Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

1º de Maio- Os ordenadões obscenos, para memória futura

por Maria João Espadinha 09 Abril 2010

As 17 empresas cotadas no PSI-20 que já divulgaram os seus relatórios de gestão pagaram, no ano passado, 76 milhões de euros aos administradores executivos. Só os presidentes destas companhias receberam 17,3 milhões de euros entre salários fixos, bónus e prémios

Apesar de ter sido um ano pautado pela crise, esta parece não ter afectado as empresas cotadas no principal índice bolsista nacional, já que quase todos os presidentes destas companhias receberam prémios indexados aos resultados. No total, as 17 empresas que já divulgaram as remunerações dos seus conselhos de administração - ou seja, que já enviaram o relatório de gestão da sociedade ao regulador do mercado, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) - pagaram 76 milhões de euros à sua equipa de gestão.

Só os presidentes executivos destas companhias receberam 17,3 milhões de euros entre salários fixos, bónus e prémios. O 'campeão' das remunerações em 2009 foi António Mexia, presidente executivo da EDP, que auferiu um total de 3,1 milhões de euros. Destes, apenas 703 mil euros dizem respeito a salário fixo, já que o restante foi atribuído em forma de bónus anual - respeitante ao desempenho da empresa no ano anterior - e em prémios plurianuais - relativos ao cumprimento de objectivos do mandato anterior, que terminou em 2008. Este o motivo por que o total auferido por Mexia em 2009 foi quase de dois milhões de euros, superior ao recebido no ano anterior.

Também Zeinal Bava, presidente executivo da Portugal Telecom, beneficiou de prémios plurianuais devido ao fim do mandato. O gestor recebeu 2,5 milhões de euros em 2009, dos quais um milhão de bónus é referente ao seu trabalho entre 2006/2008.

Na banca, Ricardo Salgado, presidente executivo do BES, é o mais bem remunerado ao receber um milhão de euros entre salário fixo e variável. Segue-se Fernando Ulrich, presidente do BPI, que auferiu 727 mil euros. Já Carlos Santos Ferreira, líder do BCP, fica em último lugar, com 650 mil euros, já que os administradores executivos e não executivos do banco não tiveram direito a qualquer tipo de bónus ou prémio no ano passado, regra que se manterá em 2010.

Quando comparadas as remunerações das equipas de gestão com os lucros obtidos por estas empresas, os administradores da Sonaecom são os mais bem pagos, pois os quase 2,8 milhões de euros pagos aos gestores da operadora de telecomunicações correspondem a 47% dos resultados líquidos de 2009.

Das 20 empresas cotadas no PSI-20, apenas a Sonae Indústria apresentou prejuízos no ano passado. No entanto, isso não impediu a holding de Belmiro de Azevedo de premiar os seus gestores com bónus de curto e médio prazo. No total, a equipa liderada por Carlos Bianchi de Aguiar recebeu um milhão de euros em 2009.

Apesar da boa performance da maioria das empresas do principal índice nacional, há gestores que não tiveram direito a bónus ou prémios. É o caso de Carlos Santos Ferreira, presidente do BCP, como já foi referido, e ainda de Vasco de Mello, líder da Brisa, e de Ana Maria Fernandes, presidente executiva da EDP Renováveis.

No caso do responsável da concessionária nacional, foi o próprio gestor que abdicou dos seus prémios no ano passado, segundo o relatório sobre o governo da sociedade da empresa, recebendo apenas um salário fixo de quase 433 mil euros e benefícios de cerca de 60 mil euros. Já a líder da EDP Renováveis recebeu apenas, desta companhia, um salário fixo de 247 mil euros.

Trigo e Milho e Arroz, quando mais de 30.000 espécies vegetais são comestíveis...


Estudo apresentado por António Correia Almeida, no I Congreso Internacional de Educación Ambiental dos Países Lusófonos e Galicia

Enquadramento

A biodiversidade não se esgota no número de espécies existente na Terra e contempla outros tipos de variabilidade como a genética (genótipos de uma espécie),ecológica (ecossistemas) e funcional (processos bioquímicos ndispensáveis às comunidades biológicas)(1).

Mas é indiscutível que a ênfase associada à preservação de espécies é a que adquire uma maior visibilidade em muitos projectos escolares.

As razões para a preservação da biodiversidade, e consequentemente da diversidade de espécies, podem ser múltiplas. Frequentemente, a biodiversidade é encarada exclusivamente como um recurso, fruto de uma perspectiva antropocêntrica na forma de conceber a relação do Homem com a Natureza. Nesta linha, Wilson (1997) assinala que muitas espécies com importância económica potencial não chegam aos mercados, apesar de mais de 30000 de origem vegetal terem partes comestíveis e de, ao longo da história da humanidade, 7000 terem sido cultivadas. Em consequência, como assinala este autor, centramos a nossa alimentação em pouco mais do que 20 espécies e em que o trigo, o milho e o arroz têm um peso superior a 50%.
Mas este potencial utilitário da biodiversidade não tem de ser estritamente económico e pode ser assinalado numa base mais ampla, pondo por exemplo em destaque também a sua importância para a nossa integridade psicossomática. Como menciona igualmente Wilson (1984) basta lembrar que o nosso cérebro se desenvolveu num quadro de biodiversidade, pelo que a sua destruição se revela um passo arriscado para a nossa integridade, dado que o mundo natural é o mundo mais rico em informação que as pessoas jamais encontrarão. Ainda assim, as posições antropocêntricas perante a perda de biodiversidade revelam-se parciais no tratamento das diferentes espécies. Privilegiam o combate à extinção de espécies carismáticas de um ponto de vista estético ou simbólico, prova de que questões de empatia se sobrepõem a critérios de natureza ecológica.
Mas a presente crise ambiental tem fomentado o surgimento de outras perspectivas menos instrumentais na forma de olhar a natureza e, consequentemente, a biodiversidade. No quadro desta pluralidade destacam-se, para além da antropocêntrica, as perspectivas biocêntrica e ecocêntrica.
A perspectiva biocêntrica é claramente descentrada do ser humano e vê no respeito pela individualidade de cada ser o caminho que permite evitar a extinção das espécies e dos ecossistemas onde vivem. O carácter atomista das teses que se inserem nesta perspectiva conduz a alguma especificidade no modo de pensar a preservação da biodiversidade, pondo em evidência a necessidade de se manterem as condições necessárias ao florescimento de cada indivíduo. Assim, e à partida, seria de evitar qualquer interferência no ciclo de vida dos diferentes seres vivos, principalmente quando não está em causa a satisfação de necessidades básicas do ser humano. Mas, dado que algumas espécies estão reduzidas a um número diminuto de seres, esta interferência impõem-se cada vez mais e é admitida por diversos teóricos cujo pensamento se insere nesta perspectiva.(2)
A perspectiva ecocêntrica é essencialmente voltada para o mérito das espécies na manutenção do frágil equilíbrio ecológico que caracteriza o sistema Terra. Claro que a manutenção deste equilíbrio se revela igualmente vantajosa para a espécie humana, o que pode conduzir à crítica de que esta perspectiva esconde uma espécie de antropocentrismo camuflado. Mas os ecocêntricos atribuem um valor não meramente instrumental a esse equilíbrio, que para ser conseguido obriga à limitação de múltiplas actividades humanas e a um repensar da sociedade de modelo ocidental, assente no consumismo descontrolado com enormes impactos nos ecossistemas.

