Sábado, 31 de Outubro de 2009

Brian Eno - How Many Worlds



Thinking of a world and the light of the sun
And all the many lives that were ever begun,
Ever begun.

Our little world turning in the blue
As each day goes there's another one new,
Another one new.

How many people will we feed today,
How many lips will we kiss today,
If we wake up?

How many worlds will we ever see,
And how people can we ever be,
If we wake up?

Thinking of a world in the light of the sun
And all the many lives that were ever begun,
Ever begun.





Sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

Arte-Ambiente no Flickr- Kane Gledhill



Kane Gledhill is a Landscape and Nature Photograhper living in Brisbane Australia. Kane was born in New Zealand but moved to Australia after completing high school. Gledhill is very talanted photographer, with huge Flickr portrfolio.




Quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Philip Glass - Organic (Koyaanisqatsi)


Ainda insistindo no filme Koyaanisqatsi e no álbum homónimo de Philip Glass (ver resumo aqui), publico agora o hino à geologia, geodiversidade e às eras geológicas.




Quarta-feira, 28 de Outubro de 2009

Balanço global da acção 350 (ocorrida neste sábado) e mensagem de agradecimento do coordenador

Caros amigos,

Ontem (24 de Outubro) em Nova Iorque tive uma das mais espantosas experiências da minha vida. Enquanto eu estava ali olhando e vendo as imagens que enchiam o écran vindas de cada canto do mundo, eu vi finalmente que aspeto tem um movimento climático, e era lindo de se ver. Foi tão doce ver o dia se desenrolar pelo globo, com milhares e milhares de imagens aparecendo, por vezes uma dúzia a cada minuto! Esta tarde, nossa equipe as passou onde todo o mundo pudesse vê-las (nos maiores écrans da Times Square, no centro da cidade de Nova Iorque).

Tem fotos de alpinistas segurando cartazes da 350 bem no alto das geleiras (glaciares) da Suíça, paradas de bicicleta desde Copenhague a São Francisco, organizadores na Papuásia batendo o gongo de sua igreja 350 vezes e igrejas em Barcelona tocando seus sinos 350 vezes. Fotos de ativistas protestando contra centrais movidas a carvão e incentivando parques eólicos, estudantes com t-shirts da 350 consertando suas casas atingidas pelas cheias em Manila e de milhares de pessoas desfilando em Bogotá e Katmandu. Fotos de gente de diferentes raças e classes, religiões e nacionalidades, se unindo em torno de um simples e poderoso número, querendo salvar nosso planeta.

E todas essas fotos foram vistas em redor do mundo, em jornais de Beijing a Boston, em estações de TV de Nova Delhi a Nova Iorque, e em blogs, redes sociais, e websites por toda a internet.

Todos juntos, mostramos para o mundo que um tratado global de clima é possível e traçamos um objetivo bem ousado para as próximas reuniões de clima da ONU em Copenhague esse Dezembro. A meta dos 350 é agora a nova linha mestra para a ação climática e os líderes mundiais têm agora de ir encontro a esta meta.

Pensamos que fôssemos estar cansados depois de tantas noites sem dormir planejando esse dia, mas afinal estamos mais enérgicos que nunca. Estamos nos preparando para entregar as fotos e mensagens de vossos eventos em todas as delegações nacionais da ONU amanhã, e tencionamos entregar as fotos a ministros importantes nas próximas negociações de clima em Barcelona e Copenhaga. Por isso se você não fez ainda upload das melhores fotos de seu evento, por favor o faça imediatamente através desse link 350 Report. Ou envie eles para nós através do e-mail photos@350.org, colocando sua Cidade e País no Assunto.

Lhe agradecemos mais do que podemos dizer. Vamos (é claro) pedir a você para fazer mais um monte de coisas nas semanas que se seguem - mas hoje, se recoste, relaxe, olhe as fotos em 350.org, e saboreie seu feito. Você foi parte do mais abrangente dia de ação política que o mundo alguma vez viu. Junto com milhões de pessoas em todo o mundo, você já fez diferença para valer, e se prepare para fazer muito mais nos dias, semanas e meses que estão para vir.

