terça-feira, 5 de junho de 2012

A caminho da PPP da Educação em Portugal - David Justino vs. Vasco Graça

Estranha coincidência ou não ao comprar o Diário de Económico de hoje poderá adquirir também, por mais 2,40 euros, o ensaio "Difícil é educá-los", de David Justino, um dos 27 livros que completam a colecção de ensaios da fundação.
Numa loja qualquer do Pingo Doce pode encontrar estas obras, não sei se a preços competitivos, mas é da mesma família económica, pois obras da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), em 2009, por Alexandre Soares dos Santos, presidente da Jerónimo Martins, portanto Pingo Doce.

Contudo há um estudo que contradiz quase uma a uma todas as "orientações" descritas nesta obra de David Justino, inspirador do cratês, isto é, economês- chama-se "Sobre o financiamento da Educação: condicionantes globais e realidades nacionais". A ler e partilhar, portanto.

Dois dias antes, soube-se que Nuno Crato irá manter inalterada a verba destinada ao ensino privado. A diferença estará no modo de atribuição (Ler mais: Expresso). 

Como previa, este Nuno Crato vai aproveitar o "nosso" descanso - que merecíamos- para concluir o resto do economês...a luta tem que ser feita Já! Não temos hipóteses! 
Há um argumentário em favor do ensino privado que é este: a oferta educativa é pouca em certos meios, ditos "rurais". Não ignorar que para o ano, a paridade entre os docentes no privado e público vai ser ainda maior, com o concurso de docentes. Considero perverso e perigoso. Os cidadãos vão baixar os braços e assistir ao descalabro/colapso do Ensino Público?

A precariedade atingindo todos, faz aumentar a iniquidade social e o acesso à educação. 
Instalados em meios rurais, o que é que normalmente está a ser feito: despromovem-se e fecham-se escolas públicas (os "argumentos" variam). A muitos alunos e pais dessas regiões deslocam-nos para mega-agrupamentos e depois todos os cidadãos deste país andam a custear essas escolas de associação e todo este estrago.
Esta confusão vai permear e entranhar a preponderância do privado em detrimento da escola pública.
Se é privada e tem fincaniamento (ponto) devemos sempre questioná-las em termos democráticos, se os estatutos e programas são semelhantes ou próximos do Estado - senão vamos assistir ao crescimento retrógrado dos criacionistas, anti-aborto, homofobia, xenofobia como já acontece nos EUA) ou então crescemos como cidadãos e entendemos ser necessário CONTINUAMENTE uma ESCOLA PÚBLICA inclusiva e com disciplinas que promovam a cidadania e voluntariado e formação cívica e científica e política (senão corremos o risco de sub-contratação, professores portugueses desempregados enquanto vêm professores da "Lusofonia" substitur-nos, enfim...como se passa no UK), ou iremos assistir às tragédias suburbanas dos EUA, com jovens armados a dispararem contra inocentes, universidades a peso de ouro.
Bem e quanto ao redimensionamento da oferta educativa, em Portugal é uma FALSA questão, pois já devem ter viajado pelo país e nós temos uma geografia e geologia ingratas...Ao longo dos tempos a bonomia e financiamentos europeus trouxe uma guerra silenciosa em que durante algum tempo, aqui e acolá, as escolas privadas lá vão fazendo o lobby em seu favor e arrancado à força com a ideia dos rankings. Portugal, de facto, é um fracasso, estou mesmo a ver. 
Com a crise e a "austeridade", a força pelo privatização é ainda maior, pretendendo a Elite salvar a Educação e o país. 
Os professores e o "povo" devem SIM unir-se em defesa da escola Pública, pelo País e pelas gerações futuras.

1 comentário:

aNaTureza disse...

Concordo completamente.
È caso para desobediência civil.
Tudo anda a ser privatizado. Até a água que é um bem essencial e que pertence a todos. Dêem o seu contributo para que isto não aconteça. A população portuguesa (principalmente quem menos tem) agradece.

Petição "Privatização da água a referendo:

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N11644

Iniciativa legislativa de cidadãos contra a privatização da água:

http://www.aguadetodos.com/content/view/77/41/