Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Polinization - Uma comunidade polinizadora



Todos nós dependemos uns dos outros. We all depend each other


No dia da votação da vergonha do orçamento para 2012, apesar das empresas rating e miserabilização da condição humana do nosso País,resolvi trazer este vídeo, como bâlsamo e esperança e tentativa de mudar as nossas mentes (ricos e pobres, emigrantes e imigrantes, séniores e jovens) e sintonizarmos mais e ainda mais com a Natureza. Temos um mundo que vale a pena (sobre)viver e, em comum, defendermos a conservação do ambiente.

Video retirado do Ted Talk com o realizador de cinema naturalista  Louie Schwartzberg, extraídas por sua vez do filme "Wings of Life" que alerta para a extinção das abelhas melíferas.

Filme da Semana - Technotise: Edit i Ja (Tecnotizar: Edit e eu)



A história de Technotise passa-se em Belgrado, no ano de 2074, e mostra uma estudante de arte que está prestes a reprovar na faculdade. Ela então decide fazer um implante de um chip que a ajudaria nos estudos, mas acaba recebendo mais do que esperava.
Apesar de algum calão, esta animação sérvia mostra modelos prováveis da nossa civilização num futuro bem próximo. Contudo, ensino, tecnologia e valores são discutidos mas transformam-se constantemente, isto é: direitos autorais, partilha, privado/público, por muitos futurismos e credos "inovadores" que a humanidade impima no dia a dia, todos fazemos sempre uma representação moral do mundo onde vivemos. Cabe à filosofia, psicologia, medicina (biologia) e linguagem a difícil tarefa em "reinterpretar" e equilibrar a mente de todas as imagens do real para sermos inteiros, transparentes e genuínos na busca da verdade.

Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Ted Talk (imprescindível!)- Como a desigualdade económica prejudica as sociedades, por Richard Wilkilson

Vejam o vídeo/ a conferência, aconselho-a vivamente

Um grande contributo para percebermos como é a redistribuição da riqueza, mais concretamente a desigualdade nessa distribuição, que é a causa dos males que atravessamos e de como não é empobrecendo para que os bancos e a finança continue a amealhar a fatia de leão da riqueza produzida, que algum dia vamos melhorar.

Vejam o quanto somos pobres (somos os europeus mais parecidos com os asiáticos) e quão grande é a diferença, em Portugal, entre os ricos e pobres, e as consequências que isso tem na nossa vida e no nosso país.

Uma vergonha que a política do séc. XXI esconde e quer agravar com cortes de pensões e salários (subsídios de férias e Natal e trabalho não pago), fazendo o povo acreditar que professores, enfermeiros e a classe média em geral ganhamos bastante e é esta corrupção e fosso salarial não só é a causa, como a solução da dívida. Além disso a Europa precisa de uma nova força, pois estas medidas cada vez sabemos que irá agravar mais o fosso intergeracional, mais destruição das poucas areas selvagens que nos resta e mais desertificação e menos esperança de vida em Portugal. Nós não cumpriremos sozinhos o assalto generalizado aos bens comuns perpetrados pelas agências de rating e donos dos paraísos fiscais. Precisamos ansiosamente por uma União Europeia mais proactiva.

Os Mundos Invisíveis ao Olho Humano- agora completo no youtube (em partes)


A partir da excelente série "The Invisible Worlds to the Human Eye" da BBC.

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

Sobre os séniores em Portugal - divulgação de estudo exaustivo e a urgência de pontes intergeracionais

Ler aqui o documentoEstudo das Necessidades dos Séniores em Portugal

O facebook traz pessoas espantosas e dá a conhecer/partilhar documentos importantíssimos como este que encontrei a partir de uma docente universitária em Lisboa, Rosa Silvestre (Argentina). O facebook não é apenas um mero espaço lúdico, para jogos ou com interesses promocionais e angariar mais clientes.
Por isso e pela relevância de sentimentos e emoções que foram os Dias da ESAG e porque a escola, a sociedade portuguesa é cada vez mais exigente, urge a meu ver a criação de pontes intergeracionais. Enquanto docente, pai e porque não tive avós, procurei sempre nos mais velhos sinais e modelos da pessoa que sou hoje.
E é sobretudo esta mensagem que desejo passar e simultaneamente dar a conhecer este documento, quiçá útil para muitas famílias e acções de formação futuras.
Partilho ainda o texto que me chegou às mãos da Minha Amiga Rosa da Argentina, desejando que tanto o texto como o estudo (mais de 300 páginas) crie raízes mais profundas, mais solidárias e mais rigor no debate urgente do envelhecimento da nossa população e amor/paixão por estudar e aprender mais e mais, numa sociedade em crise.

E-livro da semana: Este mundo da injustiça globalizada -José Saramago

[...] é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial, sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias... e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo."

José Saramago em "Este mundo da injustiça globalizada", texto lido na cerimónia de encerramento do Fórum Social Mundial 2002.


Este mundo da injustiça globalizada - Jose Saramago

Domingo, 27 de Novembro de 2011

PEIXE DE PAPEL – canções da biodiversidade



Apresentação do livro+cd com oito canções originais da autoria dos alunos do 5º D  (2010-2011) e do professor de Educação Musical e Área de Projeto, Isaías Ramos.
Este trabalho é fruto do tema “Charcos com vida” desenvolvido nas aulas de Área de Projeto, no âmbito da Campanha Nacional de Conservação de Anfíbios e do Ano Internacional da Biodiversidade.
Depois de estudarem a vida nos charcos, os alunos recriaram essa biodiversidade com desenhos, poemas e músicas. Da compilação e arranjo dos trabalhos realizados sob a orientação da professora de EVT e Área de Projeto Inês Vilar, surgiu um livro com toda a informação científica e artística a que chamaram O povo charquês, destinado à Biblioteca da Escola.
Desse primeiro livro foi extraído um segundo, contendo apenas a componente artística intitulado Peixe de Papel  que agora aqui se apresenta.
Parabéns à equipa e à escola EB 2,3 de Beiriz. Beijinhos especiais à minha amiga Manuela Ramos, de onde copiei esta mensagem daqui


Música do BioTerra: Xmal Deutschland- "I´ll be Near You" e a seguir "Polarlicht"




"I'll Be Near You "

Now you've gone away and I am left behind
I won't ask you to take me along
But when you turn this crystal in your hand
You call me
Wherever you stay - I'll be around
I'll watch every move you make night and day
I'll be there - whatever you do
Just call me

I will be near you - wherever you are
I will be near you
I'll walk beside you - wherever you go
I will be near you

When you close your eyes
And try to touch my mind
I'll be the vision and voice that you hear
I'll be a part of all the things you see
Just call me
Wherever you stay - whatever you do
I'll be the spirit of all the steps you take
Just hold this crystal in your hand
And call me

"Polarlicht"

Polarlicht Polarlicht Polarlicht
Scheine scheine...

