Segunda-feira, 31 de Outubro de 2011

Musicopoesia do BioTerra:: Sophia Mello Breyner e Smashing Pumpkins


Porque...
"Porque os outros calculam mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos

Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem

Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados

Para comprar o que não tem perdão.

Porque os outros se mascaram mas tu não"



De Sophia de Mello Breyner Andresen*

Domingo, 30 de Outubro de 2011

Música do BioTerra:: Lhasa De Sela - Where do you go

Bom domingo! A palavra é originária do latim dies Dominicus. Povos pagãos antigos reverenciavam os seus deuses dedicando este dia ao astro Sol o que originou outras denominações para este dia, em inglês diz-se Sunday, e no alemão Sonntag, com o significado de "Dia do Sol". Que esta música com a voz de Lhasa de Sela, seja um Sol nos nossos corações.

Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011

Filme da Semana: O Fim dos Subúrbios - End of suburbia (2006) Legendado PT


Lembram-se em 2006 ter falado do filme End of Suburbia?
Agora encontrei-o já legendado em Português!
"Um documentário sobre o esgotamento do petróleo e o destino da sociedade industrial.

Com brutal honestidade e um toque de ironia, “The End of Suburbia” explora o modo de vida americano e suas perspectivas ao aproximar-se de uma era crítica para o planeta, com a demanda de combustíveis fósseis a começar a ultrapassar a capacidade de fornecimento. Alguns cientistas e políticos debatem neste documentário o Pico Mundial do Petróleo e o inevitável declínio dos combustíveis fósseis que já se está a abater sobre nós."

Quarta-feira, 26 de Outubro de 2011

Poema do BioTerra - Nevoeiro, por Fernado Pessoa



Tenho em mim como uma bruma
Que nada é nem contém

A saudade de coisa nenhuma,

O desejo de qualquer bem.

Sou envolvido por ela

Como por um nevoeiro

E vejo luzir a última estrela

Por cima da ponta do meu cinzeiro.

Fumei a vida. Que incerto

Tudo quanto vi ou li!

E todo o mundo é um grande livro aberto

Que em ignorada língua me sorri.

Fernando Pessoa (16/07/1934)

Terça-feira, 25 de Outubro de 2011

Cultura, o elo perdido da sustentabilidade




Entenda a economia criativa e o seu potencial para construção de um futuro sustentável.

Imagine um mundo onde a marca pode representar mais de 75% do valor de uma empresa, enquanto que os recursos naturais se tornam cada vez mais escassos. Diante desse quadro, a desmaterialização da economia passa a ser o foco da estratégia de desenvolvimento dos negócios e governos.

O cenário descrito acima se enquadraria perfeitamente aos dias atuais não fosse pelo último aspecto. O Google, um dos maiores casos de sucesso da atualidade, tem na sua marca, cujo valor estimado é de US$ 100 bilhões, o maior fator de desempenho, superando até mesmo seus próprios produtos e serviços. No entanto, a economia continua seguindo a lógica de gestão de recursos escassos. Como resultado disso, já ultrapassamos em 20% a capacidade de suporte e reposição da biosfera.

Esses dados, já bastante difundidos, reforçam a importância de buscar estratégias de desenvolvimento sustentável, acelerando a desmaterialização da economia. No entanto, a grande dúvida continua sendo como vialibizar essa transição de modelos econômicos e de pensamento. Uma das novidades nesse debate está na constatação de que, se a sustentabilidade é o fim, a cultura pode ser o meio para construir esse futuro desejado. Esse foi um dos focos de discussão da rodada de diálogo sobre economia criativa, que integrou a programação do FILE 2010, em São Paulo.

A mesa, coordenada por Lala De Heinzelin, assessora do Programa de Economia Criativa da South-South Cooperation, unidade do PNUD, contou com a participação de Liliana Magalhães, superintendente do Santander Cultural, Luciane Gorgulho, chefe do departamento de cultura, entretenimento e turismo do BNDES e Maria Arlete Gonçalves, diretora de cultura do Oi Futuro.

De acordo com a ONU, a economia criativa é responsável por 10% do PIB mundial. No relatório Creative Economy, a UNCTAD divulga que, entre 2000 e 2005, os produtos e serviços criativos mundiais cresceram a uma taxa média anual de 8,7%. Duas vezes mais do que o setor de manufaturas e quatro vezes mais do que a indústria.

O conceito ainda em formação, foi criado para designar um setor que inclui, porém extrapola a cultura e as indústrias criativas. De forma muito simplificada, podemos dizer que reúne as atividades que têm na cultura e na criatividade a sua matéria prima. É um conceito amplo o suficiente para incluir a diversidade, tanto de linguagem quanto de modelos de negócios, englobando uma vasta gama de atividades que vai do indivíduo que trabalha educação complementar por meio da música a uma grife de automóveis de luxo.

Segundo Lala, estamos vivendo uma mudança de época, talvez, comparável apenas ao renascimento. Esse período é caracterizado pela transição de uma centralidade - que existiu durante décadas, em que todos os recursos eram tangíveis e, portanto, finitos - para um momento em que aquilo que tem mais valor está ligado ao intangível. Nesse contexto, temos um recurso que é como se fosse a galinha dos ovos de ouro porque tudo aquilo que está ligado ao intangível conhecimento, criatividade e cultura além de não se esgotar, se multiplica e renova, explica.

Não sem razão alguns países já elegeram a economia criativa como estratégia número 1 de desenvolvimento. É o caso do Reino Unido e, mais recentemente da China. A potência asiática adentra a era de pós-industrialização, em que a integração global e o consumo cultural estão exercendo um impacto crescente, sobretudo no ambiente urbano.

Segundo a consultoria chinesa CCID Consulting, a indústria criativa e cultural já movimenta cerca de 170 bilhões de yuans, representando "uma tendência de crescimento reverso" para a crise financeira global com potencial de revitalizar a economia chinesa. O país conta com um Plano de Revitalização da Indústria Cultural, aprovado pelo Comitê Permanente do Conselho de Estado, cujo objetivo é orientar o desenvolvimento futuro desse setor. Em cidades como Beijing, a economia criativa cresce a uma taxa anual de 50%. (Confira mais dados no box abaixo).

Construção de capital social

Além de apresentar um grande potencial econômico, a economia criativa contempla atividades que atuam como fator de interação social, fortalecendo os valores, diferenciais e credibilidade de comunidades e empresas.

A cultura representa o quarto pilar da sustentabilidade. É o que traz o nosso diferencial, pois permite que se agreguem valores. Ela vai ao encontro da nova sociedade do conhecimento, em que o poder está na troca, afirma Liliana Magalhães, superintendente do Santander Cultural.

Possuidor de uma das diversidades biológicas e culturais mais ricas do planeta, o Brasil proporciona um ambiente propício para o avanço de um modelo de desenvolvimento baseado nos pilares econômico, ambiental social e cultural. Não são raros os exemplos de negócios que já trabalham nessa perspectiva, mas devido a falta de indicadores e mecanismos de incentivo adequados eles continuam a margem da economia.

O BNDES, um dos maiores bancos de fomento do mundo com um livro de desembolso de R$ 130 bilhões, tem se dedicado a desenvolver métodos para mensurar esse valor e que também possam embasar o financiamento às atividades criativas. Desde 2006, conta com um departamento de cultura, entretenimento e turismo, que disponibiliza linhas de crédito e fundos de investimento para esses setores. Esses recursos estão sob o guarda-chuva do Programa BNDES para o Desenvolvimento da Economia da Cultura estruturado em três subprogramas: BNDES Procult Financiamento, BNDES Procult Renda Variável e BNDES Procult Não Reembolsável.

Segundo Luciane Gorgulho, do BNDES, há recursos para fomentar a economia criativa, o que falta é dar visibilidade a esse setor, uma vez que ainda não existem muitas estatísticas sobre o tema. É importante disseminar suas histórias de sucesso da economia criativa, setor que hoje enfrenta dificuldades semelhantes das empresas de software, muitas delas surgidas em garagens, destaca. Esse segmento de tecnologia ganhou credibilidade a partir da repercussão de casos de sucesso e se consolidou apesar da bolha da internet.