Com esperança,

Bill McKibben e toda a Equipe da 350.org

Imagem: foto da acção em Lisboa, 24 de Outubro



Philip Glass - Pruit Igoe (imagens de Koyaanisqatsi)


Para conhecer melhor (ou relembrar), ver Koyaanisqatsi, numa postagem do BioTerra em 2004. Um marco no cinema experimental!




Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Curta-metragem * Animação Island,de Fyodor Khitruk, 1973


Curta-metragam muito premiada: em 1973, recebeu a Palma de Ouro do Festival de Cinema de Cannes e durante 1974 foi Melhor Curta e recebeu o Dragão de Ouro no Festival de Cinema de Cracóvia. Uma crítica assaz mordaz ao capitalismo e um hino ao ecologismo.




Segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Cartogramas de População : em Portugal e no Mundo

Estes cartogramas deformados pela representação do desequilíbrio demográfico de cada país, constituem um excelente recurso educativo e de reflexão!

Eis a lista alfabética de todos os cartogamas feitos pelo WorldMapper:

  • You can also choose the region of interest from a clickable map
  • More information on the gridded population cartograms
  • Questions? Comments? Email us at info@worldmapper.org

  • Read the list from left to right and then downwards:


    Worldmap
    Afghanistan
    Andorra (with France and Monaco)
    Argentina
    Australia
    Bahamas
    (including all Caribbean region territories)
    Belgium (with Luxembourg)
    Benin
    Bosnia Herzegovina
    Brunei Darussalam
    (with Malaysia and Singapore)
    Cameroon
    Caribbean Region
    Chile
    Comoros
    Costa Rica
    Cuba
    (including all Caribbean region territories)
    Dominica
    (including all Caribbean region territories)
    El Salvador
    Estonia
    Fiji (including other Pacific Islands)
    French Guiana
    Georgia
    Greece
    Guatemala
    Guinea-Bissau
    Honduras
    Iceland
    Iran
    Israel (with Palestinian territories)
    Japan
    Kazakhstan
    Korea, Republic (South Korea)
    Kyrgyzstan
    Latvia
    Liberia
    Lithuania
    Madagascar
    Maldives
    Malta
    Mauritius
    Micronesia (including other Pacific Islands)
    Mongolia
    Mozambique
    Nauru (including other Pacific Islands)
    New Zealand
    Nigeria
    Pakistan
    Panama
    Peru
    Portugal
    Russian Federation
    Saint Lucia
    (including all Caribbean region territories)
    San Marino (with Italy and Vatican City)
    Senegal
    Sierra Leone
    Slovenia
    Somalia
    Spain
    Suriname
    Switzerland (with Liechstenstein)
    Tajikistan
    Timor-Leste
    Trinidad & Tobago
    (including all Caribbean region territories)
    Uganda
    United Kingdom [animated version (test)]
    Uzbekistan
    Venezuela
    Yemen


    Albania
    Angola
    Armenia
    Austria
    Bahrain (with Saudi Arabia and Qatar)
    Barbados
    (including all Caribbean region territories)
    Bhutan
    Botswana
    Bulgaria
    Burundi
    Canada
    Central African Republic
    China
    Congo, Democratic Republic
    Cote d'Ivoire
    Cyprus
    Denmark (including Faroer Islands)
    Dominican Republic
    (including all Caribbean region territories)
    Equatorial Guinea
    Ethiopia
    Finland
    Gabon
    Germany
    Greenland
    Guinea
    Guyana
    Hungary
    Indonesia
    Iraq
    Italy (with San Marino and Vatican City)
    Jordan
    Kenya
    Korea, Democratic People's Republic
    (North Korea)