Polarlicht...
Von Alaska bis Kiruna
Von Alaska bis Kiruna
Scheine scheine...

Polarlicht...
Sturm zwischen den Sternen
Fackeln am Horizont !
Brenne brenne...
Aura am Nachthimmel

Polarlicht...
(Tänzer am firmament)
Scheine scheine...

Sábado, 26 de Novembro de 2011

No Ano Internacional da Floresta- Uma pequena biografia de John Seed - Wild Earth, Wild Mind, Wild Heart


Soberba lição de maturidade intelectual, cívica e ecocentrica. Muito grato por este vídeo.Biografia de John Seed aqui

Fotografia e fotógrafo da semana- Joel Sartore e o lince norte-americano- bobcat (Lynx rufus) - nossos povos migradores

O grande muro que separa o México dos EUA, visto num filme com Jennifer Lopez, como protagonista, não é apenas a vergonha dos direitos humanos..há também um lince (norte-americano) afectado por esse muro. Joel Sartore mostra um mundo em que vale a pena conservá-lo!

Ainda sobre o Projecto deste fotógrafo RARE, fiquei indignado sabendo que por dia, desaparecem 100 espécies (e note-se que o projecto é de 2010!) teci algumas reflexões que resolvi partilhar com os meus leitores.
Se questionarmos as pessoas que ISTO tem que mudar, elas dirão que sim, claro…Mas se perguntarmos a elas o que são os Direitos Ambientais, a Carta da Terra, o que é a Agenda 21, o que é a Carta de Atenas, o que é a Convenção de Ramsar, a Diretiva dos Habitats, a Economia Verde,ou perguntas como Sabe o que é madeira certificada? Peixe certificado? Já ouviu falar de transgénicos? etc etc,muitas desconhecerão o que isso é; para que serve e como é que isso resolve a vida delas.
E depois perguntamos: está disposta a ter uma só casa por família? Um só carro? Está disposta a recuperar a sua roupa? Beber água da torneira? Está disposta a caminhar 1km ou pelo menos 500 m até chegar à praia? A crise é profunda, mas é sobretudo uma crise ideológica.
Vivemos em democracias que uns apelidam de democracias do “consumo” e por inerência personalizou-se demasiado e caímos numa democracia de egos,de forte individualismo.
Há um “modernismo” crescente, em que a Natureza é um bem transacionavel e sob o domínio do Homem.Pior ainda, que a uma problema que o Homem provocou, não assume culpas e muda de rumo…não, insiste e arranja ou contorna o “pus” com outras tecnologias, quiçá com mais riscos. Depois somos incapazes de um equilíbrio populacional, à luz da globalização. Temos nações com um elevado crescimento populacional e por outro o envelhecimento de algumas populações.
Não é apenas a “realidade” da democracia do consumo. Podemos confiar no consumo sim, mas ecoconsciente, sem totalitarismos nem impostos, sem máfias. Mas sem que a ecologia seja leit-motiv de eleitoralismo ou caça-clientes dos bancos, mas sim de cada um.
Somos natureza também. Faça a sua parte.

Clan of Xymox - A Stranger



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Canibalismo capitalista

Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Rare - animais em extinção

...pelo menos 100 espécies são extintas a cada dia que passa




Via: Encontros em Rede

Lynn Margulis, autoridade mundial em biologia evolutiva, morre aos 73 anos



[Fonte: Terra Ciência] A cientista americana Lynn Margulis, conhecida por seus trabalhos sobre a origem e evolução das células, e considerada uma autoridade em biologia evolutiva, morreu aos 73 anos em sua casa em Amherst (Massachusetts, Estados Unidos). Margulis, segundo um comunicado divulgado nesta quarta-feira pela Universidade de Massachusetts, onde deu aulas, morreu em sua casa na terça-feira em consequência de um acidente vascular cerebral que sofreu recentemente.
A cientista ficou conhecida por sua teoria da simbiogênese, que desafia as teorias neodarwinistas com o argumento que as variações herdadas não se devem a mutações ao acaso, mas à interação entre os organismos em longo prazo. Segundo Margulis, a origem das primeiras células com núcleo se deu a partir da fusão de bactérias primitivas há bilhões de anos, com o que essas bactérias seriam um fator a levar em conta na origem da vida.
Margulis, doutora honoris causa pela Universidade Autônoma de Madri e agraciada com a Medalha Nacional de Ciência dos EUA em 1999, foi também uma das impulsoras, ao lado do britânico James Lovelock, da Teoria de Gaia. Segundo a hipótese colocada nesta teoria, o meio ambiente mudou devido ao comportamento dos seres vivos que o habitam e à sua interação com o entorno, enquanto outras teorias falam de adaptação dos organismos a um ambiente determinado.
Nascida em Chicago em 1938, entrou na Universidade de Chicago quando tinha 14 anos. Formada em Zoologia e Genética pela Universidade de Wisconsin, também era doutora em Genética pela Universidade da Califórnia e co-diretora do departamento de Biologia Planetária da Nasa (agência espacial americana).
Sua obra ofereceu uma visão nova da microbiologia e ajudou a posicionar a figura da espécie humana em harmonia com o resto da natureza, inclusive de microorganismos. Era membro da Academia de Ciências dos EUA desde 1983, da Academia Russa de Ciências Naturais desde 1997 e da Academia Americana de Artes e Ciências desde 1998, além da Sociedade Internacional para o Estudo da Origem da Vida e a Sociedade Catalã de Biologia.
Lynn Margulis publicou numerosos artigos e livros. Seu texto "Simbiose na evolução da célula" (1981) é considerado um clássico da Biologia do século 20.
Margulis foi casada com o astrônomo Carl Sagan, um divulgador da ciência que ganhou fama mundial com seu programa de televisão "Cosmos", falecido em 1996, e era mãe do poeta Dorion Sagan, que colaborou com ela em diversas publicações.

