Domingo, 31 de Maio de 2009

Desaine Social _Uma Nova Mensagem_Uma Nova Comunicação_Uma Esperança


Creio que estamos a viver a emergência de novos desaines sociais. Eis o vídeo (em cima) e o sítio inspiradores Social Design Site

Quase em simultâneo tinha lido, recentemente, as 10 maneiras de mudar o mundo através dos mídia sociais e modos de viver mais verde (em inglês muito perceptível), por Max Gladwell



Jan Garbarek/ Brahem/Hussain - Sull Lull


Dia de Sol - bom domingo! Sugestão: Serralves 20 anos e em FESTA



Sábado, 30 de Maio de 2009

Entre 70 a 80 mil professores!! Sócrates (isto é, José Sousa) finge que não cede

Já não convence mesmo na TV. Sócrates estava nitidamente zangado. Vi também imagens da MLR. Desgastada, ao contrário dos milhares de Professores na Av. da Liberdade. Quem melhor do que eu, Ramiro Marques está a fazer um trabalho de recolher as reportagens da terceira manifestação em apenas um ano lectivo! É obra.

Francisco Louçã, do Bloco de Esquerda, Ilda Figueiredo, da CDU e Diogo Feio, do CDS-PP, também estiveram presentes na manifestação desta tarde.



Hoje é a Festa da Democracia, com FAUSTO - Grande Grande é a Viagem - 1990 - Ao Vivo






Grande músico Português. Dedico esta postagem aos Professores do meu País, que engrandecem a Democracia juntando vozes e amores por uma Educação digna e contra uma Escola empresarial!
Uma vez mais todos à Festa!


Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Santana Castilho (2)- Educação e política de Sócrates


Quem é Santana Castilho

Manuel Henriques Santana Castilho é professor coordenador da Escola Superior de Educação de Santarém, onde lecciona cadeiras dos últimos anos em diferentes licenciaturas, na área da Gestão. Foi o primeiro professor coordenador do quadro da instituição, que dirigiu durante nove anos, e na qual foi também presidente do conselho científico.

Foi presidente do Instituto Politécnico de Setúbal e membro do VIII Governo Constitucional. Tem vasta obra publicada e é cronista do Público e director da revista de politica educativa Pontos nos ii. Como consultor e formador, tem trabalhado para muitas das maiores empresas portuguesas e para o Banco Mundial e União Europeia [Fonte: O Ribatejo]





Santana Castilho (1)- Carta Aberta à Ministra da Educação

Carta aberta à ministra da Educação
Público, 13.05.2009, Santana Castilho

O Ministério da Educação devia passar a chamar-se Ministério da Certificação e das Novas Oportunidades

