terça-feira, 14 de setembro de 2021

14 de Setembro- Dia da Ecologia

14 de Setembro

DIA DA ECOLOGIA
DIA DA ECOLOGIA
 
O dia escolhido para a celebração foi o 14 de Setembro, para comemorar o dia no qual Ernst Haeckel publicou o seu Ökologie und Chorologie em 1866, cunhando o termo Ecologia.
 
Federação Europeia de Ecologia
DA ECONOMIA DA NATUREZA À ECOLOGIA (1)
 
José Bonifácio [de Andrada e Silva] nasceu em 1768, em pleno Século das Luzes, ou do Iluminismo, um dos períodos mas ricos e fervilhantes da história intelectual e cultural do mundo ocidental, que nos retira das “trevas” anteriores, reclamando o primado da razão e do pensamento científico.

Emmanuel Kant, um dos pensadores mais destacados do Iluminismo, escreveu em 1748 que o lema do Iluminismo era: “Sapere aude!”, “Ousa saber” ou “Tem coragem para fazer uso da tua própria razão!”, lema que José Bonifácio haveria de seguir.

Durante o Iluminismo desenvolveram-se duas correntes de pensamento sobre o estudo e uso da natureza: a “ciência imperialista” e a “ciência arcadista”.

A visão “imperialista” da natureza derivava do pensamento de Francis Bacon que acreditava que a terra e todos os seres vivos foram dados ao homem para os transformar; é clássica a frase de Bacon:
 
  • Devemos subjugar a natureza, pressioná-la para nos entregar os seus segredos, amarrá-la ao nosso serviço e fazê-la nossa escrava. (apud BETO, 1999).

Por seu lado, os arcadistas valorizavam a natureza em si, e o bucolismo, em antagonismo com a vida urbana, a ciência e o racionalismo e faziam uma análise crítica dos valores sociais e religiosos da época. Defendiam o “ideal de relacionamento harmónico e pacífico entre os homens e a natureza, baseado no modelo de vida simples e humilde das comunidades campestres e pastoris.” (PÁDUA, 1987).

As seus lemas eram:
  • Carpe diem (“colhe o dia” ou “aproveita o momento”): a proposta do poeta Horácio nas suas Odes, escritas em 23 a.C.;
  • Inutilia truncat (cortar o inútil): desejo de retirar tudo o que for excessivo, exagerado ou redundante;
  • Fugere urbem (fugir da cidade): expressão usada, também, por Horácio, que valoriza a natureza, paradigma da perfeição e pureza, ao contrário da cidade, onde tudo está em conflito.

O Arcadismo foi um movimento de reação ao exagero do Barroco, e o seu nome deriva da Arcádia, região do Peloponeso, na Grécia Antiga. Desenvolveu-se, como escola literária, artística e de pensamento, no século XVIII, e também foi designado setecentismo e neoclassicismo, dado beber nas fontes da Antiguidade Clássica.

Dividido ente os valores de uma e outra corrente de pensamento (como poeta foi arcadista, como adiante se verá), José Bonifácio, via a natureza como algo a ser estudado pela ciência de forma a ser colocada ao serviço da riqueza das nações e dos povos, não como uma natureza intocável, mas sim explorada com racionalidade; as suas preocupações “conservacionistas” iam no sentido da perenidade do uso para benefício do homem.

Por esse carácter utilitário, alguns não concordam que seja considerado ecólogo; mas da leitura dos seus escritos forçoso é reconhecer, por todo o lado, os princípios e teses da ecologia de finais do século XIX e, mesmo, as preocupações do contemporâneo ecologismo.

José Bonifácio na Memória [Sobre a necessidade e utilidade do plantio de novos bosques em Portugal, particularmente de pinhais nos areais de beira-mar; seu método de sementeira, custeamento e administração, 1815] usa com frequência o termo “economia da natureza”, termo que, 51 anos mais tarde daria lugar à moderna ciência designada por Ernest Haeckel “ecologia”, que este naturalista alemão assim definiu:
 
  • Pela palavra ecologia, queremos designar o conjunto de conhecimentos relacionados com a economia da natureza - a investigação de todas as relações entre o animal e seu ambiente orgânico e inorgânico, incluindo suas relações, amistosas ou não, com as plantas e animais que tenham com ele contacto directo ou indirecto, - numa palavra, ecologia é o estudo das complexas inter-relações, chamadas por Darwin de “condições da luta pela vida”.
 
 
 
Extrato de Generelle Morphologie der Organismen, de Ernest Haeckel (1866),
onde surge pela primeira vez a palavra ecologia
 
 
A palavra ecologia (oecologie, ou ökologie, em alemão) apareceu pela primeira vez em nota de rodapé na página 8 do Generelle Morphologie der Organismen, de Ernst Haeckel, publicado em Berlim, em 1866:
 
  • Se alargamos o conceito da Biologia até ao seu limite mais abrangente e vasto, excluímos o apertado e limitado sentido, no qual se confunde frequentemente (especialmente na Entomologia) a Biologia com a Ecologia, com a ciência da Economia, da maneira de viver e das relações vitais externas entre os organismos.
 
(1) Extrato do livro “José Bonifácio de Andrada e Silva, o primeiro ecologista de Portugal e do Brasil. Com uma recensão da “Memória sobre a necessidade e utilidade do plantio de bosques em Portugal” (1815). Nuno Gomes Oliveira, Maio 2011

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