Metodologia

Com base neste enquadramento teórico, desenvolvemos um estudo que pretendeu averiguar como argumentam os professores dos diferentes ciclos de escolaridade não superior perante determinados temas de natureza ambiental, e assim verificar a incidência de ideias catalogáveis nas perspectivas ambientalistas já apresentadas – antropocêntrica, biocêntrica e ecocêntrica (Almeida, 2005, 2007). Para o efeito foram entrevistados 60 docentes dos diferentes ciclos de escolaridade não superior: 15 educadores de infância (Pré-Escolar), 15 professores do 1º Ciclo, 15 do 2º Ciclo e 15 do 3º Ciclo e Secundário, de escolas e jardins de infância dos distritos de Lisboa e Setúbal, e que implementam com regularidade projectos de Educação Ambiental subordinados a temáticas diversas. Entre as questões sobre as quais foram convidados a pronunciar-se encontrava-se o seguinte dilema:
Como sabe, o Homem, através das suas acções, tem sido responsável pela extinção de muitas espécies. Quando não é possível salvar um leque diversificado de espécies em perigo, quais os critérios que devemos adoptar para salvar algumas delas?
Para o tratamento das respostas considerámos dois grupos com 30 indivíduos cada: por um lado, os educadores de infância e os professores do 1º Ciclo (EI + 1º C); por outro, os professores dos 2º e 3º Ciclos e Secundário (2º C + 3º C e S). A razão principal para a constituição destes grupos decorreu da diferença entre os modelos de formação destes docentes (generalista no 1º caso, especializado no 2º) e da consequente vivência profissional marcada pelo nível etário dos alunos com que trabalham, o que poderia afectar o modo de conceber a importância da biodiversidade, aqui reduzida à dimensão da variabilidade no numero de espécies.
As respostas foram gravadas e transcritas, tendo a transcrição obedecido aos princípios metodológicos sugeridos por Seidman (1998). Este autor defende a necessidade de equilíbrio entre a apresentação textual do que foi dito e a transformação das respostas em peças elaboradas e atípicas do discurso oral. Mas considera fundamental alguma correcção para assegurar a dignidade do participante na apresentação escrita do seu depoimento.

Resultados

O dilema apresentado não se revelou de fácil resposta se atendermos às indecisões e pausas no discurso dos docentes. Houve mesmo lugar a alguns comentários reveladores da dificuldade imposta pelo dilema apresentado: “...O Homem pôr-se no papel de Deus... Armar-se em Deus e decidir é este e não é aquele... Eu sei lá!”; “Eu sinto-me desinformada sobre essa questão para poder responder melhor sobre ela, está a ver?”; “Meu Deus! Que horror! Isso é mesmo muito difícil.” Ou ainda a frase bem eloquente: “Isso é quase pôr-me num campo de concentração nazi e escolher uns quantos que vão para os fornos e outros não. Sei lá!...”
As respostas, para além das enquadráveis nas perspectivas ambientalistas citadas, obrigaram-nos a considerar duas novas categorias: respostas não qualificáveis nas perspectivas ambientalistas e incapacidade para definir critérios de escolha. Para além disso, alguns docentes expuseram ideias enquadráveis em mais do que uma perspectiva, surgindo assim respostas mistas.
Em termos de resultados, e apesar das dificuldades iniciais, apenas 2 professores da amostra acabaram por não conseguir estabelecer critérios de selecção e, curiosamente, nenhum deles foi responsável por uma das frases citadas. Os dois grupos não se diferenciaram significativamente no tipo de argumentos manifestados, o que permite considerar irrelevantes os factores que presidiram à sua constituição, para o tema em discussão.
Em termos globais, foram as respostas de teor ecocêntrico as manifestadas com maior incidência nos professores de ambos os grupos, embora com um ligeiro destaque para o 2º (18 contra 14) - quadro 1.

Quadro 1: Critérios de selecção de espécies em perigo de extinção, no caso de incapacidade humana para as salvar a todas.


CRITÉRIOS PRIORITÁRIOS NO SALVAMENTO DE ESPÉCIES

PERSPECTIVA MANIFESTADA (ARGUMENTOS)

EI + 1ºC

2ºC + 3ºC e S

Antropocêntrica (A)
√ as mais úteis em termos da sobrevivência do Homem e com potencial alimentar e medicinal
√ as de maior valor estético

4
8

1

4
5

-

Biocêntrica (B)
√ as mais necessárias à sobrevivência de outras
√ todas têm direito à vida (incapacidade em optar)

3
4
1

1
1
-

Ecocêntrica (E)
√ as necessárias ao equilíbrio dos ecossistemas ou do planeta como um todo
√ todas são necessárias ao sistema (incapacidade em optar)

14
15

1

18
19

1

Formas mistas de resposta
E + A
E + B
A + B

3
1
1

1
-
-

Formas de resposta não directamente qualificáveis
√ as que garantam o sucesso da intervenção
√ as mais raras

2
6
2

6
6
-

Não define critérios

2

-

TOTAL

30

30

Nota – Na especificação das ideias antropocêntricas, biocêntricas e ecocêntricas incluímos o desdobramento das respostas mistas. Os argumentos não directamente qualificáveis foram sempre considerados uma 2ª escolha quando surgiram outros classificáveis.