E como sair dos limites que estamos acostumados a atuar?, provoca Lala. Segundo ela a solução que uma empresa está buscando pode estar em um trabalho desenvolvida por um garoto na periferia. Os negócios têm um papel importante para o fomento da economia criativa porque podem conferir acesso e credibilidade. Se o mesmo menino lançar determinada solução poderá enfrentar resistência em alguns setores. Mas essa dificuldade pode ser minimizada se uma grande empresa identificar seu projeto e de alguma maneira apoiá-lo.

Essa integração é fundamental, pois ajuda a construir confiança, um ativos mais comprometidos desde a última crise financeira global. É preciso haver um entendimento que o desenvolvimento resulta de um processo coletivo e que é essencial se conectar a outros para ter força de reverberação, afirma Liliana, do Santander.

Ainda segundo Lala, o principal fator que impede o País de transformar em realidade seus potenciais e recursos consiste na falta de capital social, resultado da articulação de diferentes setores. As potências endógenas só vão se concretizar se houver um processo capaz de elevar a auto-estima e, ao fazê-lo, reforçar os laços e a identidade, estimulando a cidadania. Tendemos a achar que a semente é a maçã e tentamos vender a torta. Mas antes é necessário preparar o terreno para essa semente germinar e tornar essa torta desejável, reforça.

Quem é quem na economia criativa

Reino Unido

As indústrias criativas britânicas geram £67 bilhões em receitas e crescem duas vezes mais do que o restante da economia.

Esse setor também tem um papel vital na construção de um futuro sustentável

Formalmente definidas como as artes cênicas, antiguidades, artesanato, arquitetura, design, moda, publicidade, rádio e TV, cinema e vídeo, música, publicações, jogos de vídeo e software, a inovação, as indústrias criativas terão um papel fundamental no enfrentamento dos grandes desafios do nosso tempo - a escassez de recursos, mudanças climáticas, resíduos, poluição, uma população em crescimento e pobreza.

Alguns exemplos já existentes:

O movimento Bauhaus defendeu uma filosofia de design da justiça e utilidade, para fornecer o acesso universal a um bom design, melhor habitação e uma vida melhor para todos.

Nos últimos 20 anos, o marketing social ajudou a educar, sensibilizar e comunicar, questões tão amplas como o comportamento anti-social em trens, estilos de vida mais saudáveis e os malefícios do cigarro.

Novas formas de mídia social habilitadas por software de TI e plataformas como o Twitter, kiva ou NetSquared estão diminuindo distâncias geográficas e sociais, proporcionando que as pessoas se mobilizem na busca de soluções para problemas que lhes são comuns.

A arquitetura verde agora é mainstream e já há exemplos emblemáticos de excelência de construção seguindo princípios de sustentabilidade, como o Eden Project, a vila dos Jogos Olímpicos, entre outros.

Adaptado de artigo publicado no Forum for the Future

China

A indústria criativa movimenta cerca de 170 bilhões de yuans, representando uma alternativa ao modelo de desenvolvimento centrado na rápida urbanização que trouxe uma série de problemas sociais e ambientais.

A economia criativa já é foco de investimento e políticas públicas. O país conta com um Plano de Revitalização da Indústria Cultural, aprovado pelo Comitê Permanente do Conselho de Estado, cujo objetivo é orientar o desenvolvimento futuro desse setor.

Em Beijing, Shanghai and Shenzhen, as indústrias criativas crescem cerca de 12.3%, 13.3% e 15.0%, respectivamente, enquanto que o PIB dessas cidades cresce 19.4%, 22.8% e 25.9%, respectivamente. Em 2008, o valor acrescentado no setor cultural criativo em Pequim superou os 100 bilhões de yuans, representando 9% do PIB da cidade. E, esse número ainda está crescendo a uma taxa anual de mais de 50%.

Adaptado de artigo publicado originalmente na Bloomberg

Brasil

A indústria criativa movimenta R$ 381 bilhões e emprega 35,2 milhões de pessoas. O setor representa 16,4% PIB brasileiro:

2,6 % - 12 áreas principais: artes visuais, publicidade, expressões culturais, televisão, música, artes cênicas, filme e vídeo, mercado editorial, software, moda, arquitetura e design)

5,4% - atividades relacionadas a essas áreas: material de artesanato, publicidade, instrumentos musicais, registro de marcas e patentes, dentre outras)

8,4% - atividades de apoio: consultoria especializada, insumos, maquinários)

Autor: Envolverde/Idéia Socioambiental

Domingo, 23 de Outubro de 2011

Música do BioTerra :: Lhasa de Sela - Love Came Here



Estou com dificuldade em VER mais este AMOR como nos olhos de criança , sem nação, sem berço de monarquia, sem berço de palha, sem berço de judeu, sem berço palestiniano, sem berço coreano...e como ando triste ver os recursos comuns saqueados fruto depois de má educação..

Sábado, 22 de Outubro de 2011

Música do BioTerra:: Radiohead [Thom Yorke & PJ Harvey]- One line


Do álbum 'Stories from the city, stories from the sea', publicado em 2000. Espero que gostem::"one" line para salvar o Mundo e salvarmo-nos

Sexta-feira, 21 de Outubro de 2011

Non-coding RNAs and eukaryotic evolution - John Mattick


 

Non-coding RNAs and eukaryotic evolution - a personal view. In this interview, he explains why he thinks non-coding RNA is fundamental to eukaryotic evolution.

John Mattick graduated from the University of Sydney in 1972 and finished his PhD from Monash University in 1977, after which he entered on postdoctoral studies on fatty acid synthase at Baylor College of Medicine in Houston. While in Houston he first became interested in the question of whether non-coding RNA has a function, when introns were discovered in the coding sequences of genes. But most of his work for the next 25 years was in microbiology, and it was not until the genomic studies of the past 15 years, and the revelation that most of the non-coding DNA of the human genome is transcribed, that he turned in earnest to the question of what the non-coding transcripts might be contributing. This is now the focus of his laboratory at the Institute for Molecular Biosciences at the University of Queensland, where he has worked since 1988.
In this interview, he explains why he thinks non-coding RNA is fundamental to eukaryotic evolution.

Edited transcript

Fonte: Biomedcentral

When people talk about the RNA world, they usually mean a pre-protein world, but you would say there is a largely unexplored RNA world today. Why?

The thesis that RNA was the primordial molecule of life is compelling because RNA has both functional and information-carrying capacity. But there's no reason to think those capacities were ever lost. It does appear that early in the evolution of cellular life RNA devolved its informational storage functions to DNA, as a much more stable and easily replicable molecule, and its analog functions to proteins, which have much greater chemical versatility. So on that basis the idea grew up that RNA had become an ephemeral intermediate between the hard disk - the DNA - and the analog outputs, the proteins. But what I think then happened is that later in evolution RNA re-entered the scene to fulfill a regulatory imperative associated with the emergence of developmentally complex organisms, acquiring a whole range of functions based on those same primordial properties of sequence specificity and the ability to fold into complex shapes to interact with other molecules in specific and dynamic ways.

But we know that proteins have regulatory functions, and can interact in many ways. Why postulate regulatory RNA?

There are a few key points. The first - and this is one of the great surprises of the genome projects, that very few people have commented on because of their background assumptions - is that both the number and range of protein-coding genes have remained largely the same since the base of the metazoan radiation. Caenorhabditis elegans, which is a worm of only 1,000 cells, has almost precisely the same number of protein-coding genes as a human - about 20,000 is the latest estimate - and most of those genes encode similar functions. So the basic parts set for animal development was established several hundred million years ago. In fact, I understand the sponge genome also encodes most, if not all, of the key protein families that are involved in regulating development. Now C. elegans has only got 1,000 cells - a few muscle cells, a few nerve cells, and a gut. We humans have 30 trillion to 100 trillion cells, and the complexity of our body plan organization - including all of the muscles in the face that reflect the range of human emotions, the different bones and organs, and the brain - is enormous.

So did the limited diversity of proteins in phylogeny lead to the suggestion that non-coding RNA might have important regulatory functions?