Senhora ministra: Dentro de poucos meses partirá para um exílio dourado. Obviamente que partirá, seja qual for o resultado das eleições. É tempo de lhe dizer, com frontalidade, e antes que o ruído da campanha apague o meu grito de revolta, como a considero responsável por quatro anos de Educação queimada. Este qualificativo metafórico ganhará realismo à medida que aqui for invocando os falhanços mais censuráveis, alguns apenas, dos muitos que fazem de si, politicamente, uma predadora do futuro da escola pública. Se se sentir injustiçada, tenha a coragem de marcar o contraditório, cara a cara, onde e quando quiser, perante professores, alunos, pais e demais cidadãos votantes. Por uma vez, sairia do ciclo propagandístico em que sempre se moveu.
A senhora ministra falhou estrondosamente com o sistema de avaliação do desempenho dos professores, a vertente mais mediática da enormidade a que chamou estatuto de carreira. A sua intenção não foi, nunca, como lhe competia, dignificar o exercício de uma profissão estratégica para o desenvolvimento do país. A senhora anda há um ano a confundir classificação do desempenho com avaliação do desempenho e demonstrou ignorar o que de mais sério existe na produção teórica sobre a matéria. Permitiu e alimentou mentiras inomináveis sobre o problema. O saldo é claro e incontestável: da própria aberração técnica que os seus especialistas pariram nada resta. Terá os professores classificados com bom, pelo menos, exactamente o que criticava quando começou a sua cruzada, ridiculamente fundamentalista. A que preço? Coisa difícil de quantificar. Mas os cacos são visíveis e vão demorar anos a reunir: o maior êxodo de todos os tempos de profissionais altamente qualificados; a maior fraude de que há memória quando machadou com critérios de vergonha carreiras de uma vida; o retorno à filosofia de que o trabalho é obrigação de escravos. Não tem vergonha desta coroa? Não tem vergonha de vexar uma classe com a obrigação de entregar objectivos individuais no fim do ano, como se ele estivesse a começar? Acha sério mascarar de rigor a farsa que promoveu?
A senhora ministra falhou quando fez aprovar um modelo de gestão de escolas, castrador e centralizador. Não repito o que então aqui escrevi. Ainda os directores estão a chegar aos postos de obediência e já os factos me dão razão. Invoco o caso do Agrupamento de Santo Onofre, onde gestores competentes e legalmente providos foram vergonhosamente substituídos; lembro-lhe a história canalha de Fafe, prenúncio caricato de onde nos levará a municipalização e a entrega da gestão aos arrivistas partidários; confronto-a com o silêncio cúmplice sobre a suspensão arbitrária de um professor em Tavira, porque o filho do autarca se magoou numa actividade escolar, sem qualquer culpa do docente. Dá-se conta que não tem qualquer autoridade moral para falar de autonomia das escolas?
A senhora ministra falhou quando promoveu a escola que não ensina. Mostre ao país, a senhora que tanto ama as estatísticas, quanto tempo se leva hoje para fazer, de uma só tirada, os 7.º, 8.º e 9.º anos e, depois, os 10.º, 11.º e 12.º. E sustente, perante quem conhece, a pantomina que se desenvolveu à volta do politicamente correcto conceito de escola inclusiva, para lá manter, a qualquer preço, em ridículas formações pseudoprofissionais, os que antes sujavam as estatísticas que a senhora oportunistamente branqueou. Ouse vir discutir publicamente a demagogia de prolongar até aos 18 anos a obrigatoriedade de frequentar a escola, no contexto do país real e quando estamos ainda tão longe de cumprir o actual período compulsivo, duas décadas volvidas sobre o respectivo anúncio. Do mesmo passo, esclareça (ainda que aqui a responsabilidade seja partilhada) que diferenças existem entre o anterior exame ad hoc e o pós-moderno mais de 23, para entrar na universidade. Compreendo, portanto, que no pastel kafkiano a que chamou estatuto de carreira não se encontre o vocábulo ensinar. Lá nisso, reconheço, foi coerente. Só lhe faltou mudar o nome à casa onde pontifica. Devia chamar-se agora, com propriedade, Ministério da Certificação e das Novas Oportunidades. Não tem remorsos?
A senhora ministra falhou rotundamente quando promoveu um estatuto do aluno que não ajuda a lidar com a indisciplina generalizada; quando deu aos alunos o sinal de que podem passar sem pôr os pés nas aulas e, pasme-se, manifestou a vontade de proibir as reprovações, segundo a senhora, coisa retrógrada. A senhora ministra falhou quando defendeu uma sociedade onde os pais não têm tempo para estar com os filhos. A senhora ministra falhou quando permitiu, repetidas vezes, que crianças fossem usadas em actividades de mera propaganda política. A senhora ministra falhou quando encomendou e pagou a peso de ouro trabalhos que não foram executados, para além de serem de utilidade mais que duvidosa. Voltou a falhar quando deslocou para os tribunais o local de interlocução com os seus parceiros sociais, consciente de que o Direito nem sempre tem que ver com a Justiça. Falhou também quando baniu clássicos da nossa literatura e permitiu a redução da Filosofia. Falhou ainda quando manipulou estatisticamente os resultados escolares e exibiu os que não se verificaram. Falhou igualmente quando votou ao abandono crianças deficientes e professores nas vascas da morte. Falhou, por fim, quando se deixou implicar no logro do falso relatório da OCDE e no deslumbramento saloio do Magalhães.
Por tudo isto e muito mais que aqui não cabe, a senhora é, em minha opinião, uma ministra falhada. Parte sem que eu por si nutra qualquer espécie de respeito político ou intelectual. Professor do Ensino Superior

Amanhã é a Manifestação dos Professores. Livres e enchendo a Av. da Liberdade!


Quinta-feira, 28 de Maio de 2009

A verdade sobre as políticas educativas de José Sócrates e Maria de Lurdes Rodrigues - colectânea de vídeos

1ª Parte


2ª Parte


3ª Parte


30 de Maio, todos os Professores à Manifestação, e sempre mobilizados!


I Congresso Internacional de Sincronização com o Planeta Terra


Foi na Primavera de 2008 que surgiu a Luís Resina, a ideia de realizar um Congresso Internacional ligado à influência que o pensamento colectivo possa vir a ter na interacção com os Ciclos da Mãe Terra.
O propósito deste evento, é não só realçar a dinâmica do nosso planeta com o Sistema Solar, mas também sublinhar o papel determinante do Homem na relação com o seu eco sistema. Iremos dar relevo ao papel da Consciência como agente transformador da vida. Como diriam os antigos Sábios a energia segue o pensamento, em linguagem moderna, os Novos Filósofos que surgiram da Física Quântica diriam que a Consciência seja ela Cósmica ou Humana, é portadora e co-criadora da Realidade. Se soubermos reconhecer o sentido das Leis Cósmicas presentes em todos os organismos vivos, então podemos começar a construir um futuro mais harmónico no agora, sincronizando a Consciência com a Intenção criativa.