O canibalismo capitalista continua: cartoon da semana com video


Alessio Rastani explica que sonha com uma nova recessão e afirma: "os governos não mandam no mundo, o Goldman Sachs manda no mundo" [fonte:Dinheiro Vivo, 28/09/11]


Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

Depois do ar fresco da camisa sem gravata, outro insólito desta equipa ministerial do Ambiente: recusaram-se a votar uma proposta de beber água da torneira

Deputados, comprem a água mineral com o vosso dinheiro

Por Ricardo Garcia, Público16.11.2011 
Zé Povinho cravejado de impostos (Bordalo Pinheiro)
Uma dose de irracionalidade não é mal-vinda na actividade política. Ao pensamento linear podem, por vezes, escapar as ideias “fora da caixa”, como está na moda dizer. Não é possível, porém, enquadrar nessa interpretação a recusa da maioria dos deputados da comissão parlamentar do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local em aprovar uma proposta para que nas suas reuniões seja servida água da torneira.

Por ora, até que seja feita uma avaliação do impacto financeiro e ambiental da medida, a água naqueles encontros permanecerá engarrafada.

A decisão é de um nonsense desnorteante. Os deputados não se convenceram com as seguintes contas apresentadas pelo PS, o partido autor da proposta rejeitada: entre Janeiro e Novembro de 2010, consumiram-se, no Parlamento, 35 mil litros de água mineral e foram para o lixo 45 mil garrafas de 330 ml, duas mil garrafas de litro e meio e 78 mil copinhos de plástico. Aparentemente, não basta: ainda querem um estudo para atestar o benefício ambiental de substituir este festim polímero por jarros de água e copos de vidro.

Em termos monetários, a Assembleia da República gastou 8000 euros com a água engarrafada, quando a da torneira sairia por 56 euros. Não chega: é preciso fazer mais contas. Se aceitarem uma modesta contribuição, de modo a poupar tempo e neurónios, aqui vai: a EPAL cobra ao Estado 1,4 euros por cada mil litros de água. Por este preço, compram-se apenas seis garrafas de litro e meio no supermercado. É difícil vislumbrar que argumentos mais, além de ornamentos retóricos, se encontrarão para encher as páginas do tal estudo financeiro.

Custa a crer que os deputados não tenham percebido que a sua decisão é um atestado de falência completa do sistema de abastecimento de água. Ou seja, depois de décadas de investimento e de sucessivos relatórios a corroborar a boa qualidade da água da torneira praticamente em todo o país, a Assembleia de República sugere aos cidadãos que, se calhar, é mais barato e mais sustentável comprar água engarrafada.

Surpreende que a própria polémica, em si, exista. Optar por água da torneira deveria ser um acto administrativo, de bom senso na gestão, sem necessidade de estudos, propostas e respectivas aprovações. Surpreende, ainda, que tudo se passe na comissão parlamentar de Ambiente, que assim revela que alguns dos seus membros, munidos das suas garrafas de água mineral, fariam melhor se estivessem sentados noutras salas de reunião. Mas, por favor, comprem a água com o vosso dinheiro.

Chineses despem-se pela libertação de Ai Weiwei


P
rimeiro foram as notas dobradas em aviões de papel a atravessarem os muros de casa do artista dissidente Ai Weiwei, para o ajudar a pagar uma multa a que fora condenado. Agora, internautas chineses estão a manifestar a sua solidariedade com Ai através de uma forma de protesto mais improvável: despindo-se.

Ontem, de acordo com a Reuters, 70 pessoas tinham já colocado fotos em que aparecem nuas no site “Nudez dos fãs de Ai Wei – Ouve, Governo chinês: A nudez não é pornografia”. É uma forma de protesto invulgar, sobretudo num país onde a nudez em público é um tabu.
Entre os que se fotografaram despidos estão vários artistas chineses contemporâneos, adiantou o jornal britânito “The Guardian”.  As fotos foram colocadas depois de a polícia ter interrogado, na quinta-feira, um videógrafo, Zhao Zhao, por alegadamente ter difundido pornografia online ao tirar uma fotografia de Ai nu, juntamente com quatro mulheres.
Os apoiantes de Ai, cuja detenção de 81 dias este ano provocou uma onda de indignação internacional, afirmam que o interrogatório à volta da fotografia de Ai é mais uma tentativa da China de intimidar o seu mais famoso crítico social.
Zhao afirmou que foi interrogado durante cerca de quatro horas sobre os motivos por trás das imagens: “Eles disseram-me: ‘Não sabes que as fotografias que tiraste são obscenas?’”, contou à Reuters por telefone. “Eu respondi: ‘Não sabia disso’ e disse ‘como podem ser consideradas obscenas?’ Eles disseram que as tinham classificado como tal”. “Disseram-lhe claramente que se tratava de investigação que agora estavam a fazer sobre mim, por pornografia”, disse então Ai Weiwei à AFP.
O artista chinês pagou recentemente 8,45 milhões de yuans de um total de 15 milhões de uma multa por alegada evasão fiscal. A quantia foi recolhida numa acção de angariação de fundos, para a qual contribuíram muitos chineses. Os apoiantes de Ai afirmam tratar-se de perseguição política.
Fonte:  | 23 Nov 2011

Lutar um Dia, por Bertold Brecht - há alternativas para a retoma económica antes de 2015 sem austeridade




Sempre! Há alternativas a este capitalismo e à troika: eco-cidades; eco-habitações, eficiência energética, agricultura biológica, autonomias (agenda 21)... 
A crise não é tecnológica. A crise é ideológica.
Passa também por exigir fim aos paraísos fiscais.Quem governa a Alemanha,a China e o mundo são os mercados financeiros baseados em paraísos fiscais.

Mais alternativas aos cortes de subsídios (a curto prazo):


Propostas na área fiscal
Imposto sobre o Património de Luxo – 1000 milhões

Cria um imposto extraordinário sobre o património de luxo. Este imposto é progressivo, com uma taxa de 0,6% para fortunas superiores a 1 milhão de euros e uma taxa de 1% para fortunas superiores a 3 milhões de euros.

Taxa sobre Mais Valias Urbanísticas – 1000 milhões
Para limitar a corrupção através da apropriação, por parte de especuladores e intermediários, as mais-valias urbanísticas geradas por atos administrativos da competência da Administração Pública e da execução de obras públicas que resultem de investimento público, as mais valias devem ser cativadas para o património público.