Yes. Since the protein-coding repertoire (notwithstanding some clade-specific innovations) has remained relatively static, the differences in developmental complexity must be due to an expansion of the accompanying regulatory architecture, which presumably lies outside the protein-coding sequences. Now, interestingly, that problem, I think, has been swept under the intellectual carpet because of the relatively facile and widely accepted assumption, which has not been challenged, nor justified, that the combinatorics of transcription factors provide an explosive number of regulatory possibilities - with enough capacity in the system to program anything from a worm to human. But you certainly need to have a more complex regulatory framework to get to a more complex organism, and the astounding thing is that the only thing that does scale with complexity - because the number of genes does not - is the extent of the non-protein-coding genome.
Now of course that's going to include regulatory elements, but it's so large - in humans 98.8% - that most molecular biologists have not considered that this could all be regulatory and have consequently assumed that most of it must be just evolutionary debris - a view that was compounded by the fact that roughly half our genome derives from transposons - something we might come back to.
In any case, protein-coding genes do not scale with complexity, whereas the non-coding genome does, at least to first approximation. And here's the interesting thing: surprisingly, virtually all of these non-coding sequences are transcribed into non-protein-coding RNAs, apparently in a differential fashion that seems to be developmental-stage specific, tissue specific, and cell specific. So there are only two alternatives, which is what occurred to me back in 1978 when I first bumped into introns as a postdoctoral fellow. At the time it was universally assumed - by everybody, including Crick - that because these sequences did not code for protein they must be junk, and they were rationalized as hangovers of early evolution. At the time I remember thinking to myself that this was a very strange observation. Huge genes are transcribed into RNA and then the RNA introns are cut out and apparently discarded. So, yes, one possibility is that the RNA is junk and this is just useless recycling of ribonucleotides. But the other possibility is, and was then, that the expressed non-coding RNA is functional. This to me was much more interesting, indeed exciting, with potentially profound consequences. So it became my intellectual hobby to explore the idea, although in those days there were very few tools with which to do so - so for a long time it simmered on my backburner while I did more conventional things.

But doesn't the relative non-conservation of non-coding RNA mean that it can't have important functions?

The level of conservation is an old chestnut, and in your question about the relative conservation is in fact embedded the answer. The non-coding RNAs that are differentially transcribed and developmentally regulated are on the whole less conserved than protein-coding sequences. But lack of relative conservation does not mean lack of function. Conservation is imposed by structure-function relationships, which vary between different types of sequences. Structure-function relationships in most proteins are very strict. There are only so many ways to make an oxygen-binding protein, or a wheel for that matter. Analog functions have particular structural imperatives. But regulatory sequences can be much more plastic, just like your credit card. It doesn't mean they don't have important information and indeed I think most people - even those who are sceptical about the level of importance of RNAs - would acknowledge that most phenotypic radiation occurs in the regulatory architecture. We take a relatively common set of components and arrange their expression in different ways to produce a range of phenotypic outcomes both between species and within species.

Are you arguing that you wouldn't expect regulatory RNAs to be conserved?

There is not a lack of conservation of regulatory RNAs. Indeed some are very highly conserved. In general, however, they have a lower relative conservation compared with sequences encoding proteins. The level of conservation of regulatory sequences varies, reflecting the greater plasticity of regulatory molecules and the fact that this is where evolution is selecting, initially positively, and subsequently negatively, for regulatory variation that underpins phenotypic radiation.

So do you believe that we simply haven't understood the regulatory mechanisms underlying evolution?

It does seem that we've fundamentally misunderstood the structure of genetic programming of higher organisms because of the assumption, which is largely true for bacteria, but turning out not to be true for the complex eukaryotes, that most genetic information is transacted by proteins. The evidence, dating back in fact to 1977, is that there is a vast hidden layer of regulatory RNAs that are involved in directing the epigenetic trajectories of differentiation and development, and this is now just beginning to be peeled back.

What is the evidence for regulatory functions for non-coding RNAs?

Perhaps the best way to answer the question is to give two examples of how these RNAs are functioning and why the system has superimposed an RNA regulatory system on top of a protein-based regulatory system. The first is microRNAs, which were discovered ten years ago through some terrific genetics in C. elegans in the preceding decade. MicroRNAs are now known to regulate virtually all known developmental processes in animals and plants. They have no known catalytic function - they are just 22 or so nucleotides that target another RNA, and the resulting complex, in some fashion that's not fully understood, is then recognized and acted upon by a generic protein complex, the so-called RISC complex. The cell, and indeed evolution, can dial up these microRNAs very flexibly in different cells to address various targets, and they only need one protein complex to come and do the job. So the signal has been separated from the consequent analog action, and instead of having one protein or protein complex for every regulatory event, its function has been allocated to a single generic complex which is directed to different targets using much more genomically compact and evolutionarily flexible small RNAs.

That's one example of a regulatory function. What's the other?

It's not as well accepted yet, but it is looking increasingly likely that an analogous process occurs in the regulation of chromatin modification and epigenetic processes. The modulation of chromatin structure and epigenetic memory is critical to development of complex organisms. Chromatin architecture is controlled by DNA methylases and a set of relatively generic enzymes and enzyme complexes that modify histones in different ways: about 60 of them in all. What determines their selectivity, at myriad different sites around the genome, is not known, but it had been assumed to be 'transcription factors' - itself a very vague term. However it's looking increasingly as though the site selectivity of these enzymes is actually being controlled by RNAs that provide the sequence-specific signals with the adaptor functions that then recruit generic protein complexes at the relevant sites of action during differentiation and development. And now there's good evidence from our lab and others that at least a subset of the long non-coding RNAs that are differentially expressed during development fulfill this function, because they associate physically with complexes involved in chromatin modification.

Are there any specific examples of regulatory functions of non-coding RNAs in development?

We've pinned function to a few. There are tens if not hundreds of thousands of long non-coding RNAs. Very few have been studied in detail: I recently wrote a review for PLoS Genetics that lists those for which there are good functional data, of which there are about 40 or so. That's a small number, but it's enough to give you an idea. For example, we and others have shown that one of these non-coding RNAs is required for the formation of paraspeckles, a sub-nuclear compartment that's induced upon cellular differentiation. Other non-coding RNAs are associated with chromatin complexes; and some non-coding RNAs have been shown by biological assays to be critical for such things as eye development, and some have been associated with different sorts of diseases, including heart disease and cancer.

So there's not very much direct functional evidence yet?

It's early days. In fact almost every time you functionally test a non-coding RNA that looks interesting because it's differentially expressed in one system or another, you get functionally indicative data coming out. But the compelling point is that regulatory RNAs provide an explanation as to why complexity doesn't scale with the number of protein-coding genes. It was originally assumed that as complexity increased there would be more and more such genes - before the genome was sequenced there was speculation that humans might have a hundred thousand or more, and it was a huge shock that it's much less, and doesn't scale with complexity. But there are very large numbers of long non-coding RNAs, so this is where the real genetic scaling has occurred.

You mentioned that non-coding RNAs are implicated in disease. Could they explain why in genome-wide association studies disease-associated polymorphisms turn up in non-coding regions of the genome?

It's perfectly possible. There's no doubt that in genome-wide association studies looking into the genetic components of complex diseases and complex traits, most of the mapped locations are non-coding and therefore almost by definition regulatory. So it's really a question of what form that regulatory variation takes. But there's an important point here. In the early days of human gene mapping, people were searching for the genes responsible for diseases such as cystic fibrosis, Huntington's disease, thalassemias and so on, which cause what I call catastrophic component damage: if you lack a functional protein component, it's like losing a light switch or a wheel - in most cases it's a very serious problem. So the genetic signature is very strong, and the gene is relatively easy to map. But with complex diseases, there are often multiple genetic components, which are very difficult to map. It turns out that most of the classic monogenic diseases are caused by protein-coding mutations. However, not surprisingly, most of the genetic variation that affects complex human traits appears to lie in regulatory mutations. Well over 90% of all the loci mapped in genome-wide association studies are non-coding, and many of them are miles from any coding sequences. It is possible that all of these could be conventional cis-acting promoter or enhancer mutations affecting DNA sequences recognized by regulatory proteins - but intriguingly, at least some of these loci are turning out to be in non-coding regions that are differentially expressing non-coding RNAs.
Indeed, I'd like to emphasize the following point about the expression of non-coding RNAs: it is extraordinarily specific, both spatially and temporally. For example, we did a study in conjunction with the Allen Institute for Brain Science in Seattle in which we looked at well over 1,000 of these non-coding RNAs, and found that half are expressed in brain and show extremely precise spatial expression. Some are only expressed in the dentate gyrus of the hippocampus, others in particular layers of the cortex, and others in Purkinje cells in the cerebellum. Moreover, in 80% of the cases where we had sufficient resolution to tell, these RNAs are trafficked to specific subcellular locations. So this is not some fuzzy random signal: their expression is extremely precise, both in terms of the cell specificity and in terms of subcellular localization. That seems to me to have none of the characteristics you would expect if these RNAs are just some sort of background noise. On the contrary, I think the differential expression of these RNAs is the only reliable genome-wide index of their function.

