Segunda-feira, 5 de Dezembro de 2011

Carta aberta à Merkel, Cameron, Barroso e Sarkozy

(ouvir mais músicas pela Paz no sítio Stop the War


Estimados Senhores da Europa que não queremos
Não creiam que milhares de cidadãos europeus andam "alheados" e adormecidos no telelixo que importa subjugar as mentes e quais súbditos acéfalos limitam-se de braços baixos e entorpecidos pela cultura da "democracia" do consumo e de uma obsolescência programada. Não. Desenganem-se. Desenganem-se também que aceitaremos pagar a factura de uma interferência do Homem no ambiente jamais vista em pouco menos de 30 anos. Desenganem-se. Desenganem-se que muito do que já foi feito em defesa de uma cultura e programas estatais que existem em defesa de uma sociedade mais justa mas que demoram sair do papel, como planos nacionais e internacionais de eficiência energética, redimensão florestal e agrícola ficarão depois num ecomuseu qualquer, em que veremos cidades e vilas desventradas e pobres, as poucas crianças que sobreviverem irão visitar um mundo que foi pujante e diverso.
Não aceitamos o regresso às moedas nacionais só porque os paraísos fiscais mandam.
Esta carta merecia quiçá relatórios e números que os tecnocratas de sarjeta adoram degladiar. Mas sabemos muito bem o (ab)uso e deturpação com que os mesmos números são tratados. Não precisamos de uma cartilha nem de soluções agressivas de exportações, quando impedimos os imigrantes de África a ficar à porta de uma Europa que funciona como um protectorado e não uma Europa construtiva.
Sabemos por último que palavras de poetas, actores, artistas e cientistas, não passam disso palavras que depois podem catapultar ou angariar votos, em vez de um espírito colectivo com mais saúde ambiental e mais respeito pelo outro, sem uso de violência nem agressividade dos mercados.
Mas como sempre elegemos a linguagem, as mensagens como valor.Aliás Chomsky, linguista foi quem despoletou o interesse de origem e evolução biológica da nossa linguagem!
As árvores de uma floresta (brasileira) dependem da associação de várias espécies de organismos, cada uma delas dependente de outras espécies. Uma só árvore per si é dependente de todas as probabilidades adversas de circunstâncias passíveis de mudança. O vento lhe impede o crescimento; as variações de temperatura não permitem que tenha folhagem; as chuvas deslocam-lhe o solo; as suas folhas são dispersas e perdidas para o bem da fertilização. Podemos obter espécies individuais de árvores escolhidas em circunstâncias excepcionais ou onde intervém o
cultivo feito pelo Homem. Mas, na Natureza, o meio normal pelo qual as árvores florescem é a sua associação em floresta. Cada árvore pode perder alguma coisa para a sua perfeição individual de crescimento, mas todas mutuamente se auxiliam,preservando as condições de sobrevivência. O solo é preservado e sombreado e os germes necessários a sua fertilidade não são queimados, nem congelados nem destruídos com a limpeza. (Whitead, "A Ciência e o Mundo Moderno", p. 252)
Portanto, estimados Merkel, Barroso e Sarkozy, enquanto biólogos e ecólogos temos a dizer o seguinte: que a competição, conceito associado à prática humana de luta para possuir, dominar e acumular tende a excluir, destruir e exaurir, diferentemente daquilo que se tem observado em relações mutualísticas, por meio das quais a necessidade cria o novo, o bem-sucedido (MARGULIS, 2001; WHITEHEAD, 2006).


Conclusão





A precarização pode estar nos valores. Temos que dizer alto que a "guerra" EUA-China não é nossa (Europa). Mostrar também cá para fora exemplos pacíficos e construtivos de cidadãos chineses e norte-americanos que ambicionam a paz e sustentabilidade.
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