quarta-feira, 6 de outubro de 2010

De Mãos Dadas - um momento de homenagem a Drummond







Hoje seria o aniversário do poeta Drummond (Itabira, 31 de outubro de 1902 — Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987). Lembrei-me deste poema. Entre muitos que o Mestre produziu e que mundo belo criou.


MÃOS DADAS

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou carta de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

2 comentários:

virgínia além mar vicamf disse...

Muito obrigada João por tua reflexão, este Poema De Mãos dadas me afeta(ou) desde muito.Passei em seu blog. Bonito demais


Hoje n. é dia de tristezas mas de saudades, saudades daqueles que ficam dentro do peito, em nossas veias, em nossos mais profundos pensamentos. Dia em que as sementes são lembradas nos frutos e flores.Dia de Pitangas maduras...

abraços ecologistas a todos.virgínia fulber além mar

João Soares disse...

Olá Querida Amiga!!
Muito grato por tua visita. Amei seu comentário. Beijinhos