You mentioned earlier the possible significance of transposons. What part do you think they have played?

That is one of my many favourite topics. It is widely assumed - though not by everybody - that transposon-derived sequences are simply 'selfish' mobile genetic elements that have no function other than their own propagation. Books have been written about such things, and that is indeed one possibility. But the raw material for evolution is duplication and transposition, with the latter having the great advantage of being able to distribute functional cassettes. So it's equally possible that a large fraction of the transposon-derived sequences that are in our genome are actually functional.

It's not generally believed that transposon sequences have regulatory functions, is it?

I predict that there will be a very rapid change of attitude to transposon-derived sequences. We are already seeing papers showing their differential expression. Many of them are transcribed by RNA polymerase III, so they have been under the radar of poly(A)-based approaches to the transcriptome. But I predict we are going to see that they are critical drivers of evolution - critical in embryogenesis and development, and extremely critical in the brain.

Is there anything you can say to support the prediction that regulatory RNA will be particularly important in the brain?

One point about RNA that has really not penetrated the consciousness of most biologists yet is that it is extensively edited, and by editing I mean deamination of adenosines to form inosines, and cytosines to form uracil, which changes the sequence and structure of the RNA. RNA-editing enzymes have expanded greatly during vertebrate, mammalian and primate evolution. They occur in most, if not all, tissues, but are especially active in the brain. Some are brain specific, and RNA editing is approximately 30 times more intensive in the human brain than in the mouse. So it seems to me increasingly obvious that RNA editing is the principal means by which environmental information is transmitted to the epigenome, and is the mechanism for connecting the environment to the genome, the expansion of which was critically important to the evolution of the plasticity and the molecular mechanisms of learning and memory. In other words, RNA regulation is central not only to development, but also to the ability to plastically alter the genetically encoded information without changing the hard-wired DNA (although that may occur in some cells as well). That makes it the key to the evolution of cognition.

Where can I find out more?

Articles
Mattick JS: RNA regulation: a new genetics? Nat Rev Gene 2004, 5:316-323.
Pang KC, Frith MC, Mattick JS: Rapid evolution of noncoding RNAs: lack of conservation does not mean lack of function. Trends Genet 2006, 22:1-5.
Taft RJ, Pheasant M, Mattick JS: The relationship between non-protein-coding DNA and eukaryotic complexity. BioEssays2007, 29:288-99.
Mattick JS: A new paradigm for developmental biology. J Exp Biol 2007, 210:1526-47.
Amaral PP, Dinger ME, Mercer TR, Mattick JS: The eukaryotic genome as an RNA machine. Science 2008, 319:1787-1789.
Amaral PP, Mattick JS: Noncoding RNA in development. Mamm Genome 2008, 19:454-492.
Dinger ME, Amaral PP, Mercer TR, Pang KC, Bruce SJ, Gardiner BB, Askarian-Amiri ME, Ru K, Soldà G, Simons C, Sunkin SM, Crowe ML, Grimmond SM, Perkins AC, Mattick JS: Long noncoding RNAs in mouse embryonic stem cell pluripotency and differentiation. Genome Res 2008, 18:1433–1445.
Mercer TR, Dinger ME, Sunkin SM, Mehler MF, Mattick JS: Specific expression of non-coding RNAs in mouse brain. Proc Natl Acad Sci USA 2008, 105:716-721.
Mattick JS, Mehler MF: RNA editing, DNA recoding and the evolution of human cognition. Trends Neurosci 2008, 31:227-233.
Mattick JS, Amaral PP, Dinger ME, Mercer TR, Mehler MF: RNA regulation of epigenetic processes. BioEssays 2009, 31:51-59.
Guttman M, Amit I, Garber M, French C, Lin MF, Feldser D, Huarte M, Zuk O, Carey BW, Cassady JP, Cabili MN, Jaenisch R, Mikkelsen TS, Jacks T, Hacohen N, Bernstein BE, Kellis M, Regev A, Rinn JL, Lander ES: Chromatin signature reveals over a thousand highly conserved large non-coding RNAs in mammals. Nature 2009, 458:223-227.
Mattick JS: The genetic signatures of noncoding RNAs. PLoS Genet 2009, 5:e1000459.
Khalil AM, Guttman M, Huarte M, Garber M, Raj A, Rivea Morales D, Thomas K, Presser A, Bernstein BE, van Oudenaarden A, Regev A, Lander ES, Rinn JL: Many human large intergenic noncoding RNAs associate with chromatin-modifying complexes and affect gene expression. Proc Natl Acad Sci USA 2009, 106:11667-11672.
Taft RJ, Glazov EA, Cloonan N, Simons C, Stephen S, Faulkner GJ, Lassmann T, Forrest ARR, Grimmond SM, Schroder K, Irvine K, Hume DA, Suzuki H, Orlando V, Carninci P, Arakawa T, Nakamura M, Kubosaki A, Hayashida K, Kawazu C, Murata M, Nishiyori H, Fukuda S, Kawai J, Daub CO, Hayashizaki Y, Mattick JS: Tiny RNAs associated with transcription start sites in animals. Nat Genet 2009, 41:572-578.
Taft RJ, Pang KC, Mercer TR, Dinger ME and Mattick JS: Noncoding RNAs: regulators of disease. J Pathol 2010, 220:126-139.
Mattick JS, Taft RJ, Faulkner GJ: A global view of genomic information - moving beyond the gene and the master regulator. Trends Genet 2010, 26:21-28.

Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011

MusicoPoema do BioTerra - José Gomes Ferreira e Philip Glass & Ravi Shankar

Offering


Entrei no café com um rio na algibeira
e pu-lo no chão,
a vê-lo correr
da imaginação...

A seguir, tirei do bolso do colete
nuvens e estrelas
e estendi um tapete
de flores
a concebê-las.

Depois, encostado à mesa,
tirei da boca um pássaro a cantar
e enfeitei com ele a Natureza
das árvores em torno
a cheirarem ao luar
que eu imagino.

E agora aqui estou a ouvir
A melodia sem contorno
Deste acaso de existir
-onde só procuro a Beleza
para me iludir
dum destino.

Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

Relatório Oikos- Comércio para o Desenvolvimento, s.f.f.

Comércio sff

Comércio para o Desenvolvimento, s.f.f. é um relatório Oikos que pretende fazer o diagnóstico do comércio internacional e propor algumas “terapias” para o colocar ao serviço do desenvolvimento humano.
Ano de edição: Dezembro 2005

Terça-feira, 18 de Outubro de 2011

O espelho mágico do Facebook



O facebook no mundo- foto tirada em 2010. Créditos: Paul Butler
O Facebook reflete a nossa época, egoísta e publicitária, preocupada com o marketing pessoal. Ele promove a experiência de estar em constante representação face a nossos amigos. E quanto mais a projeção eletrônica reflete a nossa personalidade, ou o nosso desejo, mais nos deixamos embriagar pelo seu reflexo


por Philippe Rivière, Le Diplomatique Brasil, 1.12.10

Há alguns dias, o Facebook me pediu para trocar de nome. Não porque eu tivesse escolhido um apelido obsceno, que fizesse apologia ao ódio, ou que usurpasse o “nick” do todo poderoso Mark Zuckerberg (chefe, fundador e principal acionista do Facebook), ou até mesmo porque estivesse usando um nome vagamente parecido com o de uma marca registrada. Tudo que fiz foi inventar um sobrenome composto de belos caracteres em Braille. Os engenheiros do site californiano decidiram, de repente, que isso não era mais tipograficamente correto.

