As mudanças na EDUCAÇÂO BÁSICA
Por Ana Quelhas
Estamos a assistir de braços cruzados a profundas alterações na escola.O rumo traçado é poupar, poupar e poupar.
Sobrevalorizam-se alguns conhecimentos em detrimento de outros. Corta-se a direito, só interessa o Português e a Matemática o resto são flores… as artes nem flores são!
Para que servem? Dão dinheiro? Não! Portanto ficam em 3º ou 4º plano.
Ao longo dos anos tem-se assistido a uma progressiva desvalorização das Artes Visuais, com a diminuição da carga horária nos currículos escolares.
Agora dividiu-se a EVT em duas disciplinas: uma de Educação Visual outra de Educação Tecnológica. Até aqui, eu até concordo, alguém lá no passado resolveu casá-las mas muitos casamentos têm um fim a que se chama divórcio.
Tudo bem!
Voltou a situação anterior.Só que não voltou a situação anterior!
Como se sabe estas áreas são essencialmente práticas o que exige que o docente se desdobre para poder dar apoio directo e individualizado aos alunos.
Antes, a Educação Visual protestava porque um docente era insuficiente para dar o apoio necessário aos seus alunos. Eliminaram-se os canivetes, goivas, eliminaram-se os X-atos, os picos de picotagem, as tesouras de bicos e outros instrumentos que são eventualmente necessários para evitar agressões voluntárias ou involuntárias entre alunos. Abandonaram-se técnicas impossíveis de realizar em grandes grupos: serigrafia, pintura colectiva, xilogravura, azulejaria, pintura sobre vidro, etc.
A outra disciplina denominada Trabalhos Manuais funcionava relativamente bem, pois as aulas eram asseguradas por um par pedagógico, sendo possível aos nossos jovens fazer uma serie de experiências muito oportunas na sua formação.
Casaram-se as disciplinas manteve-se o programa de cada uma delas e reduziu-se o horário, mas manteve-se o esquema de par pedagógico. Esta situação teve algumas consequências, reduziram-se as áreas a explorar de acordo com o tempo disponível.
Agora o nosso ministro apresenta-nos um divórcio que consta de duas disciplinas, com novas metas que vão para além das anteriores e sem par pedagógico, em turmas de 25 a 30 alunos.
Estas áreas caminham a passos largos para a teorização e para exames finais!
E isso é mau?
Claro que é.
Se repararem há crianças que chegam aos 10 anos e não sabem descascar uma maçã!
Há motricidades que deixaram de ser desenvolvidas.
Há jovens que é na arte que encontram o seu sucesso educativo e onde promovem a sua auto-estima. Há crianças que chegam à escola carregando imensos problemas familiares, e é através das suas concretizações artísticas que elas exteriorizam o seu mundo interior, feito de alegrias e frustrações, promovendo a sua auto-estima e aprendendo a respeitar as experiências dos outros. Está mais que provado que a arte reduz a agressividade, que é uma almofada onde se esbate o confronto violento entre nós e a sociedade que nos rodeia. É através destas áreas que lentamente as crianças vão interiorizando o método de trabalho científico, útil em qualquer momento, sempre que o Homem tem que tomar decisões.
Quanto à Educação Tecnológica, proponho-vos um exercício simples:
Imaginem 30 alunos idades 10/13 anos numa sala de aula a trabalhar por exemplo as madeiras – serras, formões, limas, alicates, martelos e até o berbequim – com um único professor que tem que orientar o trabalho de cada um, manter a ordem e zelar pela a segurança de todos…
Se tivesse filhos na escola ficaria preocupada. Acho desnecessário fazer um desenho….
(sem acordo ortográfico, fora da escola nada me obriga a acordar)