Saibam mais em Congresso Terra 2009




Gerês, Reserva Mundial!











Foto e Texto de Miguel Pimenta.

O Parque Internacional Gerês-Xurés integra desde 26 de Maio a rede de Reservas da Biosfera da Unesco, pela riqueza florestal, pela importância dos ecossistemas e pelo alto nível de espécies endémicas.
Eu sei que sou suspeito, mas não posso deixar de felicitar a Maria de Lourdes Santarém pelo trabalho notável que teve na elaboração da candidatura. Afinal valeram a pena as noites mal dormidas!

Quarta-feira, 27 de Maio de 2009

Campeiam os Vampiros: a Lavagem Verde da EDP


Ler as opiniões de Daniel Conde: EDP: Sinta a Nossa Hipocrisia e de Alice Valente: Electricidade e o Futuro das Barragens.









Já viram como Mexia o dedinho?




Campeiam os Vampiros: Dias Loureiro



Dias Loureiro faz parte daquele imaginário cultural enfermo português dos fulanos (que se julgam) muy machos, estilo el señores e que se pavoneiam numa fanfarra de respeitabilidade bacoca. Imaginário transversal aos burgueses tão sarcasticamente descritos por Eça de Queirós. Prisão com eles e mea culpa daqueles que se deixam enganar pelas aparências ou eventualmente mostraram medos destes el señores.
Por isso também desejo a Cavaco que goze as férias da terceira idade, mas do seu bolso, e deixe em paz os cidadãos portugueses honrados.







David Bowie, Seu Jorge e Michel Onfray - Rebel Rebel




Em A Política do Rebelde , Michel Onfray aborda o encontro da felicidade, pela vertente política. Aqui surge, magnificada, a figura do rebelde cujo génio colérico o leva, através da história, ao irreprimível desejo de revolução. Uma mística de esquerda? Com certeza. Com os seus antepassados anarquistas. Com a sua tão actual vontade de reencantar um mundo submetido ao economicismo. Com o seu ideal de prazer oposto a esse ideal ascético que a direita não deixa de celebrar. Retomando a história no capítulo onde, pela última vez, a esquerda manifestou este singular génio, Michel Onfray propõe uma conclusão do Maio de 68 que reconsidera à luz de um fim de século convencido da morte das ideologias colectivas. Neste verdadeiro elogio da não submissão, descobrir-se-ão ocasiões para voltar a dar à força um estatuto político sob as formas de desobediência, de resistência, de insubmissão e de insurreição.




Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Professores: encontramo-nos Sábado


1) Este governo desfigurou a escola pública. O modelo de avaliação docente que tentou implementar é uma fraude que só prejudica alunos, pais e professores. Partir a carreira docente em duas, de uma forma arbitrária e injusta, só teve uma motivação economicista, e promove o individualismo em vez do trabalho em equipa. A imposição dos directores burocratiza o ensino e diminui a democracia. Em nome da pacificação das escolas e de um ensino de qualidade, é urgente revogar estas medidas.
2) Os professores e as professoras já mostraram que recusam estas políticas. 8 de Março, 8 de Novembro, 15 de Novembro, duas greves massivas, são momentos que não se esquecem e que despertaram o país. Os professores e as professoras deixaram bem claro que não se deixam intimidar e que não sacrificam a qualidade da escola pública.


3) Num momento de eleições, em que se debatem as escolhas para o país e para a Europa, em que todos devem assumir os seus compromissos, os professores têm uma palavra a dizer. O governo quis cantar vitória mas é a educação que está a perder. Os professores e as professoras não aceitam a arrogância e não desistem desta luta: sair à rua em força é arriscar um futuro diferente. Saír à rua, todos juntos outra vez, é o que teme o governo e é do que a escola pública precisa.
Por isso, encontramo-nos no próximo sábado[Fonte: MUP]

Front 242 / MorF - Could I Love a Pair of Wings


Provocação* Equilíbrio* Expectativa* Neurorede* Projecto* Dança* Realidade* Filosofia* Alvo* Energia

Estou a precisar desta vitamina agreste. Male or Female (MorF), um projecto lateral dos Front 242, produzido pela Dance 51. Voltarei a falar deste projecto.


"Arena" de João Salaviza, jovem realizador Português que venceu Palma de Ouro 2009 em Cannes


O filme, uma ficção de 17 minutos, centra-se em Mauro, um rapaz que está a cumprir pena em prisão domiciliária e que enfrenta o dilema de transgredir a lei para acertar contas com um grupo de miúdos marginais.