    Lebanon
    Libya
    Luxembourg (with Belgium)
    Malawi
    Mali
    Marshall Islands
    (including other Pacific Islands)
    Moldova
    Montenegro
    Myanmar
    Nepal
    Nicaragua
    Norway
    Palau (including other Pacific Islands)
    Papua New Guinea
    Philippines
    Qatar (with Bahrain and Saudi Arabia)
    Rwanda
    Saint Vincent & The Grendaines
    (including all Caribbean region territories)
    Sao Tome & Principe
    Serbia
    Singapore
    (with Brunei Darussalam and Malaysia)
    South Africa
    Sri Lanka
    Swaziland
    Syrian Arab Republic
    Tanzania
    Togo
    Tunisia
    Turkey
    Ukraine
    United States of America: Main USA | Full Map
    Vanuatu (including other Pacific Islands)
    Vietnam
    Zambia


    Algeria
    Antigua & Barbuda
    (including all Caribbean region territories)
    Azerbaijan
    Bangladesh
    Belarus
    Belize
    Bolivia
    Brazil
    Burkina Faso
    Cambodia
    Cape Verde
    Chad
    Colombia
    Congo
    Croatia
    Czech Republic
    Djibouti
    Ecuador
    Egypt
    Eritrea
    Falkland Islands
    France (with Andorra and Monaco)
    Gambia
    Ghana
    Grenada
    (including all Caribbean region territories)
    Haiti
    (including all Caribbean region territories)
    India
    Ireland
    Jamaica
    (including all Caribbean region territories)
    Kiribati (including other Pacific Islands)
    Kuwait
    Laos
    Lesotho
    Liechtenstein (with Switzerland)
    Macedonia
    Malaysia
    (with Brunei Darussalam and Singapore)
    Mauritania
    Mexico
    Monaco (with Andorra and France)
    Morocco
    Namibia
    Netherlands
    Niger
    Oman
    Palestinian territories (with Israel)
    Paraguay
    Poland
    Romania
    Saint Kitts & Nevis
    (including all Caribbean region territories)
    Samoa
    Saudi Arabia (with Bahrain and Qatar)
    Seychelles
    Slovakia
    Solomon Islands
    (including other Pacific Islands)
    Sudan
    Sweden
    Taiwan
    Thailand
    Tonga
    Turkmenistan
    Tuvalu (including other Pacific Islands)
    United Arab Emirates
    Uruguay
    Vatican City (with Italy and San Marino)
    Western Sahara
    Zimbabwe






    Domingo, 25 de Outubro de 2009

    Sábado, 24 de Outubro de 2009

    Pare Escute e Olhe (apresentação)


    Realizar, partilhar. São estas palavras que marcam o início desta nova caminhada na blogosfera. Três anos depois de Ainda há pastores?, chega o meu novo filme Pare, Escute, Olhe, um retrato do despovoamento de Trás-os-Montes, através da linha ferroviária do Tua, actualmente ameaçada...de morte pela construção da barragem de Foz Tua, promovida pelo governo. Não vou adiantar mais. Em nome de toda a equipa de produção que trabalhou e lutou para chegar a este momento, prefiro dar as boas vindas a todos os que irão partilhar connosco esta nova aventura que pretende chegar à última estação, o mais atrasada possível.
    Um grande bem-haja a todos.
    In Jorge Pelicano (realizador)




    Robin Guthrie and Harold Budd - Snowfall






    Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

    350 ppm e mensagem da COAGRET- Salvem o Tua

    350 ppm é considerado o limite superior aceitável para a concentração de dióxido de carbono na atmosfera. Actualmente os níveis de CO2 na atmosfera situam-se entre os 385 e 390ppm, com tendência crescente. Os sectores dos transportes e o do consumo energético nos edifícios são os que mais contribuem para este cenário. Para o novo elenco governamental fazer uma estreia com novas políticas, poderiam começar por:

    . Parar a construção de auto-estradas, em especial as paralelas a outras já existentes.

    .Introduzir em todos os automóveis em circulação um limitador de velocidade ajustado ao máximo previsto no código da estrada.

    .Incentivar e melhorar os transportes públicos, recuperando a linha férrea que reduziu de tamanho nas últimas décadas.

    .Implementar os programas de redução de consumos de electricidade em edifícios, a começar pelos locais públicos.