Na inscrição, o site havia pedido meu sobrenome verdadeiro; em seguida, tinha confirmado a minha existência por meio de um código secreto enviado ao meu telefone. Eles tinham também insistido para que eu lhes desse a senha do meu endereço de e-mail para recuperar meu catálogo de endereços e, assim, facilitar a identificação dos meus contatos – meus “amigos” na terminologia do site.

Policiado permanentemente por algoritmos, seguindo regras de utilização que ninguém lê, a página azul do Facebook oferece um casulo aconchegante a seus membros, que podem se conectar a ele para conversar sem se verem invadidos por mensagens de desconhecidos e por parasitas que lhes prometem a Lua. As inserções de publicidade são relativamente discretas, e é possível, por um tempo interminável, ficar vendo as fotos de amigos, se divertir ou se indignar com as mesmas informações compartilhadas por eles, jogar os mesmos jogos, seguir o que há de novo em suas vidas, tanto os acontecimentos mais triviais quanto os mais felizes.

As interações são sempre positivas: é possível, ao clicar sobre um ícone qualquer, “curtir” alguma coisa, mas não detestar; um aviso aparece quando a gente ganha um amigo, mas não quando ele nos deixa. Vários controles protegem o usuário: assim, o viajante que se conecta de um lugar inabitual, se vê submetido a um interrogatório (lúdico) à base de fotos, a fim de provar sua identidade.

Tudo isso não acontece sem arbitrariedades. Páginas sensíveis – como aquela do grupo de apoio ao soldado Bradley Manning, acusado de ter transmitido informações secretas sobre a guerra do Iraque ao site Wikileaks – são por vezes suspensas, e restabelecidas alguns dias depois sem mais explicações. Para eliminar os spams, os membros do Facebook são incentivados a denunciar com um clique as mensagens ofensivas, e o site então suspende a conta dos usuários suspeitos. Uma brecha no sistema, à qual ativistas de todo tipo acabam apelando, organizando por esse método a desconexão de seus adversários políticos. O Facebook proíbe seus membros de publicar links para sites perigosos (que tentariam, por exemplo, instalar vírus ou roubar dados bancários); mas esse Big Brother bondoso, às vezes, cede à tentação da censura e bloqueia links para sites de compartilhamento de arquivos ou de manifestações artísticas e políticas – como o seppukkoo.com, que permite aos internautas apagar suas informações e sair do Facebook.

Essa sábia mistura de vida privada e voyeurismo, esse regime açucarado de transgressões moderadas e liberdade vigiada constituiu a receita vencedora de Zuckerberg. Graças a ela, o comandante da rede social conseguiu o grande feito de reunir 500 milhões de inscritos, dos quais 50% se conectam ao site todos os dias, num total de 700 bilhões de minutos a cada mês. E 200 milhões de pessoas consultam a página por telefone celular. Começando do nada – ou quase, já que a prestigiosa Universidade Harvard não foi irrelevante no seu início fulgurante, em fevereiro de 2004 –, o Facebook é agora, com apenas 1.700 funcionários, o maior site do planeta.

Ao permitir que cada um cuide da sua marca pessoal, o Facebook é o espelho mágico da nossa época, egoísta e publicitária. A experiência Facebook é para cada um o sentimento de estar em constante representação face a 130 pessoas (número médio de amigos de um membro da rede social) aplaudindo cada gesto e cada boa palavra. Quanto mais a projeção eletrônica de nosso ser reflete a verdade de nossa personalidade – ou de nosso desejo –, mais nos deixamos embriagar pelo seu reflexo.

Esse sentimento conduz cada um a alimentar sua página, às vezes, de maneira compulsiva, publicando seus gostos, endereço, local em tempo real por meio de diversas técnicas de geolocalização, ou a crônica de seus conflitos amorosos. A empreitada deixa estupefatos todos os organismos de defesa da vida privada, de todo modo superados, frente à sua própria aceitação por meio do crescimento exponencial das tecnologias.

Excessivamente positivo

Mas o Facebook não pretende parar por aí: começando em um site restrito, ele busca agora se estender ao conjunto da internet. Introduzido em abril de 2010, o botão “curti” é uma funcionalidade de aparência trivial que cada webmaster pode integrar em seu próprio site para facilitar o “buzz”; graças a esse engenhoso sistema, já instalado em um milhão de sites, o Facebook afirma poder monitorar por nome as visitas feitas nas telas de 150 milhões de pessoas todos os meses, refinando, assim, a construção de seus perfis. Para melhor servir (e identificar) o internauta, o Facebook também acaba de lançar uma caixa de correio eletrônico que agrupa e-mail, SMS e conversas virtuais instantâneas – apontando para uma concorrência frontal com o Google, o outro ponto de controle gigante da internet.

O Facebook garante que apenas os nossos amigos têm acesso a essa massa de textos e imagens que flui continuamente nessas bases de dados. Denunciado, em novembro de 2010, por uma investigação do Wall Street Journal que revelou que alguns dos maiores operadores dos jogos no Facebook escondiam dados de identificação pessoal dos jogadores e de seus amigos, o grupo decretou “tolerância zero” às empresas intermediárias de bases de dados e afirmou que o Facebook “nunca vendeu nem venderá informações de usuários”. (Não se fala, claro, da “Patriot Act” [Lei Patriótica], que permite às autoridades americanas ter acesso a informações pessoais hospedadas nos Estados Unidos.)

Em 1993, um memorável desenho de Peter Steiner, publicado no The New York Times, explicava que “na internet, ninguém sabe que você é um cão”. Em 2010, o anonimato está prestes a ser abolido. “Com 14 fotos suas, nós temos capacidade de identificá-lo. Você acha que não há 14 fotos suas na internet? Tem as fotos do Facebook”, lembra o presidente do Google, Eric Schmidt, na Conferência Technomy, em 4 de agosto de 2010. Um estado dos fatos não somente irrevogável, mas, a seus olhos, necessário: “Em um mundo de ameaças assimétricas, o verdadeiro anonimato é perigoso. (...) É preciso um sistema confiável de verificação de identidade – e o melhor exemplo, hoje, de tal serviço é o Facebook. (...) Os governos vão acabar exigindo isso”.

Se ainda sobra a possibilidade de trapacear, isso será, no futuro, cada vez mais difícil. Os arquitetos mais poderosos do mundo online e os dirigentes políticos são destinados a “civilizar” uma internet livre e sempre vista como zona de não direitos. Se eles conseguirem domesticá-la, dar sua identidade real será o preço a pagar para participar dela com plenos direitos. A tela servia até aqui como uma imagem para designar um sistema descentralizado de rede de informações interconectadas. Ninguém imaginava que uma aranha se debatendo acabaria se instalando em seu centro e observava, assim, o comportamento de todos os internautas.

Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

Fóssil de um dos menores dinossauros já encontrado é exposto pela primeira vez

Luis Chiappe mostra como seria o 'Fruitadens haagarorum', de apenas 71 centímetros

Luis Chiappe mostra como seria o 'F. haagarorum', de 71 centímetros (AP)


Fósseis de um dos menores dinossauros já encontrado no mundo, uma ágil espécie com apenas 71 centímetros de comprimento e peso inferior ao de um coelho, começaram a ser exibidas em público pela primeira vez, nesta semana, no Museu de História Natural do Condado de Los Angeles.
Os ossos - que equivalem aos cérebros, vértebras, braços e pernas de quatro animais - haviam sido descobertos no final da década de 1970 no oeste do Colorado, mas só recentemente foram identificados e batizados como Fruitadens haagarorum por uma equipe internacional de cientistas.
"Estamos realmente testando os limites do tamanho corporal entre dinossauros. Eis um animal que se estima que tenha pesado cerca de duas libras (910 gramas) quando totalmente crescido. É o menor dinossauro conhecido da América do Norte, e um dos menores dinossauros de todos", disse à agência Reuters Luis Chiappe, diretor do Instituto de Dinossauros do museu.
A espécie - O Fruitadens haagarorum viveu há cerca de 150 milhões de anos, provavelmente zanzando entre as pernas de dinossauros muito maiores. Detalhes excepcionais do crânio, como os dentes tipo caninos na frente da mandíbula inferior, e os dentes em forma de folha na região da bochecha, sugerem que ele comia plantas e outros animais. Teria sido, portanto, um dos últimos representantes de um grupo chamado de heterodontossaurídeos.
"Acreditamos que esse pode ser o segredo para a longa vida que esse grupo de dinossauros teve. Eles existiram por cerca de 100 milhões de anos. Talvez o fato de os últimos membros do grupo serem generalistas, e não altamente especializados em um nicho em particular, tenha lhes dado uma vantagem que lhes permitiu viver por tanto tempo como grupo", explicou Chiappe.
Fonte: Veja, 22.10.09

Sábado, 15 de Outubro de 2011

Música do BioTerra : The Nixons - Sister


À Minha Mirinha, que morreste aos 41 anos, tinha eu 22 anos e a todos os meus amigos saudosos da(s) sua(s) irmã(s)
Sister
Here I am again,
Overwhelming feelings
A thousand miles away
From your ocean home
Part of me is near

Thoughts of what we were invade
The miles that stand between
We can't separate
Your all I hoped you'd become

Sister I see you
Dancing on the stage
Of memory
Sister I miss you

Fleeting visits pass
Still they satisfy
Reminders of the next
Overshadow goodbye
Our flames burn as one

Sister I see you
Dancing on the stage
Of memory
Sister I miss you

All I am begins with you
Thoughts of hope understood
Half of me breathes in you
Thoughts of love remain true

Here we are again saying goodbye
Still we fall asleep underneath the same sky
You're all I knew you'd become

Sister I see you
Dancing on the stage
Of memory
Sister I miss you

Entwined, you and I
Our souls speak from across the miles
Intertwined, you and I
Our blood flows from the same inside
Half of me, breathes in you
Thoughts of love remain true

I see you, I feel you
When I close my eyes
I see walking there...
I see you dancing in my mind

Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

Biodiversidade: São 8,7 milhões as espécies existentes na Terra, 89% das quais permanecem por descobrir


Mapa das áreas de atuação dos principais projetos de pesquisa que integram o programa do Censo da Vida Marinha em todo o planeta.
por Filipa Alves, Naturlink (24-08-11)
 
Esta é a conclusão do Censo da Vida Marinha que se baseou na análise do número de grupos taxonómicos nos níveis superiores para determinar a magnitude da diversidade de espécies que os caracteriza. 
 
 
No total, 6,5 milhões de espécies são terrestres e 2,2 milhões habitam os oceanos profundos, sendo que 86% e 91%, respectivamente, ainda não foram descritas. 
 
O artigo completo está acessível aqui: Pluridoc

Foram ontem dados a conhecer os resultados do Censo da Vida Marinha no que diz respeito à magnitude da Biodiversidade na Terra, dando resposta a uma questão que tem intrigado o Homem há centenas de anos, e que se reveste de uma importância extrema para orientar os esforços de Conservação numa época em que se atravessa uma crise de extinções.
A nova medida da Biodiversidade no nosso planeta foi determinada a partir da classificação taxonómica da diversidade de formas de vida e especificamente, a partir das relações numéricas que existem entre os níveis taxonómicos mais elevados (ex: Reino) e portanto, abrangentes, e os mais baixos e restritos (ex: Espécie).
As estimativas apontam para a existência de um total de 8,7 milhões de espécies, 6,5 milhões das quais são terrestres e 2,2 milhões vivem nos oceanos. No entanto, 86% das primeiras e 91% das segundas permanecem por descobrir.
Em particular, são 7,77 milhões as espécies de animais na Terra (953 434 das quais descritas cientificamente), 298 000 as espécies de plantas (225, 644 das quais conhecidas), 611 000 os fungos (43 271 dos quais identificados), 364 00 as espécies de protozoários (8,228 catalogados) e 27 500 as espécies no Reino Chromista (13 033 descritas pela Ciência).
Estes números significam que as 19625 espécies cujo estado de conservação é avaliado periodicamente pela União Internacional para a Conservação da Natureza no âmbito da Lista Vermelha das Espécies Ameaçadas correspondem apenas a 1% da totalidade das espécies existentes.
Os autores do estudo, publicado recentemente na revista PLoS Biology, estimam em 364 mil milhões de dólares o custo de descobrir todas as espécies que permanecem por descrever, o que exigiria 1200 anos de trabalho por parte de 300 mil taxonomistas.

Leituras Adicionais
 

Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

O Peixe gato ou Panga: a nova aberração da globalização

O panga é um novo tipo de peixe que encontramos sobretudo sobre a forma de filetes, a um preço muito barato(?).O panga é um peixe de cultura intensiva/industrial no Vietname, mais exactamente no delta do rio Mekong e está a invadir o mercado devido ao seu preço.

Eis o que deve saber sobre o Panga 
 (Pangasius hypophthalmus:

Os Pangas estão infestados com elevados níveis de venenos e bactérias. (arsénio dos efluentes industriais e tóxicos e perigosos subprodutos do crescente sector industrial, metais contaminantes, bifenilos poli clorados (PCB), o DDT e seus (DDTs), clorato, compostos relacionados (CHLs), hexaclorocicloexano isómeros (HCHs), e hexaclorobenzeno (HCB)).

O rio Mekong é um dos rios mais poluídos do planeta.

Não há nada de natural nos Pangas - Eles são alimentados com peixes mortos restos e ossos de secas e de solo numa farinha, da América do Sul, a mandioca (mandioca) e resíduo de soja e grãos. Obviamente, este tipo de alimentação não sã não tem nada a ver com a alimentação num ambiente natural.

Ela mais não faz do que assemelhar-se ao método de alimentação das vacas loucas (vacas que foram alimentadas com vacas, lembra-se?) A alimentação dos pangas está completamente desregulada.. O panga cresce 4 vezes mais rápido do que na natureza ...

Além disso os pangas são injetados com PEE –alguns cientistas descobriram que se injectassem as fêmeas pangas com as hormonas femininas derivados de desidratado de urina de mulheres grávidas, a fêmea Panga produziria os seus ovos muito rapidamente e em grande quantidade, o que não aconteceria no ambiente natural (uma Panga passa a produzir assim aproximadamente 500.000 ovos de uma vez). Basicamente, são peixes com hormonas injectáveis (produzidas por uma empresa farmacêutica na China) para acelerar o processo de crescimento e reprodução. Isso não pode ser bom.

Ao comprar pangas estamos a colaborar com empresas gigantes sem escrúpulos e gananciosas que não se preocupam com a saúde e o bem-estar dos seres humanos.

Este comercio está a ser aceite por grandes superfícies que os vendem ao público em geral, sabendo que estão a vender produtos contaminadas.

Nota: devido à prodigiosa quantidade de disponibilidade de Pangas, este irá acabar noutros alimentos: surimi (aquelas coisas com pasta de peixe), peixe terrines e, provavelmente, nalguns alimentos para animais. ( cães e gatos)

 
Texto Traduzido Por Isa do artigo original em Inglês 

Quarta-feira, 12 de Outubro de 2011

APENAS 5% DA POPULAÇÃO PORTUGUESA TEM O HÁBITO DE COMPRAR PRODUTOS BIOLÓGICOS

2011-05-25 15:45:37
Ana Luísa Oliveira
 
APENAS 5% DA POPULAÇÃO PORTUGUESA TEM O HÁBITO DE COMPRAR PRODUTOS BIOLÓGICOS
Os produtos biológicos ainda não entraram na alimentação dos portugueses. Só 500 mil consomem, regularmente, estes produtos. Em média, gastam apenas 2,20 euros nos produtos da agricultura biológica. O sector movimenta 20 milhões de euros anualmente em Portugal e cresce 28% ao ano. Dados resultantes de dois trabalhos académicos da autoria de um docente do IPAM.

