"O ministro asseverou que "todos os professores são necessários para o sucesso dos nossos alunos". Todos menos uns larguíssimos milhares do quadro e contratados. Não quis reparar que, segundo os dados divulgados ontem pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional, o número de professores inscritos em Junho nos centros de emprego aumentou, só num ano, 151%, comparado com igual período de 2011.
(...) É sempre possível piorar. Nada disto se esperava do "opinion maker" Crato. Nunca foi tão angustiante, desmotivador e assustador o ambiente nas escolas. Basta falar com uma dúzia de docentes, que por lá penam, para entender o estado de alma de gente que acreditou numa vida profissional empenhada e gratificante, dedicada a aumentar os conhecimentos e as competências de crianças e jovens, ajudando-os a preparar um futuro.
O mal que se faz a estes professores reverte directamente para o mal que se faz ao país. E cá se fazem, cá se pagam. Mas as maiores vítimas serão os jovens a quem se prometeu e de quem se espera muito." in Ministério da Desorientação
O mundo podia ser assim..mais sentido e com sentido.
Por vezes os "ecologistas" são acusados de ignorarem a componente de envolvimento humano e capacitação intelectual das populações para salvar o ambiente. Será verdade ou não?
Leonardo Boff, um famoso eco-teólogo, pergunta-se se não estaremos perante a crise terminal do nosso modo de viver. Diz que foram encontradas 25 formas diferentes para destruir a espécie humana. Como a humanidade e a terra estão interligadas de forma indivisível, tudo é afectado pelas alterações climáticas. Estamos a chegar ao fim da matriz energética baseada em produtos fósseis – petróleo, gás e carvão – o que obriga a procurar fontes alternativas e limpas e, mesmo assim, serão insuficientes para sustentar o nosso tipo de civilização. A tragédia social não é menor. As três pessoas mais ricas do mundo possuem activos superiores a toda a riqueza dos 48 países mais pobres, onde vivem 600 milhões de pessoas; 257 pessoas sozinhas acumulam mais riqueza do que 3 biliões de pessoas, o que equivale a 45 por cento da humanidade. Resultado: 1, 2 biliões de pessoas passam fome e outros tantos vivem na miséria. Leonardo Boff, de quem recebo estes números, sem os ter ido verificar a outras fontes, acrescenta que, no Brasil, cerca de cinco mil famílias possuem 46 por cento da riqueza nacional.
Com estes números de pobreza e desigualdades sociais gritantes, como preservar a biodiversidade, como fazer entender a esperança da sustentabilidade, como fazer perceber que esta injustiça condena gerações inteiras, como fazer a despoluição mental. Quais os valores principais: a sobrevivência do património biológico não-humano e/ou apenas o património cultural? Individual, familiar ou social, colectivo? Que ideia de "progresso" queremos: crescimento económico, estático, trabalho, consumo apenas ou crescimento pelo conhecimento e partilha e fruição? Será TUDO ISTO realmente incompatíveis? E para resolver a equação os instrumentos político-económicos e soluções meramente tecnológicas estarão a ser genuinamente eficazes ou estão a acentuar as injustiças, a adiar problemas e a instalar novos problemas?
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