Explicado pelo próprio realizador:
Mais do que captar as transformações de um lugar, interessa-me a tensão dos momentos em que nada se altera.
Ao filmar o Mauro em prisão domiciliária confrontei-me com a condição de um homem que não tem para onde ir. Segui esta ideia, desde o guião até à montagem.

A justiça é uma coisa furtiva como um ladrão na noite. Agustina Bessa-Luís




Gerês (2)

Calcedónia, Gerês (foto gentilmente cedida por Miguel Brandão Pimenta)

Subida à Calcedónia, uma das coroas de glória cá da serra. A tarde estava como um veludo, e as fragas amolecidas pela luz. Pareciam broas de pão a arrefecer. Do alto, a paisagem à volta era dum aconchego de berço. Muros sucessivos de cristas (círculos concêntricos de esterilidade) envolviam e preservavam a solidão, e mais uma vez me inundou a emoção de ter nascido nesta pequena pátria pedregosa que é Portugal.
[Torga, 1952
]




Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

Europeias 2009 - O Iberismo de Sócrates e Zapatero, o TGV e a Refinaria perto do Guadiana


Alda Macedo vs. ministro Ambiente: Refinaria Balboa pode afectar Guadiana (Abril de 2009)


Nas notícias:
Depois de discursarem em Valência, José Luis Zapatero e José Sócrates... rumaram a Coimbra. Na cidade portuguesa, os líderes socialistas ibéricos participaram
Expresso - 116 artigos relacionados »

Pois, pois.TGV Lisboa-Madrid é para Zapatero e toda el red socialista e compadres entrarem por Portugal dentro ainda mais rapidamente. Mais: Alqueva, Rio Guadiana e Alentejo em perigo com a prevista construção de uma refinaria perto de Badajoz? Ai, estas engenharias vão ficar-nos bem caro. Deixo-vos aqui um jogo que circulou imenso em 2007. Lembram-se?
Estejam alertas com estas Europeias e o que Sócrates (ie, o Sousa) e o Zapatero não dizem em frente às câmaras.A sua Europa não quero, não.



Gerês (1)


Serra da Peneda, 13 de Maio de 2009 (foto gentilmente cedida pelo autor)

Tantas vezes me tenho lembrado da paciência deste carvalho!Porque não faço eu como ele, e espero calmamente pelo que há-de vir, bom ou mau, triste ou alegre, mas inevitável? O milagre de uma serenidade assim, nem passiva nem agónica, apenas atenta e disponível, seria na minha vida o começo de uma redenção. Talvez até o livro ideal, tão repetida e baldamente escrito, e sempre melancolicamente destruído, me surgisse claro e perfeito na imaginação. [Torga, 1955]






Miguel Brandão Pimenta espelha, nas suas fotografias, uma profunda paixão pelo Gerês. O texto de Miguel Torga acentua a linguagem da imagem, num colar de mensagens em defesa deste tesouro natural.




Domingo, 24 de Maio de 2009

Delação na sala de aula



23.05.2009, Manuel Carvalho, no Público

O episódio de Espinho é mais uma peça de um puzzle que gradual e paulatinamente vai corroendo o amor-próprio e a personalidade da docência.

Numa semana, os professores recebem um manual de instruções para conduzir as provas de aferição que os coloca uns furos abaixo da indigência mental; na outra, ficam a saber que uma aluna pode gravar clandestinamente o que se passa na sala de aula e usar o material ilegalmente obtido como prova de inaptidão para o exercício das suas funções. Depois de dois anos de uma terrível guerra de nervos iniciada com o estatuto e aprofundada pela avaliação, os professores, principalmente do ensino público, têm cada vez mais estímulos para a descrença e a desmotivação. Por muita razão que a ministra tenha em algumas das suas reformas, e tem--na, pelo menos, ao nível da urgência e do conceito de avaliação, a soma de grandes afrontas e de pequenos ataques de que têm sido alvo os docentes ameaça desfazer o que resta de empenho e sentido de serviço público na classe.
Por uma vez, era bom que o caso de Espinho pudesse ser visto de uma forma global e não se resumisse à análise dos devaneios de uma professora que, manifestamente, merece ser punida pelo que disse na aula ou pelo que aí insinuou sobre matérias do foro privado das suas alunas. Encerrado, e bem, este caso com um processo disciplinar, esperava-se que o Ministério da Educação se preocupasse com o outro lado da questão: o método usado pelas alunas e assumido pelas suas encarregadas de educação. Ora, que se saiba, não haverá ao nível da escola nem da direcção regional qualquer diligência, o mínimo gesto, a mínima palavra de censura pelo acto. O que, para os cidadãos e, principalmente, para os professores, quer apenas dizer uma coisa: que a espionagem clandestina do que se passa na aula, o recurso a tecnologias para instigar a delação é um método que não causa o mínimo arrepio à tutela.