São amigos do ambiente, são cultivados sem recurso a produtos químicos e, por isso, muitas vezes, considerados alimentos mais saudáveis. Mas ainda são pouco apetecíveis para os portugueses e escasseiam ainda nos carrinhos de compras e nos lares das famílias.
Apenas 5% da população portuguesa, isto é, 500 mil consumidores, têm o hábito de comprar produtos biológicos. Do orçamento das famílias portuguesas reservado à alimentação, só 8,3% destina-se aos produtos provenientes da agricultura biológica.
Em média, cada consumidor gasta apenas 2,20 euros por ano nestes produtos, o que coloca Portugal bastante abaixo de países como a Dinamarca, França, Suécia, Itália ou Holanda. Nestes países, os consumidores reservam, em média, 104 euros para a compra de produtos biológicos, o que representa 50% do orçamento.
As contas são de Rui Rosa Dias, docente do IPAM de Matosinhos, que se tem dedicado ao estudo sobre a agricultura biológica – já defendeu duas teses sobre o tema, primeiro no mestrado em marketing agro-alimentar, em Saragoça, e depois no doutoramento em economia agrária, pela Universidade Politécnica de Madrid. 
O agricultor, que trabalha no sector do leite biológico, acredita que a falta de informação é um dos motivos da baixa procura dos portugueses por estes produtos. “A grande maioria não sabe o que é um produto biológico, não faz ideia dos benefícios que estes têm tanto para a saúde, com maior riqueza de nutrientes, como na questão ambiental”, sublinha.
O outro problema é o preço. “É um mito que estes produtos sejam mais caros”, continua Rui Rosa Dias, que defende uma mudança de mentalidades dos consumidores em matéria de alimentação. “Não faz sentido discutirmos dois cêntimos de diferença na alface e não questionarmos o preço de 25 euros de uns sapatos. Os consumidores têm de apostar numa alimentação de qualidade, associada à adopção de um estilo de vida saudável”.
Mulheres consomem mais produtos biológicos
Tem entre 20 e 49 anos, é do sexo feminino e reside na cidade. É este o perfil do consumidor regular de produtos biológicos.  Regra geral, são pessoas com níveis elevados de conhecimento e níveis médios de rendimento. Preferem os produtos da agricultura biológica por questões de saúde e ambientais. Rui Rosa Dias dá outro exemplo de um novo tipo de consumidor. “Cada vez mais, os pais reconhecem os benefícios do consumo de produtos biológicos para a saúde e optam por comprar para os filhos. É indiscutível que estes produtos são mais ricos em nutrientes”.
Sector movimenta 20 milhões ao ano
Atendendo aos números que apontam para 200 mil consumidores portugueses “assíduos” de produtos biológicos, o agricultor acredita que há um potencial de mercado a rondar os 10%, correspondente aos que nunca experimentaram.
O sector movimenta 20 milhões de euros por ano em Portugal - 67 mil milhões em todo o mundo - e regista um crescimento de 28% ao ano no país. Graças à procura crescente de hortícolas, frutas e lacticínios. Os produtos biológicos transformados como as bolachas, os sumos e os vinhos têm atraído também cada vez mais consumidores. “O sector tem crescido de forma assinalável. É uma reacção à crescente procura e fruto também dos incentivos da União Europeia, que tem apoios para a agricultura biológica e tem atraído muitos produtores”, sublinha Rui Rosa Dias.
Em 10 anos, o número de produtores passou dos 765 para os 1.650 - actualmente são 2.200. O que obriga, naturalmente, ao crescimento da área de cultivo dos produtos biológicos que, na última década, triplicou. Actualmente, representa uma área total de 160 mil hectares.
Apesar de registar uma tendência francamente positiva, a agricultura biológica ainda tem uma representatividade “diminuta” no sector agro-alimentar no nosso país. Portugal tem uma balança comercial desfavorável no que toca aos produtos biológicos, porque importa mais do que exporta. Em 2015, o cenário não se deverá inverter, acredita Rui Rosa Dias. “Nessa altura, prevê-se que Portugal ainda não seja auto-suficiente na produção de produtos biológicos”, acredita o agricultor, acrescentando: “Temos de ser capazes de produzir em quantidade, mas sobretudo em qualidade, primando pela diferença e atendendo às necessidades de saúde e ambientais”.  
Rui Rosa Dias, acredita que uma das formas de incentivar o consumo destes produtos passa pela criação de espaços de venda com o apoio das autarquias, que permitam ao consumidor comprar directamente ao produtor.

Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

Artivismo: Nuno Cera

Video/ documentation of the exhibitions Runaway World ( Matadouro Municipal das Caldas da Rainha) and Smog (Sala do Veado, Lisboa) from Nuno Cera & Noé Sendas

Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

Fungos introduzidos em árvores podem acelerar reflorestação


A introdução de fungos tem sido feita em pinheiros-bravos
A introdução de fungos tem sido feita em pinheiros-bravos


Ciência Hoje, 2011-08-16
A introdução de fungos nas árvores a plantar depois de um incêndio pode ser uma das soluções para acelerar a reflorestação. Esta é uma das conclusões prévias do estudo que está a ser desenvolvido por investigadores na área da Biotecnologia Ambiental da Escola Superior de Biotecnologia, da Universidade Católica (Porto).
Tendo como objectivo perceber de que modo é possível acelerar a reflorestação em solos queimados, o estudo, liderado por Paula Castro, envolve a aplicação de determinados fungos seleccionados (fungos ectomicorrízicos) como facilitadores deste processo.
Os últimos dados da Autoridade Florestal Nacional (AFN) dão conta que a área ardida no primeiro semestre deste ano em Portugal quase triplicou em relação a 2010, atingindo um total superior a nove mil hectares. Encontrar uma solução para promover a eficácia da reflorestação é, assim, uma prioridade para os investigadores.
Estudos previamente realizados em áreas ardidas demonstraram que a introdução de fungos no sistema radicular (nas raízes) pode promover até duas vezes o crescimento da planta após transplante. Isto porque os fungos proporcionam à planta uma maior absorção de água e de nutrientes do solo, podendo deste modo aumentar a sua taxa de crescimento e resistência.
O estudo tem sido realizado com pinheiro-bravo. Esta espécie é importante a nível nacional devido à sua larga distribuição geográfica e também pela sua importância económica. Esta aplicação – que vem acelerar e optimizar o processo de reflorestação no período pós-fogo – assume-se como uma forma de aliar as soluções da biotecnologia aos problemas da floresta.

Domingo, 9 de Outubro de 2011

Música do BioTerra:: The Cult - Painted On My Heart


"I've still got your face
Painted on my heart
Scrawled upon my soul
Etched upon my memory baby
I've got your kiss
Still burning on my lips
The touch of my fingertips
Is love so deep inside of me"

Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

O regresso do "laissez-faire…", por A. Marinho Pinho



O regresso do "laissez-faire…"
JN, 2010-07-18

A queda do muro de Berlim e o fim da União Soviética conduziram a uma nova ordem mundial que pouco se compadece com as regras das democracias tradicionais. Na euforia ultra-liberal da globalização em curso, os novos fisiocratas organizaram tudo em benefício das empresas e dos capitais. Por outro lado, a intervenção na Jugoslávia (nomeadamente, o bombardeamento de Belgrado e, em particular, da sua estação de televisão), bem como a invasão do Iraque, ou a guerra na Tchechenia vieram demonstrar que a nova ordem nada tem a ver com a vontade democrática dos povos e que já não se olha a meios para atingir fins.

Neste quadro muitos mitos se desfazem e novos paradigmas emergem.

Os chamados direitos sociais dos trabalhadores, representados no imaginário da esquerda tradicional como conquistas heróicas do movimento operário, são esvaziados ou aniquilados sem qualquer resistência. A sua imolação faz-se no altar da actual crise económico-financeira mundial, curiosamente, a mesma causa que ditou o seu nascimento.

Com efeito, a maioria dessas «conquistas» surgiu depois da grande crise económica de 1929 que se evidenciou com o célebre crash da Bolsa de Nova Iorque, a que se seguiu a falência de milhares de empresas e a miséria de milhões de pessoas. Até então acreditava-se que o mercado (a economia) era regulado por aquilo que um economista inglês, Adam Smith, chamara (num livro intitulado A Riqueza das Nações, de 1776) uma «mão invisível».