Apresentamos três exemplos representativos da argumentação utilizada.
Provavelmente tentaria inicialmente estudar, perceber quais as espécies fundamentais para o equilíbrio da Terra, e depois iria hierarquizar da mais importante para a menos importante em termos de contributo para esse tal equilíbrio e eliminaria as que fossem menos importantes. Provavelmente seria esse o processo. (EI + 1º C)
Se calhar aquela que fizesse mais falta por qualquer motivo, ou que fosse mais útil ao próprio ecossistema. Não digo apenas em termos de utilidade para o Homem... Ao funcionamento do próprio ecossistema, aquela que o fosse desequilibrar menos. (EI + 1º C)

A Terra funciona como um enorme ecossistema. E portanto qualquer extinção vai provocar desequilíbrio. Há que ter uma perspectiva global, perceber que os ecossistemas não são estanques, estão todos ligados entre si. Alguma coisa que desaparece num determinado ecossistema vai, mais tarde ou mais cedo, implicar desequilíbrios importantes noutro ecossistema. Portanto, não há ecossistemas fechados, a Terra é em si um ecossistema e, portanto, toda a extinção de animais ou plantas vai provocar desequilíbrios. Por isso escolheria as que não afectassem o funcionamento da Terra tal como o conhecemos. (2º C + 3º C e S)

Dentro da argumentação ecocêntrica destacamos ainda um docente que afirmou não conseguir optar porque todas as espécies se revelam indispensáveis para a preservação do todo. Nas diferentes respostas de teor ecocêntrico, a referência à espécie humana nem sempre esteve presente. Mas quase sempre foi possível inferir que os inquiridos a consideram uma peça do sistema que acabaria por se confrontar com os problemas decorrentes do desequilíbrio ecossistémico.
As razões de teor biocêntrico foram expressas perante esta questão com uma expressão reduzida e evocadas com uma ligeira vantagem pelos docentes do 1º grupo (3 respostas contra 1 do outro grupo). A ideia mais frequente traduziu uma escolha das espécies que melhor assegurassem a sobrevivência de outras.
É uma pergunta complicada. Mas talvez a espécie que fosse mais importante para a maior parte dos seres vivos. Para a continuidade, não só da espécie humana, porque temos muita tendência a puxar para a espécie humana, mas que fosse mais importante para a continuidade de um leque variado de espécies. (EI + 1º C)
Salientamos também neste conjunto de respostas a recusa de um dos professores, também do 1º grupo, em definir critérios de escolha por considerar que todos os seres têm o direito à vida. Explicou-nos mesmo como esta sua posição se tinha desenvolvido a partir de uma experiência negativa decorrida na infância. O relato é particularmente tocante e permite evidenciar como os acontecimentos que ocorrem durante o período do nosso desenvolvimento psicossomático se revelam fundamentais no moldar da nossa perspectiva perante o mundo.
Para mim não sei qual seria o critério utilizado. Só se fosse o pim, pam, pum. Nós somos muito levados a pensar na utilidade dos animais em relação ao Homem. Poderia ser um critério! Mas não sei se seria um bom critério. Porque os seres que não nos são úteis têm tanto direito a viver como os que no-lo são. E agora vou contar aqui uma história que vai ficar gravada mas não faz mal... Eu sou de uma terra pequenina, e na casa dos meus pais havia coelhos e galinhas e todos esses animais. E na coelheira, a porta era tão pequena, só lá cabia eu porque era pequenina, e a minha mãe mandava-me buscar um coelho para matar. E eu tenho este trauma desde essa altura. Só eu é que cabia na porta e ela mandava-me porque eu era pequenina… só eu chegava à capoeira. E qual é que eu iria levar à minha mãe? Era um dilema terrível! Porque eu olhava para eles todos e Deus me livre… Coitadinho daquele, não o levo, coitadinho do outro, também não o levo e… A partir daí faz-me muita impressão fazer uma selecção, seja do que for, e para morrer ainda por cima. Estou sempre a pensar naqueles animaizinhos a fugirem de mim e eu tinha que pegar num, porque a minha mãe obrigava-me a escolher um para o jantar. (EI + 1º C)
A argumentação exclusivamente antropocêntrica foi veiculada por 8 docentes (4 de cada grupo). A ideia mais expressa foi a da opção pelas espécies que nos sejam úteis em termos da nossa sobrevivência, traduzida pelo seu potencial alimentar e medicinal. Este tipo de argumentos esteve igualmente presente nas respostas mistas, e daí a sua frequência ter subido para 8 e 5 respostas provenientes, respectivamente, dos docentes de cada um dos grupos considerados. Nestas respostas apenas surgiu um argumento diferente proposto por um dos docentes que optou por salvar espécies que tivessem uma acção depurativa em ambientes poluídos, aspecto que considerou benéfico para o Homem no presente e para o legado de um planeta melhor às futuras gerações. Apenas um professor mencionou que escolheria as espécies com maior valor estético, embora como 1º critério tivesse optado pelas espécies que contribuíssem para o equilíbrio do planeta. Por isso, inserimos a sua resposta nas de teor ecocêntrico. Apresentamos uma das respostas de teor antropocêntrico que traduz uma escolha meramente instrumental em função das necessidades humanas.
À partida salvaria as plantas em detrimento dos animais. E vou-lhe explicar porquê: pela questão do oxigénio, era esse um critério. Depois, dentro das plantas.... Talvez as plantas que dessem fruto, porque podiam alimentar o Homem. É uma questão de sobrevivência. Pode dizer-me assim: “Mas só está preocupada com a sobrevivência do Homem?” Mas se calhar é essa a minha preocupação. Pois se é uma situação catastrófica em que a gente tem de tomar uma opção é evidente que quer preservar-se. Faz parte da nossa natureza escolher à partida uma coisa que nos vai preservar e, por isso, a escolha em primeiro lugar das plantas. Pelo oxigénio, a fotossíntese, os frutos... (2º C + 3º C e S)
Como começámos por salientar, perante o dilema apresentado surgiram algumas respostas não directamente qualificáveis nas perspectivas ambientalistas em discussão e que algumas vezes foram as únicas mencionadas pelos docentes. Neste tipo de respostas destacou-se a ideia de salvar as espécies em que fosse mais eficaz a intervenção: “Por exemplo, espécies de pássaros em que os ovos pudessem ser chocados em cativeiro...” (EI + 1º C). Inicialmente, pensámos que este tipo de pragmatismo, por preterir argumentos associados às características ou funções das espécies, poderia ser tradutor de uma concepção antropocêntrica. Todavia, um dos professores que justificou a sua escolha deste modo não deixou de manifestar a sua recusa perante critérios estéticos ou baseados no interesse económico das espécies, dando a entender que se fosse igualmente viável, face aos meios disponíveis, salvar uma espécie com interesse económico e outra sem interesse económico, não optaria necessariamente pela primeira. Entendemos ser assim necessária alguma precaução na classificação deste tipo de argumentos e optámos por inseri-los na categoria das respostas não directamente qualificáveis. Ainda nesta categoria colocámos as respostas de dois docentes do 1º grupo que sugeriram a raridade das espécies como critério. Rolston III (1994) é um dos autores que problematiza a questão da raridade das espécies (não provocada por motivos antropogénicos) associada ao seu valor. Considera que a raridade em si mesma, tal como a diversidade ou a complexidade, não constitui um indicador de maior valor. No entanto, este autor salienta que a raridade de algumas espécies tem como consequência permitir uma maior diversidade nos ecossistemas, algo que não seria possível apenas com a presença de espécies abundantes que limitariam a capacidade de suporte destas entidades holísticas. Salienta ainda que uma espécie naturalmente rara também sugere a possibilidade de uma fraca relevância em termos ecossistémicos, embora esta ideia esteja dependente de informação pormenorizada acerca das suas características funcionais. A um outro nível distinto, Rolston III associa a raridade de uma espécie ao valor experiencial que ela nos proporciona. E uma vez que algumas espécies raras são fósseis vivos podemos também admirar a sua capacidade de sobrevivência através dos tempos geológicos como uma espécie de proeza biológica que merece o nosso interesse e, porque não, o nosso respeito. Todavia, lembra que também podemos considerar benéfica a raridade de uma espécie causadora de doença. Perante esta forma de problematizar a raridade, considerámos que a sua evocação se associa mais facilmente a um interesse humano experiencial ou científico do que a razões enquadráveis nas teorizações ecocêntricas ou biocêntricas. Contudo, dado o nível elevado de generalidade com que os docentes justificaram a escolha deste critério, decidimos inclui-la na categoria já mencionada.