Taxa Tobin sobre as Transações Financeiras – 250 milhões
Pequena taxa sobre as transações financeiras que visa introduzir uma maior justiça fiscal e um combate à especulação.

Englobamento de Rendimentos em IRS – 200 milhões
Taxa Efetiva de 25% de IRC para o Sector Bancário – 400 Milhões.

Em nome da igualdade fiscal, colocar a banca a pagar a mesma taxa de IRC que as restantes empresas.

Tributação Extraordinária de Prémios, Indemnizações e Paraquedas Dourados a Gestores, em 75% – 25 milhões.
Portugal é o país da União Europeia com a maior disparidade salarial. Em nome da equidade fiscal e de uma mais correta distribuição dos rendimentos, introduz-se uma taxa extraordinária de 75% sobre as benesses que os gestores recebem.

Limitação dos Salários dos Gestores Públicos.
Colocação do limite de salário (parte fixa e variável) de todos os gestores públicos ao tecto máximo do salário do Primeiro-Ministro

Propostas para a Economia

Revisão Parcerias Público Privadas – poupança de 350 Milhões
Revisão dos contratos de parcerias público privadas para alcançar uma poupança de 30% dos gastos previstos para 2012

Introdução de um Regime de Controlo de Preços dos Combustíveis
Redução do custo do combustível através da introdução de um regime que coloca preços máximos para a venda de combustível. Num momento em que assistimos a um escalar dos preços para os patamares de 2008, esta é uma importante medida de apoio à economia.

Eliminação do Aumento do IVA para a Restauração
Proteção do nosso tecido económico e do emprego de milhares de trabalhadores num dos principais sectores exportadores.

Propostas Sociais

Distribuição de pequeno-almoço escolar - custo 80 milhões
Distribuição de um pequeno-almoço a todas as crianças para responder ao aumento de casos em que, devido à crise, as crianças chegam à escola sem qualquer refeição.
Suspensão das dívidas injustas dos falsos recibos verdes à Segurança Social, cruzamento de dados das finanças e da Segurança Social para verificar quem é falso recibo verde
Fixação de um Regime de Preços Máximos para os Medicamentos Hospitalares – poupança de 90 milhões de euros.
Reprodução de regras que hoje são aplicadas aos medicamentos distribuídos em ambulatório, para as farmácias hospitalares, resultando numa redução do preço dos medicamentos em 10% e um poupança de 90 milhões de euros.

Fontes: aqui; aqui; aqui e aqui

O Mega- Projecto Pan-Europeu U4Energy (sobre poupança e eficiência energética)

U4energy (www.U4energy.eu) é um desafio pan-europeu às escolas que procura envolver alunos e professores na realização dos ambiciosos objectivos da Europa em matéria de alterações climáticas. U4energy é uma iniciativa da Comissão Europeia, financiada através do programa Energia Inteligente Europa.

Enquanto aguardamos por uma próxima edição do concurso, o sítio reserva um espaço cheio de bons recursos educativos gratuitos, muitos em língua estrangeira, mas de fácil compreensão.

Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Faço Greve - um pouco de história das greves em Portugal e Mundo



Faço greve, por convicção, por coerência com o que penso e porque hoje faço o futuro e o futuro que eu quero é um mundo sempre livre. A nossa dignidade não é comprada, nem tem preço!

A Greve  (por José Soeiro)
Aconteceu numa quinta-feira de 1890. Eram cerca de 8 mil operários nas ruas de Lisboa. Decidiram rumar ao cemitério dos Prazeres e prestar homenagem a José Fontana, fundador da Fraternidade Operária e um dos primeiros socialistas em Portugal. Ali mesmo, vários tomaram a palavra para defender uma coisa simples: uma jornada máxima de 8 horas de trabalho por dia.

No ano anterior, em Paris, um congresso de trabalhadores reunia-se para apelar a que naquela quinta-feira de 1890 as ruas e praças fossem ocupadas não só em Lisboa mas em todo o mundo para lembrar os mártires de Chicago.

Quatro anos antes, em Chicago, foi em nome dessas mesmas 8 horas que meio milhão de trabalhadores fizeram greve e marcharam pela cidade. A polícia reprimiu a manifestação, matou dezenas de operários e julgou os responsáveis. Georg Engel, Adolf Fischer, Albert Parsons e Auguste Spies foram enforcados. Em cada primeiro de maio, o mundo recorda-os.

Nessa altura, em Portugal como pelo mundo, o contrato de trabalho quase não existia. Nem férias, nem protecção na doença, nem segurança social, nem educação pública. Os trabalhadores começavam a juntar-se em associações de socorros mútuos. Os sindicatos eram coligações operárias ilegais. A greve era proibida.

Mesmo proibidos, os trabalhadores paravam. Havia o medo e a incerteza do resultado. Mas arriscavam. Foi assim em 1842, na Inglaterra e em Gales. Foi assim em Portugal, em 1849. Em Chicago, em 1886. E não mais parou. Foram greves que trouxeram saúde e educação, impostos para os mais ricos e até o sufrágio universal. Os trabalhadores não faziam greve porque tinham contrato e direitos. Tiveram contrato e direitos porque fizeram greve.

Estamos em 2011 e Portugal mudou muito. E esqueceu muito.

Há 900 mil trabalhadores que não têm contrato de trabalho: passam recibos verdes e na lei não se prevê que façam greve. Mais de 600 mil não encontram trabalho. Dois milhões são precários. Muitos, se querem juntar-se, têm de fazê-lo clandestinamente.

Se em 1891 o governo monárquico fixava as 8 horas para alguns sectores, 120 anos depois o governo já decidiu que quer acabar com isso e pretende aumentar meia hora por dia o horário de trabalho. Os patrões agradecem e calculam o lucro que lhes vai dar o dia mensal de trabalho gratuito.

Na Grécia como em Portugal, se hoje o capitalismo tolera o sufrágio, ele dispensa a democracia. Se não propõe a escravatura, exerce-a de novas formas. Se não proíbe a greve, expulsa os trabalhadores do contrato. E a ditadura da dívida dita a impossibilidade das escolhas.

Vai acontecer no dia 24 de Novembro. Há quem diga que não vale a pena, porque se perde o dia de salário ou se arrisca o contrato. Ou porque se não o temos, ela não é para nós. Mas nunca fizemos greve por termos contrato e direitos. Teremos contrato e direitos se fizermos greve.

