baseado no estudo realizado em ratos de laboratório e revelou em 2012 pelo professor Gilles- Eric Séralini no âmbito do Comité de Investigação Independente e Informação sobre Engenharia Genética ( CRIIGEN ), que representa a data de acordo com seus autores o estudo mais longo do consumo de OGM agrícolas (NK 603) com o Roundup. A questão nuclear é baseada principalmente em danos ecológicos , humanos e materiais dos acidentes nucleares de Chernobyl (Abril de 1986) e Fukushima ( Março de 2011). 

Sítio Oficial 
Tous cobayes?