Hoje não coloco videos, nem fotografias,nem músicas, nem fundos de imagens a condizer...só o poema, seu poder, sua expressão, sua verdade.
Vou pela rua a semear presença,
Corpo atirado à fome das janelas,
Olhos das casas, ávidos, vazios...
A tarde é um ermo que não tem cancelas
De intimidade.
E no mesmo impudor doutros vadios
Entrego-me à volúpia da cidade.
Miguel Torga, 9 de Julho de 1953