    . Diversificar as arborizações com espécies autóctones e proteger as florestas existentes; atribuir a prevenção e combate a incêndios a funcionários públicos em auxílio dos bombeiros e não a empresas do ramo.

    Não faz sentido invocar as alterações climáticas para justificar opções de instalação de parques eólicos ou barragens em áreas protegidas ou de importância identitária local. Ou valores de especificidade e protecção local, nomeadamente os da paisagem natural ou humanizada tradicional devem prevalecer sobre as acções de pretensa resolução de problemas globais, com aplicação de tecnologia desfasada da realidade biológica e cultural de cada sítio. Deve ser revisto o regime tarifário bonificado em vigor, para que as investidas empresariais não superem o bom senso e não se venda um estrago disfarçado de benefício ambiental, com concentração de mais valias nos mesmo grupos de interesses. É mais importante reduzir consumos do que comprar energia verde. As ofertas turísticas devem promover os valores locais e o turismo de valências eco-etno-éticas e não ser condomínios de hotelaria indiferenciada, com pacotes de artificialidade e elevados consumos de água e outros recursos, que atraem o mesmo tipo de consumidores e não os que defendem a sustentabilidade nos três vectores ambiental, social e económico. Amanhã a sociedade civil de 144 cidades do mundo vai reunir-se numa acção de sensibilização para a necessidade de um novo acordo sobre a redução de emissões de gases de estufa. Faz parte dos preparativos para o encontro de Copenhaga, em Dezembro. Lisboa e Porto aderem, com concentrações na Praça do Império e na ponte D. Luís, respectivamente (basta ver o trânsito pendular diário à volta destas cidades, para notar a intensidade da preocupação com o assunto)

    Sobre a defesa dos valores dos rios, vales e linhas férreas, ver também:

    Pare Escute e Olhe (filme de Jorge Pelicano apresentado esta semana no DocLisboa)

    Save Tua




    A importância das árvores urbanas




    Reflexão de António Silva. Vídeo por Moses Rajan, musica de David Nevue e poema de Robert Frost [poema completo aqui].
    1.Melhoram o micro-clima, aumentam o conforto urbano e diminuem os consumos energéticos:

    a) reduzem o vento

    b) aumentam o ensombramento no Verão

    c) diminuem o efeito da "ilha de calor"

    d) aumentam a humidade atmosférica no Verão

    e) reduzem o albedo


    2. reduzem a poluição atmosférica absorvendo vários poluentes em suspensão

    3. fixam CO2 e libertam O2

    4. criam micro-habitats para a fauna, em especial aves e insectos

    5. favorecem a infiltração das águas pluviais, podendo diminuir os caudais de cheia

    6. enquadram e valorizam esteticamente as estruturas edificadas

    7. dão variações de cor, forma e textura á cidade

    8. aumentam a nossa sensação de bem-estar

    9. aumentam o valor financeiro dos imóveis próximos

    10. ligam-nos à Natureza




    Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

    J .S.BACH -Air on a G String ( from Suite III ) BWV 1063 - Yo -Yo Ma, baroque cello


    Eterna.Numa magnífica interpretação de Yo-Yo Ma.




    Foto do Dia, Alterações Climáticas- Naturistas apoiam a causa 350



    view photos Uploaded on October 21, 2009
    by 350.org

    Friends at 350.org
    (original letter)

    I recently took a vacation with my two friends, Alberto Pepe (from Italy) and Gauvain Haulot (from France), to Yosemite National Park in California. We hiked the lovely half dome (all 18 miles!), taking advantage of the breathtaking views of the Yosemite Valley from the summit by snapping a few 350 shots. The next day, we stopped at the famous Glacier Point for some additional Kodak moments with the half dome in the background.

    We've attached 4 pictures (each unique in their own way) we thought you all may appreciate [at least one] to include in your arsenal for the ever-so-important fight for dramatic and urgent climate action.