Conclusões

Os resultados deste estudo revelaram que os professores preteriram, de forma clara, a argumentação antropocêntrica associada à importância da biodiversidade. Uma tal conclusão parece-nos importante pelas seguintes razões: (1) A discussão da importância da biodiversidade, se bem que não tenha de omitir a sua relevância para o Homem, deve ser enquadrada num leque mais amplo de argumentos, para evitar o endoutrinamento dos jovens numa só visão do mundo. Depois, (2) porque uma forma antropocêntrica de olhar a natureza tem sido considerada como responsável pela presente crise ambiental. Ora, se a argumentação que a caracteriza tivesse sido dominante na abordagem da biodiversidade poderia indiciar que grande parte da eficácia do trabalho dos docentes que trabalham em Educação Ambiental estaria comprometido por assentar na mesma base conceptual que tem legitimado a destruição do planeta.
No entanto, apesar da incidência elevada de argumentos não antropocêntricas, os docentes não indiciaram qualquer postura anti-humana, prova de que a consideração pelo equilíbrio dos ecossistemas a isso tenha de obrigar. A postura traduziu-se sim por não separar o referido equilíbrio do bem-estar humano. Este facto traduz o que Aiken (1984) denomina de eco-compatibilismo: promover o bem do todo é, simultaneamente, satisfazer o bem de cada parte. Ora, este modo de pensar é igualmente de assinalar, uma vez que as perspectivas não antropocêntricas, com especial incidência na ecocêntrica, não têm de negar a especificidade da espécie humana no planeta, mas apenas apelam para uma postura menos predadora e mais simbiótica na relação com o planeta.

No entanto, os resultados deste estudo encerram uma importante limitação: desconhecemos os valores efectivamente transmitidos pelos docentes no decurso da abordagem do tema da biodiversidade com os seus alunos. Mas estes mesmos resultados tornam plausível pensar que uma visão instrumental da natureza pode não ser particularmente (ou exclusivamente) enfatizada. Se assim acontecer, pensamos que os professores se encontram no bom caminho para concretizar um papel imprescindível que atribuímos à Educação Ambiental e que consiste em contribuir para colocar os alunos em contacto com diferentes formas de conceptualizar a relação do Homem com a natureza.

__________________________

(1) Cf. Miller (2002, pp. 81-82)

(2) Por exemplo, a violação da regra da fidelidade proposta por Taylor (1989), e que consiste em não enganar os animais para determinados fins, é admitida por este autor quando se trata de compensar danos causados aos indivíduos e que pode mesmo estender-se aos parentes genéticos quando aqueles já não podem ser compensados.

