quinta-feira, 29 de junho de 2017

Esclarecimentos do Grupo "Diga Não aos Herbicidas com Glifosato" sobre o artigo de Luís Ribeiro na revista Visão

BANIR O GLIFOSATO. Não é uma mera petição! Tem efeitos legais.

Glifosato: Assine agora e até amanhã (ou espere pelo menos 10 anos)


Foto de Luís Ribeiro.
Parecer da minha Amiga Ana Pacheco, Bióloga, Investigadora 

"Depois de ler na íntegra este artigo publicado na VISÃO deixo a minha análise, para quem tiver interessado em ter outro ponto de vista, o meu que, estará mais ligado à ciência e menos à emoção.

Dos 113 produtos selecionados, 21 estão contaminados, destes apenas 8 produtos possuem origem Portuguesa.
Contudo, segundo o autor: «Pelo contrário os que têm origem portuguesa estão mais “contaminados” do que a média – 27% dos alimentos nacionais analisados continham pesticidas não autorizados, quando a média em relação ao total é 18,5%.»

É curioso ter-me sido impossível saber o que é contaminação do que é vestigial, ou seja, que valores de pesticidas sintéticos estão acima do que é permitido pela lei (a única excepção é a couve) – contaminação. Dos valores de pesticidas sintéticos que estão abaixo do que é permitido pela lei (com excepção para os pesticidas não autorizados por lei) - vestigial.

Contudo, e segundo o jornalista, nem tudo são más notícias, e de facto não podia estar mais de acordo, senão vejamos, e segundo o próprio: «O dirigente da Agrobio levantou, a propósito, dúvidas quanto ao método da VISÃO na recolha dos alimentos a granel, por não terem sido pedidos “os certificados”…» Como disse, e repito, não podia estar mais de acordo com esta advertência: se não são pedidos os certificados, não podemos afirmar que são biológicos.

Acresce que, a resposta da VISÃO é altamente interessante e, curiosamente, apologista da agricultura biológica, senão leia-se: «Nenhum dos alimentos frescos a granel acusou químicos proibidos.» Mesmo sem continuar a referir se acusou alguma contaminação ou vestígios de pesticidas sintéticos permitidos por lei. Assim sendo, parece que nos produtos a granel a contaminação/vestígios é de facto ZERO.

Quanto ao “Maior estudo de sempre em Portugal” o seu planeamento deixa muito a desejar, senão vejamos:
- Se na formulação dos herbicidas com glifosato existem coadjuvantes declaradamente carcinogénicos como a taloamina (http://www.dn.pt/…/ministerio-da-agricultura-proibe-taloami…), e sendo o glifosato analisado, porque não foram detectados os níveis deste químico?

- Se num ambiente contaminado a presença de glifosato seria de esperar, e foi analisado, porque não foi detectado o AMPA (ácido amino-metil-fosfônico). Uma vez que o glifosato não é biodegradável e se transforma nesta última substância?

- Qual o nível de contaminação dos pesticidas sintéticos permitidos por lei?

- Que níveis vestigiais foram detectados nos pesticidas sintéticos permitidos por lei?

São apenas algumas das questões que me surgiram de imediato ao ler este artigo.

Reconheço que os resultados não são os desejados, mas parece que o nível zero de contaminação foi detectado nos alimentos a granel, o que é absolutamente desejável, mesmo em biomas, como o nosso, muito contaminados.

Em suma: mesmo em ecossistemas com água (potável e de lençóis freáticos) provavelmente contaminada com glifosato, com solos contaminados com glifosato, taloamina e AMPA, conseguirmos alimentos de agricultura biológica sem contaminação detectada é absolutamente fantástico, e deverá ser um estímulo para prosseguirmos com o consumo de alimentos biológicos.

Este artigo também contém “perólas” como estas: «Além disso, no caso dos animais, o uso de antibióticos (que tem sido associado ao risco de prevalência de bactérias multirresistentes nos humanos) é reduzido ao mínimo essencial.»

E esta: «Os cálculos apontam para que a agricultura biológica conseguisse alimentar 4 mil milhões de pessoas. Ora nós somos 7,5 milhões»

Senhor jornalista será que julga que as bactérias multirresistentes surgem de geração espontânea?!!!!! A sua afirmação é absolutamente absurda e inusitada quando todos os estudos científicos provam que as bactérias surgem, maioritariamente, no meio ambiente devido a factores de selecção, entre os quais a presença de antibióticos. Por favor, pesquise e informe-se.

Quanto à segunda afirmação só se justifica se não estiver atento às mudanças que estão a ocorrer na agricultura convencional, e, sobretudo, nas alterações dos solos devido ao uso intensivo de monoculturas. E, se nunca leu nada acerca do esgotamento dos solos neste tipo de agricultura e a consequente destruição do ecossistema.

Teria sido aconselhado neste seu “Maior estudo de sempre em Portugal”, já agora, ter estabelecido uma comparação com os produtos da agricultura convencional, mas posso deixar-lhe aqui o relatório de 2015 da EFSA que diz que, mais de 97% dos alimentos na UE contêm resíduos de pesticidas que estão "dentro dos limites legais". Independentemente de como esses "limites legais" são definidos, pouco se sabe sobre os riscos a longo prazo que uma exposição contínua e múltipla a resíduos de pesticidas apresenta para a saúde de seres humanos e outros animais. – (https://www.greeneuropeanjournal.eu/working-with-nature-or…/).

Como aspectos positivos deste artigo saliento o facto de se reconhecer que: «Neste momento já não basta restringir o glifosato: é preciso proibi-lo. Há evidências suficientes para justificar medidas que efetivamente protejam a saúde de todos.» e «Acima de tudo, devido às couves com altos níveis de glifosato. “Um caso destes é de saúde pública»

Afinal parece que há mais gente a repetir o que não me cansarei de dizer: estamos perante um crime de saúde pública.

Por último senhor jornalista já assinou a petição “online” para eliminarmos o glifosato da Europa, caso não o tenha feito, ainda pode fazê-lo aqui:
Sign Stop Glyphosate

Consultar 245 artigos científicos que comprovam os malefícios do glifosato


Consultar

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