    Yosemite valley attracts a lot of visitors, and our trip was no different. Some of the photo shoots were pretty efficient at attracting attention (!!), which provided us the opportunity to answer a lot of questions about 350: why 350?, 350.org, the UN convention in december, mitigating carbon emissions While We Can, and let's not forget that it's Hot Enough Already!!

    Thanks for all that you do, and we hope you like our pics! Keep fighting for climate action!

    Your Supporters,

    Chris Brosz (USA)
    Alberto Pepe (ITA)
    Gauvain Haulot (FRA)


    P.S. more pics to come from this Saturday's events!



    Alterações Climáticas- 350 Mensageiros - é já 24 de Outubro








    Sessão de Cinema Bioterra: POWAQQATSI (filme completo!)






    Cartoon do dia - Tuitar



    Clica na imagem para ampliar
    Um blogue a visitar
    Harold´s Planet




    Quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

    Greenpeace Portugal- assina a petição aos supermercados para pôr fim à comercialização de espécies de peixe de profundidade



    Os habitats do mar profundo alojam criaturas misteriosas, frágeis e de crescimento extremamente lento. Escandalosamente, fora do nosso alcance físico e visual, navios de pesca industrial de meia dúzia de países, entre eles Portugal, estão a destruir a uma velocidade estonteante estes oásis das profundezas, por um retorno económico irrisório a nível global.

    A pesca de profundidade é uma actividade inerentemente destrutiva, insustentável e ainda ineficiente. Muitas das espécies capturadas nem são utilizadas para consumo e são devolvidas ao mar já sem vida ou moribundas, enquanto os seus habitats foram irremediavelmente danificados pelo equipamento usado.
    Pede aos supermercados classificados a vermelho no 2º Ranking da Greenpeace que assumam as suas responsabilidades e garantam que não vendem espécies capturadas a grande profundidade em alto mar.

    Texto e envio da Petição

    Mais informação



    PDM: A segunda geração vem mesmo aí, mas será bom para o território?




    06.10.2009
    Clara Viana
    Dos Planos Directores Municipais, aprovados pelas câmaras e até há dois anos sujeitos a ratificação do poder central, depende em grande parte aquilo que é feito nos (dos) sítios onde os portugueses vivem, trabalham ou passam férias, quando o fazem cá dentro. Por exemplo, ter um jardim ou um prédio de sete andares à frente do local onde vive. Ou ter tido um jardim quando comprou a casa e agora ter, no seu lugar, um novo edifício.
    Mas, até hoje, só 31 das 278 câmaras de Portugal continental conseguiram concluir a revisão dos seus Planos Directores Municipais, revelou ao PÚBLICO o director-geral do Ordenamento do Território, Vítor Campos. O que significa que só 11 por cento dos municípios terão em vigor regras de gestão e ordenamento do território conformes à legislação aprovada desde 1998, alegadamente com o objectivo de travar a expansão urbanística caótica que a primeira geração de PDM ajudou a promover.

    Ao abrigo destes planos, entre 1995 e 2008 as câmaras municipais licenciaram mais de um milhão e duzentos cinquenta mil fogos (dados do INE). Mas não só. Com a habitação como principal fonte de financiamento das autarquias, as câmaras inscreveram nos seus PDM esta proposta de futuro para Portugal: aumentar em 47 por cento a área urbana existente no país. Foi este o valor (avisou que estava calculado em baixa) a que a Direcção-Geral de Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Urbano (DGOTDU) chegou no final dos anos 90, depois de ter somado os solos rurais que foram reclassificados para construção nos PDM que, na maioria do território, estão ainda em vigor.

    Um cálculo que investigadores e até governantes traduziram numa expressão que fez escola no princípio do século, já depois de aprovada a Lei de Bases do Ordenamento do Território (foi o primeiro diploma contra a maré). Diziam eles que a ser concretizada a construção prevista, Portugal poderia albergar uma população de 30 milhões de almas.