Haverá certamente quem se apoie no nexo de causalidade para justificar o emprego de gravadores digitais ocultos nas mochilas. Afinal, os resultados estão à vista: sem as declarações gravadas, jamais alguém poderia acreditar que uma professora, aquela professora, fosse capaz de proferir tantos disparates e tantos insultos à dignidade dos alunos. Mas, resolvida a situação a favor dos pais revoltados e das alunas insultadas, o problema principal que agora se coloca tem a ver com o futuro. Doravante, o recurso a gravações clandestinas que não têm qualquer valor probatório em sede de processo na justiça ordinária (exigem autorização de um juiz), passa a ser legitimado nas salas de aula. Os momentos de descontracção, de diálogo franco e aberto, de proximidade entre professor e aluno estarão condenados a desaparecer das nossas escolas. Nenhum professor deixará de ter medo ao pensar no fantasma da gravação oculta sempre que arriscar sair da matéria oficial para fazer o que lhe compete: abrir horizontes aos seus alunos.
Pode parecer um cenário excessivo, mas o facto é que o episódio de Espinho é mais uma peça de um puzzle que gradual e paulatinamente vai corroendo o amor-próprio e a personalidade da docência. A menos que queiramos professores-funcionários, apenas autorizados a ditar sebentas ou a transmitir sumários, não se pode estar de acordo com as instruções do ministério que os transformam em aprendizes ou a legitimação por falta de censura de gravações ocultas nas salas de aula. Se não for pelo clima de intimidação e medo que pode gerar nos docentes, ao menos haja o bom senso de as condenar por estimularem os alunos a cultivar práticas pidescas. Querer resumir o incidente à condenação da professora é por isso um insulto a todos os que consideram a bufaria um daqueles vírus que a escola tem o dever de extirpar dos hábitos dos jovens.



A Ouvir Amália e Natália Correia- Amores eu Tenho


O Amor está no Ar! Duas grandes Mulheres e um excelente vídeo de Catarina.





Sábado, 23 de Maio de 2009

Manteigas ganha ECO XXI- o que é o ECOXXI?


Preciso mesmo de boas notícias. Esta semana foi quase desastrosa, com tanto trabalho, correcção de testes, difícil relação entre os colegas de trabalho, a contestação às políticas do Ministério da Educação e do Ambiente. Mas uns bons momentos com a minha família e a moral está retemperada novamente. Precisava de férias, mas como muitos Portugueses, não tenho dinheiro, mesmo para ir outra vez à Serra da Estrela. Vou sonhando, mas se as férias viessem agora, acreditem eram merecidas. Infelizmente só as terei em Agosto.

O que é o EcoXXI?
O ecoXXI é um projecto destinado aos municípios que visa distinguir as boas práticas no sentido da sustentabilidade desenvolvidas a nível local, com especial ênfase nos aspectos relativos à qualidade ambiental e às práticas de educação para a sustentabilidade.

Inspirado nos objectivos da Agenda 21, procura, através de um sistema de 23 indicadores e diversos sub-indicadores, avaliar diversas vertentes da sustentabilidade desde a gestão de recursos, à informação aos munícipes passando pela energia, mobilidade, floresta, resíduos, conservação da natureza e biodiversidade, turismo, ordenamento do território, qualidade do ar e da água, agricultura sustentável, emprego, etc.




Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Educação Ambiental no Youtube: Cathy Fitzgerald (Irlanda)


Pessoas fazem maravilhas exibindo, através de multimeios à disposição neste e-mundo, caminhos de sustentabilidade. Pessoas não só mostrando os seus talentos, mas criando projectos colectivos como é o caso de Cathy Fitzgerald. Deixa-nos um importante testemunho filmográfico de comunidades que labutam diaria e a longo prazo por práticas mais sustentáveis, neste caso na Irlanda. Os documentários, curtos, são de uma ternura encantadora e entusiasmo contagiante, não só da Cathy bem como dos interlocutores e projectos mostrados.



Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

60 mil professores recusaram entregar os objectivos individuais


ProfAvaliação: 60 mil professores recusaram entregar os objectivos individuais

A ministra da educação acaba de anunciar que a reforma da avaliação dos professores foi ganha. E justifica: entregaram os objectivos individuais 70 mil professores. E dos que entregaram os objectivos individuais, 30% pediram aulas assistidas, candidatando-se, dessa forma, às menções de Excelente e Muito Bom. Vamos lá fazer contas! Há 140 mil professores. Se descontarmos os que estão prestes a reformar-se e, por esse motivo, estão isentos do processo de avaliação de desempenho, houve mais de 60 mil resistentes. É obra! Um pouco mais do que eu julgava. Apesar das ameaças, dos telefonemas, dos emails e das perseguições, ainda houve 60 mil que disseram que não. Continuo a não perceber por que razão a Plataforma Sindical optou por formas de luta tão tímidas. E sobretudo não entendo por que razão andou quase todo o 2º trimestre a dormir. Será que a unidade da Plataforma Sindical justifica a timidez das formas de luta? Apesar disso, considero que uma grande manifestação nacional, no dia 30 de Maio, é uma forma de desgastar um pouco mais o PS. Um PS que está isolado muito por efeito do Compromisso Educação que os movimentos independentes de professores, APEDE, MUP e PROmova, estão a construir com todos os partidos da oposição. Só em Outubro se saberá quem vai ganhar: se Sócrates ou os professores. Se o PS sair derrotado em Outubro, tal significará uma enorme vitória dos professores e o fim do pesadelo imposto pela divisão da carreira em duas categorias e um sistema de avaliação de desempenho injusto, burocrático e inútil. E já agora: talvez valha a pena pensar na possibilidade de apelar aos 60 mil resistentes que entreguem apenas um relatório crítico idêntico ao que se faz há muitos anos.
Comentários

30 Maio vamos encher a Av. da Liberdade, livres, com os nossos pluralismos, mas unidos em defesa da Escola Pública e dignificação de Ser Professor!


O Filme Home- estreia mundial no dia 5 de Junho

1ª Parte desta postagem retirada do blogue da minha Amiga Alexa


Em cerca de 200.000 anos de existência, o Homem conseguiu romper o equilíbrio concebido durante perto de 4 milhões de anos de evolução da Terra.

O preço a pagar é muito elevado, mas já é tarde demais para sermos pessimistas: restam apenas 10 anos à humanidade para inverter esta tendência, tomar consciência da exploração desmesurada das riquezas da Terra que temos vindo a efectuar e alterar o nosso modo de consumo.

Muito mais do que um filme, HOME será um acontecimento mundial: pela primeira vez na história, esta longa metragem de Luc Besson, será lançada gratuitamente e em simultâneo em mais de 50 países, sob todos os suportes (cinema, TV, DVD e na internet).

HOME fala de mudanças climáticas, desertificação de solos agrícolas e do nível das águas; transpondo para o grande écran as fotografias da série La Terre vue du Ciel de Yann Arthus-Bertrand (livro que ilustra o estado em que se encontra o planeta, mas mostra que ainda há maneiras de salvá-lo).

Patrocinado pelo grupo de luxo PPR (que detém marcas como Saint Laurent, Balenciaga e Gucci); a verba arrecadada após a estreia do filme será transferida para a associação Good Planet, que luta pela protecção do meio ambiente.

A emissão de gases poluentes gerada pela produção deste filme será compensada através do apoio a projectos ambientais da Action Carbone, ONG especializada em compensação e créditos de carbono.

Encontro marcado com o Planeta a 5 de Junho!

2ª Parte - Comentários
Sem dúvida que Yann Arthus-Bertrand é um excelente fotógrafo e com a mão de Luc Besson será um grande alerta.
E há mais: de acordo com Richard Leaky e Roger Lewin, em Sixth Extinction, as extinções provocadas pelos seres humanos podem ter atingido um número 120 mil vezes mais elevado que as extinções naturais.



Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

A Ouvir Miriam Makeba- N'Kosi Sikeleli Africa (Deus Abençoe África)


N'Kosi Sikeleli Africa é o Hino do Congresso Nacional Africano
Nkosi Sikeleli Africa
Malup hakanyiswu phondolwayo
Yiswa imithanda zo yethu
Nkosi Sikelela
Thina lusapolwayo

Nkosi Sikeleli Africa
Malup hakanyiswu phondolwayo
Yiswa imithanda zo yethu
Nkosi Sikelela
Thina lusapolwayo

Morena boloka setjaba sa heso
O fedise dintwa le matshwe ne ho
Morena boloka setjaba sa heso
O fedise dintwa le matshwe ne ho
O seboloke
O seboloke morena
O seboloke
Se tjaba sa heso
Se tjaba sa Africa




Terça-feira, 19 de Maio de 2009

Ancient Forest Destruction- um filme de Julien Temple


Video postado por GreenpeaceUK (obteve Prémio Panda 2002)

Este filme inicia-se com uma família humana com o actor Andy Serkis (Gollum em Senhor dos Anéis) e Emma Fielding (Private Lives, Londres), enfrentando a aterradora destruição da sua casa por serras-eléctricas e grandes máquinas. Esta cena é, até então, sobreposta por uma incrível paisagem exótica das florestas remanescentes com sua real destruição.

No que diz o narrador Ewan McGregor, em um trecho da filme, uma antiga zona de floresta do tamanho de um campo de futebol desaparece a cada dois segundos - no que, se somarmos nos últimos 10 anos, é uma área maior do que a França e Espanha juntas. O gorila que aparece na cena, segue pilhas de madeira (paletes), desde sua antiga casa na floresta até os países consumidores, onde mostra a forma em que se termina estas madeiras (papel higiénico, portas e painéis).