Bibliografia:

AIKEN, William, 1984, “Ethical Issues in Agriculture”, in Tom REGAN (ed.), Earthbound. Introductory Essays in Environmental Ethics, Prospect Heights (Illinois): Waveland Press, pp. 247-288
ALMEIDA, Almeida, 2005, Concepções ambientalistas dos professores: suas implicações em Educação Ambiental, Dissertação de doutoramento, Universidade Aberta
ALMEIDA, Almeida, 2007, Educação Ambiental. A importância da dimensão ética, Lisboa: Livros Horizonte
MILLER, Tyler, 2002, Living in the Environment (12ª ed.), Belmont (Califórnia): Wadsworth Publishing Company
ROLSTON III, Holmes, 1994, Conserving Natural Value, New York: Columbia University Press
SEIDMAN, Irving,1998, Interviewing as Qualitative Research. A Guide for Researchers in Education and Social Sciences (2ª ed.), New York: Teachers College Press.
TAYLOR, Paul, 1989, Respect for Nature. A Theory of Environmental Ethics, Princeton (New Jersey): Princeton University Press.
WILSON, Edward, 1984, Biophilia. The human bond with other species, Cambridge: Harvard University Press

WILSON, Edward, 1997, A Diversidade da Vida, Lisboa: Gradiva (Publicado originalmente em inglês em 1992)


Antecipando o 1º de Maio- 10 medidas para a sustentabildade financeira portuguesa


10 medidas para a sustentabildade financeira portuguesa:

1. Suspensão do TGV, do novo aeroporto, da 3ªa travessia do Tejo e suspensão da Parque Escolar

2. Suspensão do programa das novas barragens

3. Suspensão de todas as privatizações

4. Eliminação de vários institutos e organismos públicos (onde só serviram para colocar mais gente dos partidos do Poder do que realmente mostrarem produtividade)

5. Redução do nº de deputados na AR (junte-se ao respectivo movimento no facebook)

6. Taxação das mais valias

7. Aumentar o IRC e fim das off-shores

8. Supressão de subsídios a mini (-micro) empresas

9. Congelamento de todos os prémios e bónus e limitação dos ordenados de topo (ex: ninguém na Administração vencer mais que o dobro do Presidente da República)

10. Plano de crescimento económico baseado em empresas inovadoras, viradas para a sustentabilidade ambiental e informática e um plano nacional destinado à eficiência energética e da água do País

Surprising similarities plant cells-neurons


Root apex cells versus neurons, por František Baluška and Stefano Mancuso
[para ler todo o artigo, consultar Deep evolutionary origins of neurobiology]

Recent advances in plant cell biology and neurosciences reveal surprising similarities between plants cells and neurons. They are inherently polar, with signal input and signal output poles, secrete signaling molecules via robust endocytosis-driven vesicle recycling apparatus, and are capable of sensory perception and integration of these multiple sensory perceptions into adaptive actions which serve for survival of organisms harboring these cells specialized for signaling and communication.5362 Moreover, neurons and plant cells have in common abilities to generate spontaneously action potentials which convey electric signaling across tissues of multicellular organisms (for plant cells, see refs. 63 and 64). Of course, plant cells do not extend long projections as neural axons or any similar protrusions—they do not need this as the polarized plant cells are arranged within regular cell files where pre-synaptic poles closely adhere to post-synaptic poles.53,54,65,66

In plants, neuronal features are especially prominent in root cells of the transition zone interpolated between the apical meristem and elongation region.6770 Multifunctional signaling molecule auxin emerges as plant-specific neurotransmitter which is secreted by pre-synaptic poles of the transition zone root cells and is eliciting electric responses and calcium, ROS and NO based signaling cascades at the post-synaptic domain of adjacent cells.53,65,68,69,7174

Plant neurobiology, kin-recognition, cognition and plant intelligence.
Keeping in mind the surprising neuronal achievements of bacteria and unicellular eukaryotes, it should not be a big surprise to learn that also plants show most of these features. In fact, there are several recently published, but also older, data demasking plants as sensitive organisms enjoying almost all relevant neuronal features,6368,75,76 including ‘kin-recognition’77,78 and plant-specific form of ‘intelligence’.5961 Nevertheless, plant neurobiology experiences difficult start62,79,80 which is related to deeply-rooted, almost ‘dogmatic’, view of plants as passive creatures not in a need of any neuronal processes and capabilities.79 One can trace this strong belief back to Aristoteles,81,82 who makes clear that it will be rather tough to break this spell despite the fact that one of the first attempts to rehabilitate plants was done by nobody less than Charles Darwin.83 Charles Darwin proposed that the root apex represents the brain-like anterior pole of the plant body83,84 and our recent data support this proposal strongly.53,65,68,69,85,86





Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

O calendário de actividades organizado pelo Comité Português para a Biodiversidade


Comité Português para o Ano Internacional da Biodiversidade

Para assinalar o Ano Internacional da Biodiversidade, que se comemora em 2010 por proposta da ONU, o Governo Português decidiu criar o Comité Português para o Ano Internacional da Biodiversidade, numa iniciativa conjunta dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e do Ambiente e do Ordenamento do Território, destinada a implementar um programa de actividades comemorativas a nível nacional e no âmbito da CPLP.

O Comité Português para o Ano Internacional da Biodiversidade funcionará sob a égide da Comissão Nacional da UNESCO, tendo como parceiro o Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade, e será constituído por uma Comissão de Honra, uma Comissão de Entidades Representadas e um Comité Executivo.

Entre as áreas em que se espera vir a aprofundar a cooperação entre o Comité Português e delegações representantes dos parceiros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, incluem-se as Alterações Climáticas, a Biodiversidade e as Geociências, nomeadamente, no campo da investigação e formação de estudantes e docentes da CPLP. Esta cooperação assume particular importância na prevenção dos desastres naturais, como cheias e secas, que afectam a maioria dos países em desenvolvimento e põem consequentemente em risco a prossecução dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Entre as iniciativas já previstas no âmbito das comemorações do Ano Internacional da Biodiversidade, que será lançado nos dias 21 e 22 de Janeiro, em Paris, com uma exposição itinerante, contam-se ainda um concurso a implementar nas escolas sobre «Alterações Climáticas e a Biodiversidade», um Encontro Internacional de Jovens Cientistas do Futuro e uma acção de formação destinada a professores de Cabo Verde.

