quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Poema da Semana: "Não tenho pressa. Pressa de quê?" de Alberto Caeiro

Créditos fotográficos de Karl-Heinz Loof

Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.
Não; não sei ter pressa. ...
Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega

Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.
E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

1 comentário:

Rogerio G. V. Pereira disse...

Não conhecia o poema

Mas parece ter sido escrito
para o meu pensamento favorito:

"Mudar o mundo não custa muito,
leva é tempo!"
e a pressa não o encurta
(já é um acrescento)