Sir David Attenborough outro narrador, termina com um forte apelo aos governos do mundo para limpar os madeireiros comerciais e para a proibição das madeiras extraídas ilegalmente. Estes governos detêm o poder de escolher literalmente entre guardar ou eliminar o restante das antigas florestas.


Texto traduzido por Margarida Caetano



Tim Flannery, a simbiose bactérias-corpo humano, a crise da água, a baixa produtividade dos OGM, EcoSeed e os 10 piores crimes ambientais


Tim Flannery [bio], investigador da Austrália, sobre alterações climáticas.


1. A profunda simbiose entre bactérias e os seus hospedeiros humanos está a forçar os cientistas a perguntar: será que somos organismos ou ecossistemas vivos ? [SEED Magazine, Maio 2009]

2.Sete investigadores abordam a verdade sobre Conflitos devido à Água [
Seed Magazine, Maio 2009]


3. Novo portal Global Green Portal EcoSeed


4.
Novo relatório quebra um dos principais dogmas dos OGM: um redondo falhanço em aumentar a produtividade agrícola [pdf, 51 pág]

5.
America’s Top 10 Worst Man Made Environmental Disasters [Earth First]


Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Lynn Margulis - uma excepcional oportunidade de ver uma lição sobre a sua Teoria da Evolução

Edu3.cat


Dois vídeos: o de cima, três questões directas a Lynn Margulis.
O vídeo ainda mais importante, e que, infelizmente, não posso exibir (pois não dão oportunidade de obter o código) é o documentário completo da sua lição e cerimónia de Doctor Honoris Causa, pela Universidade de Barcelona aqui (cerca de 1h15 min). Imperdível.

Quem é Lynn Margulis?
Página Oficial
Wiki (inglês)
Wiki (português)



Em Maio a indignação dos Professores continua em defesa da Escola Pública





Domingo, 17 de Maio de 2009

RAN - G. Ribeiro Telles, comunicado da APAP e recolha de assinaturas na Feira do Livro Lisboa

1.Ambiente e Desenvolvimento Económico? Tema que juntou à mesa Gonçalo Ribeiro Telles e José Manuel Palma dia [fonte:TV4Ribatejo]

2. Comunicado da
Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas
No passado dia 26 de Abril a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas comemorou o Mês Mundial da Arquitectura Paisagista, num espaço emblemático de Lisboa: as hortas urbanas do vale de Chelas. Aqui os residentes dos prédios vizinhos, na maioria reformados, criaram um interessante mosaico de culturas, conjugando uma produção de espécies hortícolas para auto consumo com algumas plantas ornamentais.
Neste encontro foram salientadas questões relevantes que se colocam à nova cidade, nomeadamente:
1.a ligação da cidade com os espaços rurais envolventes;
2.a importância da agricultura de proximidade;
3.o papel que as hortas urbanas desempenham, sobretudo na produção de alimentos e no equilíbrio ecológico da cidade, mas também na coesão territorial e na actividade lúdica das populações.
A observação in loco dos aspectos positivos deste cultivo e do esforço desenvolvido na valorização da fertilidade destes espaços, fez ressaltar a riqueza que representa para qualquer país a disponibilidade de solos com elevada capacidade de produção agrícola.
Na verdade, a consciência relativa à importância do solo agrícola enquanto recurso natural insubstituível vem consagra na legislação portuguesa desde 1975, sendo considerado como património nacional precioso, escasso e indispensável à sustentabilidade dos nossos ecossistemas, independência económica do país e salvaguarda do planeta . De acordo com o reconhecimento deste valor, já em 1982 foi criada a Reserva Agrícola Nacional (RAN) abrangendo as escassas manchas de solos do país que se apresentam com elevada fertilidade.
Neste momento a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas questiona o futuro desta Reserva Agrícola Nacional, porque verifica com enorme preocupação que o regime desta restrição de utilidade pública tem vindo a ser alterado, permitindo a destruição progressiva deste recurso natural com ocupações não agrícolas, invocando para tal um amplo e indefinido conceito de relevante interesse geral.
Recentemente foi elaborado e publicado um novo regime jurídico da RAN, sem audição das associações de agricultores e organizações não governamentais de ambiente. Tal regime jurídico foi publicado sem ter em atenção os pareceres das entidades gestoras da Reserva Agrícola Nacional, passando a:
1.considerar a actividade florestal e respectiva fileira como integrantes da actividade agrícola que deve ser desenvolvida naquela Reserva Nacional (incluindo as florestações com espécies exóticas de rápido crescimento);
2.excluir obrigatoriamente dos perímetros urbanos as áreas integradas na RAN, mesmo quando estas deveriam estar afectas à estrutura ecológica urbana;
3. permitir na RAN a instalação de um amplo número de actividades e ocupações irreversíveis, desqualificando o processo de ordenamento do território.
Assim, a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas condena vivamente esta alteração legislativa relativa à RAN publicada no passado dia 31 de Março, apelando à sua reformulação para uma efectiva protecção e valorização deste património nacional, a legar às gerações vindouras com uma utilização adequada à sua elevada capacidade de produção agrícola . [Fonte: APAP ]