Preços da energia em Portugal – combustíveis, electricidade e gás – são muito superiores aos da UE27 , estudo por Eugénio Rosa

PREÇO DA ENERGIA EM PORTUGAL É MUITO SUPERIOR À MEDIA DA UE27: Combustíveis em média, +5% (gasolina) e +7% (gasóleo); electricidade:+13,6%; gás: entre+ 21% e +38%

Preço-energia-Portugal-muito superior-UE27

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

150 cientistas sociais em defesa do Estado Social e apoio à greve geral

‎"Quem dorme na democracia, acorda dentro de uma tirania." - Johann Wolfgang Goethe




EM DEFESA DA DIGNIDADE, DO TRABALHO E DO ESTADO SOCIAL, APOIAMOS A GREVE GERAL


O último ano tem sido marcado por uma catadupa de decisões políticas atentatórias das condições de vida dos cidadãos e dos serviços e apoios sociais arduamente conquistados ao longo da história, criando uma situação que é tão mais gravosa quanto ocorre num quadro de progressivo desemprego e recessão económica.

É o caso dos cortes unilaterais nos salários dos trabalhadores do Estado, da apropriação fiscal de grande parte do subsídio de Natal dos trabalhadores e pensionistas, do corte dos subsídios de Natal e de férias dos trabalhadores do sector público e dos pensionistas que, tal como o aumento do horário laboral no sector privado, estão previstos para o próximo ano, da substancial diminuição do financiamento ao Serviço Nacional de Saúde e à educação pública, ou da restrição do acesso ao subsídio de desemprego e a outras prestações sociais.

No entanto, estas opções políticas não se limitam a agravar as condições de vida dos trabalhadores, pensionistas e suas famílias, fazendo até perigar a própria subsistência de muitos deles em condições minimamente dignas.

Essas decisões são tomadas em nome do reequilíbrio das contas públicas e da necessidade de servir a dívida. No entanto, devido à recessão que já provocam e irão aprofundar, não permitirão sequer atingir esses objectivos. Dessa forma, ao sofrimento imposto a milhões de pessoas e à injustiça na repartição dos custos, vem somar-se a consciência da inutilidade de tais sacrifícios.

Mais ainda, as medidas tomadas no âmbito das políticas de “ajustamento” constituem uma brutal subversão do contrato social que permitiu à Europa libertar-se, após a II Guerra Mundial, da endémica incerteza e insegurança de vida dos seus cidadãos e, com base nisso, assegurar vivências mais dignas, uma maior equidade e níveis de paz social e segurança colectiva sem paralelo na sua história.

Ao subverterem a credibilidade e a segurança jurídica da contratação laboral e sua negociação, ao esvaziarem e restringirem os elementos de Estado Social implementados no país (pondo com isso em causa o acesso dos cidadãos à saúde, à educação e a um grau razoável e expectável de segurança no emprego, na doença, no desemprego e na velhice), essas opções políticas, apresentadas como se de inevitabilidades se tratasse, reforçam as desigualdades e injustiças sociais, abandonam os cidadãos mais directamente atingidos pela crise, e criam as condições para que a dignidade humana, os direitos de cidadania e a segurança colectiva sejam ameaçados pela generalização da incerteza, do desespero e da ausência de alternativas.

Por essas razões, os cientistas sociais signatários reafirmam que os princípios e garantias do Estado Social e da negociação consequente dos termos de trabalho não são luxos apenas viáveis em conjunturas de crescimento económico, mas sim condições básicas da dignidade e da existência colectiva, que se torna ainda mais imprescindível salvaguardar em tempos de crise. São, para além disso, elementos essenciais de qualquer estratégia credível para ultrapassar a crise e relançar o crescimento económico.

Num quadro de fortes limitações orçamentais, esse imperativo societal requer a reversão das crescentes assimetrias na distribuição de riqueza entre capital e trabalho, designadamente através da utilização de uma substancial e mais equitativa tributação dos lucros e mais-valias como fonte do reforço de financiamento dos serviços e prestações sociais.

Sendo as opções governativas em curso (e em particular a proposta de OGE 2012) contrárias a estas necessidades e atentatórias da dignidade humana e da segurança colectiva, os cientistas sociais signatários apoiam a Greve Geral convocada pela CGTP-IN e a UGT para o próximo dia 24 de Novembro, apelando aos seus concidadãos para que a ela adiram.

Tratando-se embora de uma acção a nível nacional, os signatários saúdam também esta Greve Geral como um momento do combate europeu contra as políticas de austeridade e de regressão social, a favor de mudanças na política europeia que coloquem no centro os cidadãos, o crescimento económico, o desenvolvimento e a defesa da Europa Social e da democracia.