    Vítor Campos não subscreve a tese de que foram estes planos que favoreceram a explosão urbanística em Portugal. Defende que o que acontece no território é resultado das dinâmicas de desenvolvimento. Não foram os PDM que colocaram 70 por cento da população a viver no litoral, embora pudessem ter contribuído para limitar o desastre: Se existissem planos bem feitos - o que não é verdade na maioria dos casos, aquelas pessoas continuariam a viver ali, mas em melhores condições.

    Admite, contudo, que o somatório da expansão urbana prevista nos planos é excessiva para o país que temos. Como a prática se encarregou de provar. Apesar de terem sido concluídos também mais de um milhão de fogos, a taxa de execução das áreas de expansão urbana tem sido de dois por cento ao ano. Ou seja, ao fim de 10 anos de vigência dos PDM, foram ocupados, em média, só 20 por cento do previsto, revela.

    Novos planos em avaliação

    Pode ser uma boa notícia para o futuro da paisagem e da qualidade de vida e segurança dos cidadãos, agora que, e depois de ter sido por várias vezes anunciada em vão, está aí a chamada segunda geração de PDM.

    Há mais 201 municípios do Continente em fase de revisão dos seus planos, que, alegadamente, terão de obedecer ao que a lei determina desde o final dos anos 90 - que a classificação do solo como solo urbano tem carácter excepcional.

    E que, ao contrário do que sucedeu com a primeira geração, elaborada sem que existisse legislação que definisse estratégias de desenvolvimento do território, terão de se subordinar às orientações de sentido contrário agora expressas na lei. Ideias centrais: compactar, concentrar, de modo a evitar a expansão urbana desordenada e rentabilizar infra-estruturas e equipamentos.

    Mas será que os PDM revistos traduzem estas novas directrizes? A resposta oficial poderá ser conhecida lá para meados de 2010, depois de a DGOTDU concluir a análise de todos os planos que entraram em vigor desde Setembro de 2007.

    É o caso de Viana do Castelo, por exemplo. No anterior plano libertou mais 3644 hectares para construção que, a terem sido ocupados, levariam para o município mais 142.560 habitantes. No novo voltou a aumentar em onze por cento a área de solo urbano.

    Associações ambientalistas, como a Quercus, têm denunciado que, na maioria dos casos, a revisão tem consagrado os perímetros de expansão urbana e os atentados contra as Reservas Ecológica e Agrícola. Já Vítor Campos mostra-se relativamente optimista. Quanto mais não seja porque os cidadãos se mobilizam e têm hoje uma maior consciência do valor do território. Mas também por causa de uma certa desmistificação do que é o desenvolvimento. Em Portugal, uma auto-estrada ou um nova urbanização já não são vistas obrigatoriamente como exemplos de progresso.

    A hora dos tribunais

    A Provedoria da Justiça, a Direcção-Geral do Ordenamento do Territórios e as Comissões de Coordenação Regionais celebraram este Verão um protocolo em que se comprometem a denunciar ao Ministério Público qualquer situação de ilegalidade detectada nos planos directores e outros instrumentos de gestão do território das câmaras, revelou o responsável da DGOTDU, Vítor Campos. No protocolo também se comprometem a ajudar o MP nas suas investigações.

    Esta medida decorre da transferência de responsabilidades para os municípios consagrada na legislação aprovada nos últimos dois anos. A ratificação dos Planos Directores pelo Governo deixou de ser obrigatória e os pareceres da administração central perderam o seu carácter vinculativo. Agora, se existirem dúvidas, são os tribunais que decidem, justifica Vítor Campos.

    A simplificação dos processos de controlo poderá também contribuir para agilizar a revisão dos planos camarários. Por exemplo, Segundo o secretário de Estado do Ordenamento do Território, é agora possível concluir a revisão de um PDM em dois anos. Nalguns municípios este processo arrasta-se há mais de 10 anos. E em cerca de 52 por cento dos casos foi lançado já depois de se ter esgotado o prazo legal. O Porto atrasou-se dois anos. Em Oeiras, Coimbra, Barreiro, Setúbal, entre outros, a revisão só foi lançada quando o prazo de validade dos seus PDM (10 anos) se tinha esgotado há quatro ou cinco anos.




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