Todo o calendário aqui

Próximos bioeventos aqui




Grande Reportagem de 21 Abril - Corrupção: Crime sem castigo ( ver até ao fim)


A bolha imobiliária e o crime da corrupção. Ricardo Sá Fernandes, advogado, Paulo Morais, ex-vereador do urbanismo da câmara do Porto, e Teresa Goulão, ex-presidente de uma empresa municipal de Lisboa, garantem que é fácil ser "aniquilado" na sequência de uma denúncia de corrupção. Nunca o país soube tanto sobre a anatomia deste crime. Conhecem-se as áreas de risco, sabe-se por que razões o sistema falha. Mas continua a ser um crime sem castigo.

Petição Anti-corrupção
Assine a petição para uma mudança de política relativamente à corrupção:
http://www.peticao.com.pt/anti-corrupcao


Há um site a visitar e conhecer Não Mais Corrupção . Este sítio também relata as iniciativas positivas no combate à corrupção. Porque os políticos não são todos iguais e mesmo os maus, se pressionados, podem tomar decisões positivas.


Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

Quando a energia chega ao debate político, dá nisto...


A maior central central solar do mundo: Serpa

Em 2009, o debate político da energia solar foi assim, como mostra o vídeo: dois deputados, que nem crianças birrentas no recreio, aos insultos, e ainda por cima, nada lhes acontece (pergunto-me para quê tantos deputados na Assembleia da República?)



Lembram-se?
Em 2010
Mira Amaral e compadres desatam em pânico dizer em manifesto que há um lobbying das eólicas.
Ontem e hoje o economista Luís Campos e Cunha, vem dizer para as televisões que Portugal deve suspender as 2 centrais fotovoltaicas (??), dando a entender que resultou de uma espécie de lobbying.
No mesmo dia em que o Prémio Nobel da Paz 2007, Rajendra Pachauri vem alertar que Portugal tem que investir em energias alternativas.

O Presidente do IPCC garante que "investimento em energias renováveis em detrimento das energias fósseis pode “garantir mais postos de emprego” e promover “um desenvolvimento sustentável” [notícia aqui] .


Enfim cada grupo social, venha da direita/liberal ou venha da esquerda/socialista, parece querer encontrar poderes ocultos onde não existem.

Agora neste momento mais crítico, Portugal tem que suspender desde JÁ o programa das novas barragens e concretizar em grande escala medidas de eficiência energética.



Pavilhão de Portugal 葡萄牙 na Expo Xangai 2010- paredes de cortiça

Foto: Sérgio Carvalho

O Pavilhão de Portugal, já está pronto (foto) e será inaugurado a 1 de Maio. O Pavilhão apresenta uma fachada revestida de cortiça, material nacional, reciclável e ecológico. Trata-se de um exemplo de inovação e de boas práticas ambientais que potenciam a imagem de Portugal na maior Exposição Universal alguma vez realizada. Reflecte o conceito de sustentabilidade dos edifícios das cidades contemporâneas e realça-o como elemento-chave das políticas nacionais em termos económicos e ambientais.[Mais info: aqui]

Symphony of Science - 'We Are All Connected' (ft. Sagan, Feynman, deGrasse Tyson & Bill Nye)


Lyrics:

[deGrasse Tyson]
We are all connected;
To each other, biologically
To the earth, chemically
To the rest of the universe atomically

[Feynman]
I think nature's imagination
Is so much greater than man's
She's never going to let us relax

[Sagan]
We live in an in-between universe
Where things change all right
But according to patterns, rules,
Or as we call them, laws of nature

[Nye]
I'm this guy standing on a planet
Really I'm just a speck
Compared with a star, the planet is just another speck
To think about all of this
To think about the vast emptiness of space
There's billions and billions of stars
Billions and billions of specks

[Sagan]
The beauty of a living thing is not the atoms that go into it
But the way those atoms are put together
The cosmos is also within us
We're made of star stuff
We are a way for the cosmos to know itself

Across the sea of space
The stars are other suns
We have traveled this way before
And there is much to be learned

I find it elevating and exhilarating
To discover that we live in a universe
Which permits the evolution of molecular machines
As intricate and subtle as we

[deGrasse Tyson]
I know that the molecules in my body are traceable
To phenomena in the cosmos
That makes me want to grab people in the street
And say, have you heard this??

(Richard Feynman on hand drums and chanting)

[Feynman]
There's this tremendous mess
Of waves all over in space
Which is the light bouncing around the room
And going from one thing to the other

And it's all really there
But you gotta stop and think about it
About the complexity to really get the pleasure
And it's all really there
The inconceivable nature of nature





Terça-feira, 27 de Abril de 2010

Aluno da UTAD vence Prémio Ibero-Americano Jovem Arquitecto Paisagista / 2010

Projecto propõe regresso da ruralidade a Vila Real
2010-04-07

Nélson Soares repetiu o feito de outros alunos da UTAD
Nélson Soares repetiu o feito de outros alunos da UTAD
Devolver à cidade de Vila Real a ruralidade, que ao longo dos tempos foi sendo perdida, através de um parque que, para além de pomares, vinhas e hortas, comporta um centro equestre foi a proposta do projecto que valeu ao jovem português Nélson Soares a vitória do Prémio Ibero-Americano Jovem Arquitecto Paisagista / 2010.

Este aluno do mestrado em Arquitectura Paisagista da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) foi assim declarado, pelo seu Projecto do Parque Equestre de Abambres (Vila Real), um dos melhores talentos, quer nacionais, quer do espaço ibero-americano.

Este concursointernacional, realizado pelo sétimo ano consecutivo pelo jornal Arquitecturas, pela Vibeiras e pela Urbaverde, é reconhecido pelo prestígio que lhe é conferido, tanto pelo número de participantes e pela singularidade, como pelo número de edições consecutivas e constituição do júri.

Tendo em conta o reconhecimento prestado a este concurso, Nélson Soares confessou ao “Ciência Hoje” sentir-se muito satisfeito com a distinção que lhe foi concedida. “Foi muito importante a nível pessoal e curricular [ter ganho o concurso]. É um trunfo no curriculum e, mesmo para a academia, é bom. Afinal, trata-se de uma competição ibero-americana e pelo menos algum rigor e prestígio terá”, sublinhou o jovem de 25 anos.