Os cientistas sociais:
Alan Stoleroff (ISCTE-IUL), Alexandre Abreu (CEG-UL), Amanda Guapo (IELT-UNL), Ambra Formenti (ICS-UL), Ana Benard da Costa (ISCTE-IUL), Ana Benavente (ULHT), Ana Cordeiro Santos (CES-UC), Ana Costa (ISCTE-IUL), Ana Cristina Ferreira (ISCTE-IUL), Ana Cristina Santos (CES-UC), Ana Delicado (ICS-UL), Ana Horta (ICS-UL), Ana Margarida Esteves (Tulane Un.), Ana Paula Guimarães (FCSH-UNL), Anne Cova (ICS-UL), António Brandão Moniz (FCT-UNL), António Carlos Santos (UAL), António Galamba (antr.), António Monteiro Cardoso (CEHCP-IUL), Britta Baumgarten (CIES-IUL), Carlos Augusto Ribeiro (FCSH-UNL), Carlos Pedro (antr.), Carlos Rodrigues (UA), Catarina Casanova (ISCSP-UTL), Cícero Pereira (ICS-UL), Clara Saraiva (FCSH-UNL), Cristina Santinho (CRIA), Dulce Simões (INET-UNL), Elisabete Figueiredo (UA), Elísio Estanque (CES-UC), Elsa Peralta (ICS-UL), Emília Margarida Marques (CRIA), Francisca Alves-Cardoso (FCSH-UNL), Frédéric Vidal (CRIA), Giovanni Alves (CES-UC), Gonçalo Santinha (UA), Graça Videira Lopes (FCSH-UNL), Guilherme Fonseca-Statter (CEA-IUL), Guya Accornero (CIES-IUL), Helena Lopes (ISCTE-IUL), Henrique Sousa (FCSH-UNL), Hermes Costa (CES-UC), Hugo Dias (CES-UC), Inês Godinho (antr.), Inês Sachetti (UCLA), Irene Flunser Pimentel (hist.), Isabel Cardigos (FCSH-UA), João Areosa (soc.), João Edral (IELT-UNL), João Estevão (ISEG-UTL), João Ferrão (ICS-UL), João Leal (FCSH-UNL), João Luís Lisboa (FCSH-UNL), João Paulo Dias (CES-UC), João Pedroso (FE-UC), João Pina Cabral (ICS-UL), João Rodrigues (CES-UC), João Seixas (ICS-UL), João Teixeira Lopes (FL-UP), João Vasconcelos (ICS-UL), Jorge Carvalho (UA), Jorge Malheiros (IGOT-UL), José António Fernandes Dias (FBA - UL), José Carlos Mota (UA), José Castro Caldas (CES-UC), José Gabriel Pereira Bastos (CRIA), José Manuel Cordeiro (ICS-UM), José Manuel Pureza (CES-UC), José Manuel Rolo (ICS-UL), José Manuel Sobral (ICS-UL), José Mapril (CRIA), José Neves (FCSH-UNL), Lourenzo Bordonaro (CRIA), Luís Silva (CRIA), Luís de Sousa (ICS-UL), Luís Souta (ESSE-IPS), Luísa Lima (ISCTE-IUL), Luísa Oliveira (ISCTE-IUL), Luísa Schmidt (ICS-UL), Luísa Tiago de Oliveira (ISCTE-IUL), Manuel Carlos Silva (ICS-UM), Manuel Couret Branco (UE), Manuel Loff (hist.), Manuela Ivone Cunha (UM), Margarida Paredes (CRIA), Margarida Pereira (FCSH-UNL), Margarida Perestrelo (ISCTE-IUL), Maria Cardeira da Silva (FCSH-UNL), Maria Clara Murteira (FE-UC), Maria Eduarda Gonçalves (ISCTE-IUL), Maria Fátima Ferreiro (ISCTE-IUL), Maria Inácia Rezola (IHC-UNL), Maria Inês Amaro (FCH-UCP), Maria João Freitas (LNEC), Maria José Casa-Nova (UM), Maria Luís Pinto (UA), Maria da Paz Campos Lima (ISCTE-IUL), Mário Vale (IGOT-UL), Marlene Rodrigues (CPES-ULHT), Marta Prista (FCSH-UNL), Marzia Grassi (ICS-UL), Mauro Serapioni (CES-UC), Michel Binet (CL-UNL), Micol Brazzabeni (CRIA), Miguel Cardina (CES-UC), Miguel Vale de Almeida (ISCTE-IUL), Mónica Truningen (ICS-UL), Nuno Domingos (ICS-UL), Nuno Martins (UCP), Oriana Alves (IELT-UNL), Patrícia Alves Matos (CRIA), Paulo Castro (ISCTE-IUL), Paula Godinho (FCSH-UNL), Paulo Alves (ISCTE-IUL), Paulo Castro Seixas (ISCSP-UTL), Paulo Granjo (ICS-UL), Paulo Mendes (UTAD), Paulo Peixoto (FE-UC), Paulo Raposo (ISCTE-IUL), Pedro Aires Oliveira (FCSH-UNL), Pedro Hespanha (CES-UC), Raquel Rego (ISEG-UTL), Raúl Lopes (ISCTE-IUL), Renato Carmo (ISCTE-IUL), Ricardo Sequeiros Coelho (CES-UC), Ricardo Paes Mamede, Rita Poloni (ICS-UL), Rosa Maria Perez (ISCTE-IUL), Rui Bebiano (CES-UC), Rui Tavares (hist.), Ruy Blanes (ICS-UL), Sanda Samitca (ICS-UL), Sara Falcão Casaca (ISEG-UTL), Sílvia Portugal (CES-UC), Sofia Aboim (ICS-UL), Sofia Sampaio (CRIA), Sónia Bernardes (ISCTE-IUL), Sónia Ferreira (FCSH-UNL), Sónia Vespeira Almeida (CRIA), Susana Boletas (ICS-UL), Susana Durão (ICS-UL), Teresa Albino (IICT), Teresa Carvalho (UA), Teresa Santos (ICS-UL), Tiago Correia (CIES-IUL), Tiago Saraiva (ICS-UL), Vera Borges (ICS-UL), Virgílio Amaral (CES-UC), Vitor Ferreira (ICS-UL), Vitor Neves (FE-UC)

Via Paulo Granjo, Antropocoiso.

A Obesidade Mental - Andrew Oitke (?) - Aviso à Navegação

Não existe o tal Andrew Oitke nem a obra Mental Obesity. O artigo é de facto de João César das Neves, efabulação por ele criada e publicada no DN em 22.03.04
Portanto averiguem sempre as fontes.
O prof.  Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity»,que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.
«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.». Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que  de hidratos de carbono.
As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.
Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e  comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»
O problema central está na família e na escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate.Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigamdepois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:
«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.». O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante. «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»
Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.
«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades. Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandela é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto».
As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.  «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo.
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos.O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.

Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

Relatório da Global Humanitarian Forum- Kofi Anan- 2009 : "Alterações Climáticas - A Anatomia de uma Crise Silenciosa"

Os números da morte pelo capitalismo - só em 2008, 40 milhões de pessoas (!!) tinham fome (e muito provavelmente morreram) devido ao aumento do preço dos alimentos (pág. 24).Perdas económicas devido às alterações climáticas já atingem hoje - 2009- mais de 125 biliões dólares por ano. Isto é mais do que o PIB individual de 73% de todos os países do mundo, e é maior do que o montante total da ajuda que, atualmente, os fluxos dos países industrializados para nações em desenvolvimento a cada ano. Em 2030, as perdas económicas devido às alterações climáticas triplicarão para 340 bilião dólares anualmente.


Human Impact Report- GHF (Kofi Anan)

Doc da semana: O lado (muito) negro da WWF


A WWF é a maior associação ambientalista a nível mundial... só que há muito que deixou de ser ambientalista. Vejam o documentário "O Silêncio dos Pandas" (em inglês) onde se fica a saber como a destruição do planeta - incluindo a promoção desbragada de transgénicos - é a maior fonte de lucro desta Organização.

