Segunda-feira, 8 de Outubro de 2012

Erro Crato e Martelo Rebelo Laranja Podre apresentam um livro de Rómulo de Carvalho/ António Gedeão que neste momento deve estar a dar voltas na sepultura


Rómulo de Carvalho/ António Gedeão. Um homem grande da Cultura, da Educação e da Ciência incontornável em Portugal, uma pessoa deveras fascinante, reduzido num instante ao estilo do "espectáculo" e da mediocridade da nossa época.
Uma época a precisar sofregamente de SONHO, de UTOPIA, de ELEVAÇÃO, eis um lançamento de um livro, apresentado por pessoas que apesar de terem sido seus alunos, Marcelo Rebelo de Sousa e Nuno Crato nada contribuíram para a CONSTRUÇÃO do mundo de António Gedeão. 
Pior, Nuno Crato chegou ao poder e mais não tem feito que substituir o eduquês pelo cratês e acelerar a criação das Parcerias Público-Privadas da Educação. 
A festa ainda por cima numa catedral de consumo. Facto tão distante de um Senhor frugal, rigoroso e vertical e sonhador. Desfaço-me em lágrimas enquanto escrevo esta postagem, misto de indignação e impotência. Abundam referências de Gedeão no BioTerra
Que faz lá Manuel Freire? Outra vez? E submete-se a cantar para uma mesa que representa a doença da democracia em Portugal? 
 Encontrei no blogue Alfobre de Letras uma boa súmula sobre a vida e obra de Gedeão, que subscrevo inteiramente e passo a transcrever completamente. 
Estamos perante um poeta que olhou atentamente para a relação que se estabelece entre o indivíduo e a sociedade que o rodeia como espaço de intervenção. Veja-se a este propósito o poema intitulado “ Poema do Homem Só” (Sós,/ irremediavelmente sós,/como um astro perdido que arrefece./Todos passam por nós/ e ninguém nos conhece.) onde o poeta expressa a sua visão do Homem, como vemos, marcada pelo seu carácter anti-social, apresenta-o, em outros poemas, também como animal esquecido, mau, confuso, miserável e oportunista (Eu sou o homem. O Homem./Desço ao mar e subo ao céu./ Não há temores/ que me domem/ É tudo meu, tudo meu.) como no “Poema do homem-rã”.
O mundo, que inevitavelmente carrega este fardo chamado Homem, também não lhe oferece melhor visão como em “Esta é a Cidade” (Aperfeiçoo a focagem. / Olho imagem por imagem/ numa comoção crescente. / Enchem-se-me os olhos de água. / Tanto sonho! Tanta mágoa!/ Tanta coisa! Tanta gente!/ São automóveis, lambretas,/ motos, vespas, bicicletas,/ carros, carrinhos, carretas,/ e gente, sempre mais gente,/ gente, gente, gente, gente,/ num tumulto permanente/ que não cansa nem descansa, /um rio que no mar se lança/ em caudalosa corrente.// Tanto sonho! Tanta esperança!/ Tanta mágoa! Tanta gente!).
No entanto, face a esta realidade António Gedeão não renuncia. Há uma solução: o sonho. Esse mesmo sonho que tem força mítica como em “Pedra Filosofal” (Eles não sabem, nem sonham, / que o sonho comanda a vida. / Que sempre que um homem sonha/ o mundo pula e avança/ como bola colorida/ entre as mãos de uma criança.), volta-se para o mundo através da poesia que pode humanizar, transformar e harmonizar pelo amor e assume a voz daqueles que não têm voz numa perspectiva total onde todos nos revemos e onde o próprio poeta, num primeiro estádio, também se sente.
Surgem, assim, na sua poesia várias personagens como que acusando suas próprias narrativas – a cantora, a criança, a bailarina, a filha do alfaiate, a Luísa que sobe a calçada (como lhe sobem as dificuldades na vida), o Galileu (símbolo de coragem), a multidão, a vítima da guerra, o bêbado, os camponeses e tantos outros – porque todos têm alguma coisa a dizer e querem dizê-lo.
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