Orientado por Frederico Meireles Rodrigues e Laura Costa, docentes da UTAD, o projecto de Nélson Soares propõe um prolongamento do parque da cidade de Vila Real para a zona de expansão urbana, que abrange a área de Abambres, de forma a “trazer de novo as actividades rurais para o centro da cidade”, revelou o mestrando de Arquitectura Paisagista.

Recuperação da ruralidade

Projecto do parque concebido por Nélson Soares (clique  para aumentar)
Projecto do parque concebido por Nélson Soares (clique para aumentar)


De acordo com a sinopse do projecto, há uma “necessidade de intervenção no espaço público na cidade de Vila Real, nomeadamente a criação de um parque urbano com ligação ao existente Parque Corgo e a requalificação das suas frentes urbanas”.

Com este projecto, as respostas a estas necessidades são dadas, sobretudo através da devolução da ruralidade e da actividade equestre disponibilizada pelo parque. “Há pessoas da cidade que sentem falta das actividades rurais que se estão a perder no centro de Vila Real, pelo que a construção deste parque seria importante para combater a evolução que a cidade está a sofrer com a construção de prédios e mais prédios”, enfatizou o aluno da UTAD.

Quanto à temática equestre conferida a este parque pelas pistas de competição para provas internacionais e passeio a cavalo e pelo centro equestre, Nelson Soares encara-a como um “chamariz” e uma “fonte de sustentabilidade para o espaço”, na medida em que a utilização destas instalações seria cobrada.

Para além disto, este parque teria outros espaços de lazer, como café, restaurante, uma torre de observação localizada no centro do parque, uma zona de merendas junto às hortas, pomares, vinhas, entre outros.

UTAD “revalida” títulos

Pormenores do projecto (clique para aumentar)
Pormenores do projecto (clique para aumentar)
Esta vitória de Nélson Soares não foi pioneira no que concerne a discentes da UTAD, visto que já no ano passado Sérgio Pinto (recém-licenciado da academia transmontana) e Rita Salgado (ex-aluna da mesma instituição) foram os vencedores deste concurso nas categorias de “Jovem Profissional” e “Sénior”, respectivamente.

Relativamente aos outros galardoados nesta edição, destacam-se a menção honrosa atribuída à brasileira Lisandra Casagrande, da Universidade de São Paulo, pelo projecto “O Ouro como Estrutura Urbana”, na categoria destinada a jovens menores de 35 anos, assim como o “Projecto de Recuperação da Paisagem Pedreira da Madalena, em Vila Nova de Gaia”, da autoria de Cláudia Gomes, Marlene Soares, Rui Carvalho e Sílvia Gomes (Faculdade de Ciências da Universidade do Porto), que ainda que não tenha sido premiado, foi exposto entre os trabalhos destacados.

Já na categoria “Jovens Profissionais”, a equipa de Boaventura Afonso, Marta Afonso, Beatriz Duarte e Tiago Moura consagrou-se vencedora com o projecto “Ampliação do Porto de Aveiro”, sendo que Miguel Carvalho tornou-se o detentor de uma menção honrosa pelo trabalho “Espaço Transcultural – Envolvente da Igreja Matriz de Loulé”.





Plano Inclinado de 24.04.10 - Ainda bem que está no Youtube, pois para mim é uma das mais brilhantes intervenções que Paulo Guinote teve até hoje.

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Sair do Nuclear_No Weapons_No Uranium_No Waste - Eis o meu vídeo-grito já no distante 2007



Ver e ler aqui a lista dos 10 locais mais poluídos do Mundo Relatório 2007 do Blacksmith Institute, publicado em Setembro desse ano, CHERNOBYL, UKRAINE

Segunda-feira, 26 de Abril de 2010

Chernobyl- quase um milhão de pessoas morreram, são dados do novo livro, hoje que decorreu 24 anos desta tragédia


NEW YORK, New York, April 26, 2010 (ENS) - Nearly one million people around the world died from exposure to radiation released by the 1986 nuclear disaster at the Chernobyl reactor, finds a new book from the New York Academy of Sciences published today on the 24th anniversary of the meltdown at the Soviet facility.

The book, "Chernobyl: Consequences of the Catastrophe for People and the Environment," was compiled by authors Alexey Yablokov of the Center for Russian Environmental Policy in Moscow, and Vassily Nesterenko and Alexey Nesterenko of the Institute of Radiation Safety, in Minsk, Belarus.

The authors examined more than 5,000 published articles and studies, most written in Slavic languages and never before available in English.

The authors said, "For the past 23 years, it has been clear that there is a danger greater than nuclear weapons concealed within nuclear power. Emissions from this one reactor exceeded a hundred-fold the radioactive contamination of the bombs dropped on Hiroshima and Nagasaki."

"No citizen of any country can be assured that he or she can be protected from radioactive contamination. One nuclear reactor can pollute half the globe," they said. "Chernobyl fallout covers the entire Northern Hemisphere."

The Chernobyl nuclear reactor was destroyed by an explosion and fire April 26, 1986. (Photo issued by Soviet authorities)

Their findings are in contrast to estimates by the World Health Organization and the International Atomic Energy Agency that initially said only 31 people had died among the "liquidators," those approximately 830,000 people who were in charge of extinguishing the fire at the Chernobyl reactor and deactivation and cleanup of the site.

The book finds that by 2005, between 112,000 and 125,000 liquidators had died.

"On this 24th anniversary of the Chernobyl disaster, we now realize that the consequences were far worse than many researchers had believed," says Janette Sherman, MD, the physician and toxicologist who edited the book.

Drawing upon extensive data, the authors estimate the number of deaths worldwide due to Chernobyl fallout from 1986 through 2004 was 985,000, a number that has since increased.

By contrast, WHO and the IAEA estimated 9,000 deaths and some 200,000 people sickened in 2005.