Obrigado, Margarida Silva, Plataforma Transgénicos Fora

Domingo, 20 de Novembro de 2011

Portugal ficou mal num exame da Global Subsidies Initiative (GSI) sobre a subsidiarização dos combustíveis fósseis

Ponto de situação dos EUA (daqui)
Em Abril deste ano, a GSI compilou os resultados da sua acção "We Ask Your Government! how much its fossil-fuel subsidies cost".
A pergunta aos governos era : 
"Qual foi o montante total efectivamente incorridos durante os últimos três anos fiscais sobre os subsídios de petróleo, gás e carvão quer a nível de produção quer a nível do consumo?"

Muitos países se poderia esperar relatar tais informações, uma vez que eles assumiram compromissos internacionais para reduzir os subsídios de combustíveis fósseis. O Protocolo de Quioto, com 84 signatários, descreve o tipos de medidas que as partes irão tomar para alcançar os objectivos da convenção, e isso inclui redução dos subsídios de combustíveis.

Em 2009 os líderes dos G-20 e a Cooperação Económica Ásia-Pacífico (Apec) comprometeram-se a remover o ineficiente subsidiaridade dos combustíveis fósseis na sua jurisdição a médio prazo. Nova Zelândia criou até um grupo de trabalho Reforma-Subsídio para acelerar o progresso.
Apenas 27 dos 80 estados inquiridos responderam adequadamente ao inquérito. Portugal ficou mal no exame e passo a transcrever: 

In Portugal, an Amnesty International researcher received angry phone calls from
the minister’s office who could not understand why they wanted information on
the environment. Some incomplete information was then provided. The hostile
response undermines the right of access, as, by law, citizens do not have to justify
their request (Subsidy Watch, 2010) (pág. 6)

We Ask Your Government! How Much Its Fossil-Fuel Subsidies Cost 

A viragem à direita em toda a Europa - nascerão novos fascismos - assista vídeo sobre crime ambiental Shell/Basf, premiado na Unesp-Marília/SP





No dia em que (é o mais certo) vamos ver a Espanha virar-se para a direita mais aterradora, é bom divulgar e dar a conhecer a(s) realidade(s) de um mundo só entregue aos grandes capitais e aos privados, cujas economias e financiamentos são altamente subsidiadas pelo Estado (o bem comum. Uma coisa é a livre empreendorismo e outra coisa é a responsabilidade e verdadeira liberdade. A direita enquanto ideologia dominante só tem feito "democracias" de consumo e "debitocracias" e criado fantasias de casino e poker altamente tóxicos. Não é desejável uma estatização completa, mas sim uma sociedade mais transparente e com pólos de autonomização locais.
Ainda ontem, na SIC, no programa "Perdidod e Achados" passou um documentário sobre o desastre ambiental e como estão a viver os habitantes de Lousal, uma aldeia de ex-mineiros de extracção da pirite. Submetidos a um programa europeu de recuperação da região, a Câmara fez a sua parte, cumprindo integralmente o plano enquanto a empresa responsável limitou-se a criar um museu, ignorando completamente os últimos habitantes da região. 
A nível global a situação policopia-se numa rede insustentável. O que acontecer nos BRICS serão o desafio de hoje para o futuro (pouco ou muito) sorridente...para nós PIGS (mais fragilizados) e por contágio os ditos povos do bloco Alemanha-EUA...como sempre depende de NÓS, dos valores que incutimos e protegemos e partilhamos e apelamos à responsabilidade!
Assista o documentário intitulado "Caso Shell/Basf: O Lucro Acima da Vida", que conta a história do crime de contaminação ambiental e humana cometido pelas duas multinacionais na planta industrial situada no bairro Recanto dos Pássaros, em Paulínia/SP. 
O vídeo foi premiado na 5ª Mostra Cine/Trabalho na Unesp/Bauru, em maio de 2010, e é uma produção do COT (Centro Organizativo dos Trabalhadores), ATESQ (Associação dos Trabalhadores Expostos a Substâncias Químicas) e do Sindicato Químicos Unificados. 
Devido a limitações impostas pelo YouTube, onde o vídeo está hospedado, e para facilitar o acesso, o documentário, que tem o total de aproximadamente 27 minutos, foi dividido em 5 partes  .

A manhã detém uma estrela

Baby Dee levanta e questiona turpores e expõe as ventras da dor de uma forma poderosa e quase sedutora, numa carnificina que depois cicatriza com a doce melodia e as pausas intempestivas. Um poeta brilhante e um cantautor polifacetado, sobretudo tenho-o encontrado ao piano ou na lira (por vezes acordeão).

Morning Holds A Star




Calvary



On the Day I Died



Night Voices

Sábado, 19 de Novembro de 2011

Bird Girl - Antony Johnson, o ecofeminismo e as mulheres laureadas este ano com o Prémio Nobel da Paz


Este ano 3 mulheres receberam o Prémio Nobel da Paz. Ellen Johnson Sirleaf, presidente da Libéria (foi a 1ª presidente africana eleita, Leymah Gbowee, activista liberiana e Tawakkul Karman, activista do Iémen (veja as fotos da cerimónia Em Maio de 2004 salientei o projecto 1000 mulheres para a PazEm todo o mundo as Mulheres da Paz estão comprometidas com a promoção da paz, a justiça social, o ambiente e um futuro seguro, actuando com criatividade, usando diversos métodos e dinâmicas de valores. Juntaram em 2005 as suas experiências, seus conhecimentos e seus contactos na organização Mulheres da Paz no Mundo - PeaceWomen Across the Globe .
Durante a guerra, Gbowee conviveu diariamente com as crianças soldados e percebeu que "a única maneira de mudar as coisas, do mal para o bem, era que nós, mulheres e mães dessas crianças, nos levantássemos e avançássemos pelo bom caminho".
Hoje ela é mãe de seis filhos e está instalada desde 2005 em Gana.
"Nada deveria levar as pessoas a fazer o que fizeram com as crianças da Libéria", drogadas, armadas, convertidas em máquinas de morte, explicou em um documentário sobre a luta das liberianas pela paz.
Esta luta "não é uma história de guerra tradicional. Trata-se de um exército de mulheres vestidas de branco, que se ergueram quando ninguém queria fazê-lo, sem medo, porque as piores coisas imagináveis já haviam ocorrido conosco", escreveu em sua autobiografia.
"Trata-se da maneira como encontramos a força moral, a perseverança e a valentia para levantar nossa voz contra a guerra, e reestabelecer o sentido comum em nosso país", acrescentou.
Veja fotos das vencedoras e do anúncio em Oslo
Activismo de Leymah Gbowee na Libéria rende-lhe o Nobel
Ellen Sirleaf foi a 1ª presidente africana eleita
Tawakkol Karman dedica Nobel à Primavera Árabe
Leia os perfis das vencedoras do Nobel
Ao Vivo

"Lovely Owl" => Música, Aves, Comportamento, Vídeo - Magia


Como é hábito meu, de manhã, ao fim de semana, gosto de "folhear" em linha  alguns jornais, nomeadamente o Guardian. Hoje encontrei este vídeo cheio de magia e ternura. O actor principal é o mocho-galego (Athena noctua)e o local da história é um festival medieval em Itália.

