quarta-feira, 2 de maio de 2012

O ver é pensamento e o pensamento é visão

Dead Can Dance- Rakim

Por todos os lados se nos oferecem as imagens do mundo sensível, que recebemos e não percebemos porque não utilizamos, num só movimento da alma, a atenção e a distracção. Não as observamos com dois olhos paralelos de felinos, movimento que, a ser possível, nos daria a plena atenção na perfeita distracção, se é verdade que o corpo também tem lugar no banquete do conhecimento. Focamos a coisa, fazendo convergir os dois olhos. Esquecemos tudo o mais, presos no fascínio das imagens que, sem cessar, nos estimulam e conduzem, determinando em nós imagens e sentimentos que a razão passiva ou sofredora tenta em vão unificar.

Se nos é dada, em raros instantes que perduram, a luz do intelecto activo (noús poiêtikos), o espírito, perante o prodigioso espectáculo do mundo sensível nocturno ou diurno, acende-se na fronte e o ver é pensamento e o pensamento é visão.
(António Telmo, Gramática Secreta da Língua Portuguesa)

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