terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Há 25 Anos Na Floresta: Mick Dodge, O Homem Que Desistiu Da Modernidade

Deixando para trás um emprego estável e bens materiais na década de 90, o homem se tornou um nômade famoso e estrelou uma série documental


“Eu não quero voltar para a cidade. Eu já estou há muito tempo aqui. Não vou abrir mão de tudo isso”. Mick Dodge se libertou da vida na sociedade moderna, com todas suas tecnologias e facilidades, para viver no meio da floresta. Há 25 anos, o americano vive na natureza e, para ele, foi a melhor decisão que já tomou.

Desde criança, Mick era muito apegado ao ambiente natural, gostava de brincar ao ar livre e sentia um grande respeito pela natureza. Nascido em 1951, na região afastada de Península olímpica, Estados Unidos, cresceu em meio a terra, num local cercado pelo oceano Pacífico.

Com o passar dos anos, saiu da casa dos avós e viajou o país inteiro com seu pai, Ronald Dodge, que era um fuzileiro naval. Fato este que o influenciou a ingressar, na adolescência, no Corpo de Fuzileiros Navais. Serviu por seis anos, mas não estava totalmente satisfeito, então foi em busca de uma realização pessoal.

Com uma carreira estabilizada, Dodge trabalhava como engenheiro mecânico, tinha dinheiro, posses, mas o mais importante lhe faltava: a felicidade. Vivendo sob a filosofia de que todo dia é uma nova aventura, ele embarcou na maior de sua vida, largou tudo e partiu para a floresta. “Um dia eu simplesmente peguei meu equipamento e simplesmente voltei para cá nas montanhas”, disse à National Geographic.

Cena da série A lenda de Mick Dodge / Crédito: Divulgação/YouTube

Sua família, de origem escocesa-irlandesa, por gerações mantinha residência em uma área florestal dos EUA, mas para Mick não era o suficiente. O homem decidiu se instalar nas montanhas Olympic, no estado de Washington.

Uma vida nova
A decisão, tomada em 1991, perdura até os dias de hoje. Ele abriu mão de comida industrializada, o conforto de uma casa, e o que faz o mundo funcionar: dinheiro. Na floresta, Mick depende de tudo que a natureza pode lhe oferecer, contando com a ajuda de seus instintos primitivos para sobreviver a cada novo dia.

Comendo larvas, plantas, ou ainda, animais, Dodge encontrou a si mesmo em meio à natureza. Dorme em troncos de árvore e cavernas, caça com arco e flecha e bebe água de musgo, que diz ter um gosto de “vinho e de champagne”.

Após anos isolado, ele optou por ir mais além. Deixou de lado os calçados e passou a andar apenas descalço. “Meus pés se tornaram meu mapa. Meus pés se tornaram minha bússola.” O homem explica que pisar sem sapatos no chão de terra o faz se conectar mais profundamente com o ambiente onde vive.

Apelidado de Barefoot Sensei (Sensei Descalço), a vida simples e peculiar de Mick atrai atenção de muita gente. Por isso, decidiu aceitar uma proposta e mostrar sua jornada numa série documental.

Mick correndo pela floresta em cena do documentário / Crédito: Divulgação/YouTube


“Eu tinha várias casas, carros, uma vida bem confortável. Até que um dia eu peguei minhas coisas e vim para cá. Eu nunca mais quis voltar para casa”, fala no seu seu projeto do National Geographic, A lenda de Mick Dodge, que foi lançado em 2014.

Com duas temporadas lançadas e mais uma para estrear, a produção acompanha Dodge nos seus desafios diários, como comer, dormir e se proteger do intenso inverno local. Apesar de não ter nem uma conta bancária, o aventureiro recebeu uma quantia em dinheiro para filmar o documentário.

Além disso, ele possui alguns truques modernos para sobreviver a situações mais extremas, como botas de couro e roupas de plástico para manter-se seco quando necessita. Sobre os perigos da floresta e animais selvagens, o nómada relembra uma situação incomum: “Os encontros mais perigosos que já tive na selva, nas muralhas da cidade e nas terras cercadas foram com criaturas de dois pés”.

A sociedade moderna não tem nada para lhe oferecer, Mick, hoje com 69 anos, encontra paz e tudo o que precisa na floresta. Mesmo sendo admirado por fãs e causando curiosidade na media, ele se sente bem distante do título de sua série: “Não sou uma lenda. A terra é uma lenda”.

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