Música do BioTerra:: Ella Fitzgerald&Joe Pass - A Foggy Day

Sexta-feira, 18 de Novembro de 2011

Tinta da china magnética



Cresci nas minhas aulas de Educação Visual a desenhar corpos geométricos que, depois de feitos a lápis, eram preenchidos com tinta da china - trabalho árduo, minucioso e delicado. Longe de mim imaginar algum dia que a criatividade com este material podia ir (muito) mais longe. Bom fim de semana.

Google Earth e Alterações Climáticas




Pensamentos marcantes:
1. Quando derrubar a última árvore, o homem saberá que não  come dinheiro


2. Já dizia Keynes, em 1940: "É, parece que, politicamente impossível para uma democracia capitalista organizar as despesas numa escala, necessária para fazer os grandes experimentos, tão grande que comprove a minha teoria - excepto em condições de guerra"


Leitura do dia
Occupy (movement) and the climate negotiations


Blogue do Dia

Cartoonista da Semana: Robert Crumb


expo Crumb por info34410


Uma faceta menos conhecida deste excelente cartoonista

Símbolo da contracultura nos anos 1960, o quadrinista Robert Crumb [sítio oficial] já adaptou obras de Franz Kafka, Charles Bukowski e Philip K. Dick para os quadrinhos. Ele também colaborou com o roteirista Harvey Pekar, de "O Anti-Herói Americano", nos anos 1970 e foi tema de documentário lançado em 1994 pelo cineasta Terry Zwigoff.
Obras: "Génesis" (imagem), "Blues", "América", "Kafka de Crumb", "Fritz, O Gato", "Mr. Natural", "Mr. Natural Vai Para o Hospício", "Minha Vida"
Bio: wiki (português); wiki (ingles)



Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011

Novo Relatório PNUMA - "Rumo a uma Economia Verde" comprova que a economia verde cria emprego e protege o ambiente

UM MARCO HISTÓRICO

Foi publicado ontem, 16 de Novembro, o relatório PNUMA (UNEP) criador de esperança, de planos de investimento já existentes em todo o mundo e nas diversas actividades humanas, em que se privilegiou a economia verde. O Relatório comprova que houve progresso significativo nas populações, com criação de postos de trabalho e maior protecção ambiental. No meu blogue deixo o resumo técnico em Português e o Prefácio. Para leitura completa (e em inglês) a UNEP disponibiliza em linha, que podes lê-lo aqui ou em pdf, que podes descarregar também aqui.

PNUMA_Rumo À Economia Verde_Síntese_PT



Vinte anos após a Cúpula da Terra, as nações se encontram novamente a caminho do Rio, mas num mundo diferente, que mudou muito desde 1992. Naquela época estávamos apenas vislumbrando os desafi os emergentes em todo o mundo desde a mudança climática até a perda de espécies devido à desertificação e à degradação da terra. Hoje, muitas dessas preocupações, aparentemente distantes, estão se tornando realidade com implicações sóbrias não somente para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas, mas também estão pondo em risco a oportunidade de quase 7 bilhões de pessoas – 9 bilhões até 2050 – de sobreviver, quem dirá de prosperar. A Rio 92 não foi um fracasso mundial – longe disso. Ela forneceu a visão e as peças fundamentais de um mecanismo multilateral para se alcançar um futuro sustentável. Mas isso só será possível se os pilares ambientais e sociais do desenvolvimento sustentável tiverem um mesmo tratamento econômico: onde a frequentemente esquecida força motora da sustentabilidade, desde as florestas até a água doce, também receba tratamento de mesmo peso, ou maior, num planejamento econômico e de desenvolvimento. 

Rumo a uma Economia Verde está entre as contribuições-chave do PNUMA ao processo Rio+20 e ao objetivo geral de luta contra a pobreza e promoção de um século XXI sustentável.O relatório apresenta argumentos econômicos e sociais convincentes para o investimento de 2% do PIB mundial para tornar verde os 10 setores estratégicos da economia, de forma a redirecionar o desenvolvimento e desencadear um fluxo público e privado rumo à baixa emissão de carbono e a um caminho de uso eficiente de recursos.Tal transição pode catalisar uma atividade econômica de tamanho comparável pelo menos às práticas atuais, mas com um risco reduzido de crises e choques cada vez mais inerentes ao modelo existente. Novas ideias são assustadoras por sua própria natureza, mas muito menos assustadoras do que um mundo onde a água potável e a terra produtiva estão se acabando, devido ao cenário de mudanças climáticas, eventos de condições 
climáticas extremas e aumento da escassez de recursos naturais.

Uma economia verde não favorece uma ou outra perspectiva política. Ela é relevante a todas as economias, sejam elas controladas pelo estado ou pelo mercado. Também não é uma substituição de um desenvolvimento sustentável. Ao contrário, ela é uma forma de se alcançar desenvolvimento nos níveis regional, nacional e global, ressoando e ampliando a implementação da Agenda 21.A transição à economia verde já está a caminho – como está destacado neste relatório e nos estudos complementares elaborados por organizações internacionais, países, corporações e organizações representantes da sociedade civil. No entanto, o desafio, claramente, é como aproveitar ao máximo este impulso. A Rio+20 oferece uma oportunidade real para se ampliar e fortalecer esses “brotos verdes”. Ao fazer isso, este relatório oferece não somente uma rota para o Rio, mas vai além de 2012, onde um gerenciamento mais inteligente de capital natural e humano guia a criação de riquezas e a direção deste mundo. 
Achim Steiner
Diretor Executivo do PNUMA
Subsecretário Geral da ON

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