On April 26, 1986, two explosions occured at reactor number four at the Chernobyl plant which tore the top from the reactor and its building and exposed the reactor core. The resulting fire sent a plume of radioactive fallout into the atmosphere and over large parts of the western Soviet Union, Europe and across the Northern Hemisphere. Large areas in Ukraine, Belarus, and Russia had to be evacuated.

Yablokov and his co-authors find that radioactive emissions from the stricken reactor, once believed to be 50 million curies, may have been as great as 10 billion curies, or 200 times greater than the initial estimate, and hundreds of times larger than the fallout from the atomic bombs dropped on Hiroshima and Nagasaki.

Nations outside the former Soviet Union received high doses of radioactive fallout, most notably Norway, Sweden, Finland, Yugoslavia, Bulgaria, Austria, Romania, Greece, and parts of the United Kingdom and Germany.

Disabled children from Belarus visiting the UK during Easter 2010 sponsored by the charity Medicine Chernobyl Belarus Special Aid Group. (Photo by Matthew and Heather)

About 550 million Europeans, and 150 to 230 million others in the Northern Hemisphere received notable contamination. Fallout reached the United States and Canada nine days after the disaster.

The proportion of children considered healthy born to irradiated parents in Belarus, the Ukraine, and European Russia considered healthy fell from about 80 percent to less than 20 percent since 1986.

Numerous reports reviewed for this book document elevated disease rates in the Chernobyl area. These include increased fetal and infant deaths, birth defects, and diseases of the respiratory, digestive, musculoskeletal, nervous, endocrine, reproductive, hematological, urological, cardiovascular, genetic, immune, and other systems, as well as cancers and non-cancerous tumors.

In addition to adverse effects in humans, numerous other species have been contaminated, based upon studies of livestock, voles, birds, fish, plants, trees, bacteria, viruses, and other species.

Foods produced in highly contaminated areas in the former Soviet Union were shipped, and consumed worldwide, affecting persons in many other nations. Some, but not all, contamination was detected and contaminated foods not shipped.

The authors warn that the soil, foliage, and water in highly contaminated areas still contain substantial levels of radioactive chemicals, and will continue to harm humans for decades to come.

The book explores effects of Chernobyl fallout that arrived above the United States nine days after the disaster. Fallout entered the U.S. environment and food chain through rainfall. Levels of iodine-131 in milk, for example, were seven to 28 times above normal in May and June 1986. The authors found that the highest U.S. radiation levels were recorded in the Pacific Northwest.

Americans also consumed contaminated food imported from nations affected by the disaster. Four years later, 25 percent of imported food was found to be still contaminated.

Little research on Chernobyl health effects in the United States has been conducted, the authors found, but one study by the Radiation and Public Health Project found that in the early 1990s, a few years after the meltdown, thyroid cancer in Connecticut children had nearly doubled.

This occurred at the same time that childhood thyroid cancer rates in the former Soviet Union were surging, as the thyroid gland is highly sensitive to radioactive iodine exposures.

The world now has 435 nuclear reactors and of these, 104 are in the United States.

The New York Academy of Sciences says not enough attention has been paid to Eastern European research studies on the effects of Chernobyl at a time when corporations in several nations, including the United States, are attempting to build more nuclear reactors and to extend the years of operation of aging reactors.

The academy said in a statement, "Official discussions from the International Atomic Energy Agency and associated United Nations' agencies (e.g. the Chernobyl Forum reports) have largely downplayed or ignored many of the findings reported in the Eastern European scientific literature and consequently have erred by not including these assessments."

To obtain the book from the New York Academy of Sciences, click here.

Fonte ENS

O Público tem um site sobre o Ano Internacional da Biodiversidade.

O lince-ibérico é a espécie de felino mais ameaçada do mundo

(PÚBLICO/arquivo)

O sítio tem uma agenda mensal e para além de notícias e documentos, existe um painel com vários profissionais de diferentes áreas expõem aqui as suas opiniões sobre o tema da biodiversidade, a partir de perguntas colocadas pelo Público

Xesús R. Jares ( in memoriam- 2008) - um ideólogo da Paz



Educar para a cidadanía democrática
Xesús R. Jares
N.º 117, Ano 11, Novembro 2002, Página n.º 31

A Guerra nunca mais
Xesús R. Jares
N.º 121, Ano 12, Março 2003, Página n.º 31

Entrevista com Xesus Jares, professor da Universidade da Coruña e coordenador do colectivo "Educadores para a Paz"
Ricardo Jorge Costa + Xesús R. Jares
N.º 123, Ano 12, Maio 2003, Página n.º 11

XVII Encontro Galego e X Galego-Portugués de educadores/as pola paz
Xesús R. Jares
N.º 133, Ano 13, Abril 2004, Página n.º 27

Educar para o desenvolvemento e a xustiza
Xesús R. Jares
N.º 110, Ano 11, Março 2002, Página n.º 43

Novo curso: tempo para a esperanza
Xesús R. Jares
N.º 138, Ano 13, Outubro 2004, Página n.º 27

Duzentos e vinte profesores no XVIII Encontro Galego-Portugués de Educadores Pola Paz
Xesús R. Jares
N.º 146, Ano 14, Junho 2005, Página n.º 27

A educación para a cidadanía no currículum
Xesús R. Jares
N.º 148, Ano 14, Agosto/Setembro 2005, Página n.º 27

Educar para a cidadania
Xesús R. Jares
N.º 150, Ano 14, Novembro 2005, Página n.º 27

Unha lei para o fomento da educación e a cultura da Paz
Xesús R. Jares
N.º 153, Ano 15, Fevereiro 2006, Página n.º 27

A violencia escolar nos medios: entender para actuar
Xesús R. Jares
N.º 162, Ano 15, Dezembro 2006, Página n.º 16

25 anos de educadores pola paz
Xesús R. Jares
N.º 177, Ano 17, Abril 2008, Página n.º 28

Pedagogia da Convivência. Sobre a indisciplina, a violência e, sobretudo, a educação para a Paz
Xesús R. Jares
N.º 173, Ano 16, Dezembro 2007, Página n.º 36

Algo mais que unha asignatura
Xesús R. Jares
N.º 172, Ano 16, Novembro 2007, Página n.º 36





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