Como resultado da crise de 1929, iniciou-se a lenta construção do chamado Estado Providência, cujas bases teóricas já tinham sido lançadas por outro economista inglês, John Keynes, sobretudo com o seu livro, de 1926, sintomaticamente intitulado The end of laissez-faire, em que punha em causa o liberalismo e a sua teoria da «mão invisível».

Keynes defendia que o papel do estado não deveria resumir-se a ser o «guarda nocturno» do mercado, antes deveria intervir na economia, a fim de evitar que as crises económicas conduzissem ao colapso do sistema. Como essas crises são cíclicas e, portanto, previsíveis, o estado teria de tomar medidas a montante e a jusante delas, a fim de as prevenir ou atenuar os seus efeitos. Medidas de regulação da economia (disciplinando a concorrência, proibindo a cartelização, efectuando mesmo uma planificação indicativa da produção, etc.), mas, sobretudo, medidas de carácter social que, aumentando o poder de compra, alargassem o consumo e os mercados internos.

Foi assim que nasceram as primeiras medidas sociais que conduziram ao que se chama Estado Providência. Note-se que as primeiras férias pagas foram gozadas pelos trabalhadores franceses, em 1936, durante o governo da Frente Popular liderado por Léon Blum. Além de 15 dias de férias anuais, foi também instituída, pela 1ª vez, a semana das 40 horas.

Só que, hoje, não é só o estado providência que está em falência. Faliram também as ameaças revolucionárias ao capitalismo, sobretudo as de matriz bolchevique. Aliás, nunca se explicou bem por que é que um país semi-feudal, pré-capitalista, como era a Rússia do início do século XX, veio a ser o berço de uma revolução socialista, que, por definição, só teria condições históricas de sucesso numa economia tão avançada que a contradição entre o desenvolvimento das forças produtivas e as respectivas relações sociais de produção (entre o carácter social da produção e a propriedade privada dos meios produtivos) só pudesse ser superada dialecticamente com a apropriação colectiva dos meios de produção. Mas, paradoxalmente, naquela Rússia em que triunfou a primeira revolução socialista só havia miséria e servidão para socializar.

Assim, hoje, não é só todo o modelo keynesiano que está em crise e cujo fim se anuncia, são também os principais paradigmas ideológicos da esquerda do século XX.

Neste panorama, a política perdeu os seus referentes ideológicos e fulanizou-se. Os centros de poder e de decisão nacionais estão a transferir-se para instâncias supra nacionais (quando não para empresas globais) sobre as quais não há qualquer controlo democrático. Os estados estão a limitar-se ao velho papel residual de guardas-nocturnos de um mercado agora global e a democracia extingue-se lentamente, perante a estupefacção daqueles que disso têm consciência, sem que, aparentemente, nada se possa fazer nada para o impedir. As eleições já nada decidem, verdadeiramente, porque o que é importante aparece sempre decidido por instâncias supranacionais não democráticas.

O horizonte é plúmbeo.

Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011

Biodiversidade nas Cidades


Biodiversidade é a diversidade da vida na Terra, incluindo os ecossistemas, espécies e genes. Nós somos parte da biodiversidade e nossas vidas dependem dela. E essa biodiversidade, suporte de vida de nossas cidades, está desaparecendo a um ritmo alarmante. Hoje é o pardal, mas amanhã pode ser nós.

Quarta-feira, 5 de Outubro de 2011

Porque é dia da República - Cartoon da Semana

"Pensem quantos empregos novos relacionados com cuidados de saúde nós estamos a criar"






Saúde na nova "republica"....5 de Outubro de 2011, tempo de reflexão das "repúblicas" que queremos!

O 5 de Outubro coincide com o Dia do Professor.

Dia do Professor:: Hoje não se esqueçam de agradecer a um Professor

Reconhecendo que se trata de um grupo profissional fundamental sem o qual “não pode haver nem desenvolvimento durável, nem coesão social, nem paz”, a UNESCO consagrou o dia 5 de Outubro aos professores de todo o mundo. Entre nós coincide com o dia Dia da República.





Thank a teacher. Teachers inspire greatness and change lives. Take the time to show your appreciation today.http://www.mudpiesandbutterflies.com/thankateacher



A comemoração deste dia é uma iniciativa da UNESCO assumida desde 1994. A escolha deste dia prende-se com a data em que foi publicado o Estatuto do Professor (em 1966- ano em que nasci!), um documento que reconheceu os professores com um instrumento que define as suas responsabilidades e os seus direitos. 
Obs: a imagem é de 2008, mas a mensagem mantem-se!

Atlas do Potencial Eólico Para Portugal



PauloCostaMSc

Terça-feira, 4 de Outubro de 2011

Online seminars to introduce the Earth Charter and Earth Charter Initiative



Version en Español abajo
The Earth Charter International Secretariat (ECI) will be offering four one and a half hour online seminars to introduce the Earth Charter to new initiative participants, volunteers, and any other interested parties. The seminars will take place once a week every week in September and will cover several Earth Charter basic topics.
The seminar will introduce the Earth Charter document, explain its origins, the process in which it was drafted, its significance in international sustainable development policy and practice, and will offer some examples of its relevance and use in ongoing sustainability and peace efforts. The seminar will expand on the importance of value systems and the ethical framework that the Earth Charter offers for promoting peace, sustainability, and justice and will engage attendees in an informal exercise. Finally, the seminar will offer several suggestions for attendees who want to get involved or learn more about the Earth Charter. The seminars will end with a question, answer, and discussion forum.
ECI hopes that both Earth Charter novices and veterans will attend to learn and share about the Earth Charter Initiative and be inspired to take action to make the world a more just, peaceful, and sustainable place.
The seminars schedule is as follows:
September 7 at 15:00 GMT - In English
September 14 at 18:00 GMT – In Spanish
September 21 at 2:00 GMT – In English
September 26 at 18:00 GMT – In English
All times are listed in Greenwich Mean Time. You can convert to your local time using this converter:
Or use this chart to find the approximate time in your locality.
 
We hope to see you there and please inform your contacts and friends if they are interested.
Seminarios en línea para introducir la Carta de la Tierra y la Iniciativa de la Carta de la Tierra
La Secretaría Internacional de la Carta de la Tierra (CTI) estará ofreciendo seminarios de una hora y media para presentar la Carta de la Tierra a nuevos participantes y voluntarios en la Iniciativa y cualquier otra persona u organización interesada. Los seminarios se llevarán a cabo una vez a la semana en setiembre y cubrirán varios tópicos básicos de la Carta de la Tierra. 
El seminario presentará el documento de la Carta de la Tierra, explicará sus orígenes, el proceso por medio del cual fue elaborado, su importancia en las políticas y la práctica del desarrollo sostenible internacional y ofrecerá algunos ejemplos de su relevancia y su uso en esfuerzos de sostenibilidad y paz.   El seminario desarrollará el tema de la importancia del sistema de valores y el marco ético que la Carta de la Tierra ofrece para promover paz, sostenibilidad y justicia e involucrará a los participantes en un ejercicio informal.  Finalmente, el seminario ofrecerá sugerencias a los participantes que quieran involucrarse o aprender más acerca de la Carta de la Tierra. Los seminarios terminarán con un foro de preguntas, respuestas y discusión. 
CTI espera que tanto las personas nuevas en la Iniciativa y aquellos que son veteranos atiendan para aprender y compartir acerca de la Iniciativa de la Carta de la Tierra y se inspiren para tomar acción y hacer del mundo un lugar más justo, pacífico y sostenible. 
El horario de los seminarios es el siguiente:
Setiembre 7 a las 15:00h GMT – En Ingles
Setiembre 14 a las 18:00h GMT – En Español
Setiembre 21 a las 2:00h GMT – En Ingles
Setiembre 26 a las 18:00h GMT – En Ingles
Todas las horas están enlistadas en  la Hora Media de Greenwich.  Ustedes pueden convertir a su hora local utilizando el siguiente convertidor: 
Puede usar este cuadro para orientarse con los tiempos de las reuniones.
Esperamos contar con su presencia y por favor infórmele a sus contactos y amigos. 


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