3. Recolha de assinaturas
Estaremos este Domingo depois das 15h, a recolher assinaturas. Já são perto de 2.500, estamos a tentar as 4.000 ! Quem quiser aparecer pela Feira, é bem-vindo !


Sábado, 16 de Maio de 2009

Nico - All Tomorrows Parties e o nihilismo


Nihilismo

Do lat. nihil, nada. Expressão cunhada pelo romancista russo Turguenev em 1862, ligando-a à esterilidade do que existe. Uma forma de super-racionalismo individualista, ligado às utopias sociais anarquistas, segundo as quais o homem deve livrar-se de regras, construindo, na solidão, as suas próprias regras, numa ideia libertária. Conforme salienta Herzen, o homem verdadeiramente livre cria a sua própria moralidade.
Em termos de movimento político, destacam-se os nihilistas russos, surgidos na década de sessenta do século XIX. No plano filosófico, Nietzsche e Sartre. Cfr. Relativismo. Albert Camus em O Homem Revoltado. Estavam, assim, lançados os principais ingredientes de que se vão alimentar o populismo e o nihilismo, esse ascetismo sem Graça, como lhe chamou Berdiaev. Piotr Lavrov (1823-1900), em Cartas Históricas (1861-1869) foi um dos mais importantes vulgarizadores do populismo e do movimento de ir ao povo (Khozdéniié V Narod). Foi Herzen, em artigo publicado no Kolokol, de 1 de Julho de 1861, que, lançando a interrogação O que é preciso para o povo?, respondeu: Muito simplesmente: terra e liberdade. Acontece apenas, como afirmava Nikolai Tchernichevski (n.1828), que a estrada da história não é o asfalto da Avenida Nevski [...] Aquele que receia sujar as botas não deve tomar parte em actividades públicas. Na verdade, depois de Herzen, o campo dos ocidentalistas vai dividir-se entre os liberais e os socialistas revolucionários, destacando-se, do revolucionarismo, o desviacionismo nihilista que, segundo o mesmo Berdiaev, é uma manifestação puramente russa, desconhecida no Ocidente. O termo nihilismo foi, aliás, cunhado por Ivan Turguenev (1818-1883) num romance, Pais e Filhos, aparecido em 1862, a propósito do protagonista Bazarov, para quem só poderíamos vangloriar-nos da estéril consciência de compreendermos, até um certo ponto, a esterilidade do que existe.
Um outro autor, Dmitri Pissarev (1840-1868) através da revista Russkoe Slovo, glosando a passagem do romance de Turguenev, vai dizer sou estranho à ordem das coisas que existem, não tenho, pois, que intervir nelas. Com efeito, para Pissarev multiplicar os homens que pensam é o alfa e o ómega de todo o desenvolvimento social.
Por outras palavras, para esta corrente, defensora do realismo e da luta pela existência, cada um devia apenas acreditar em si mesmo e desconfiar tanto das classes dirigentes como do povo. A emancipação da pessoa apenas poderia acontecer se todos fossemos criticamente pensantes e só por esta via de independentismo é que seria possível a emancipação pessoal. A este respeito, assinala Albert Camus, no ensaio O Homem Revoltado, que o nihilismo, estreitamente ligado ao movimento de uma religião desiludida, redunda assim em terrorismo. No universo da negação total, por meio da bomba e do revólver, e também graças à coragem com que avançavam para a forca, esses jovens procuravam escapar à contradição e criar valores que lhes faltam. Até ali, os homens morriam em nome do que sabiam ou julgavam saber. A partir desses jovens, contraiu-se o hábito, mais difícil, de cada um deles se sacrificar por qualquer coisa de que nada sabiam, a não ser o seguinte: era preciso morrer para a conhecerem e implantarem [...] O futuro é a única transcendência dos homens sem Deus.
Importa também referir a acção de Vissarion Belinski (1811-1848), que, tendo começado por um socialismo individualista, vai cair, depois do choque hegeliano, numa espécie de revolta metafísica, como assinala Camus. A tal revolta que o levava a proclamar a negação é o meu Deus, como há pouco tempo o era a realidade. Os meus heróis são os destruidores do que é velho. Estavam criadas assim as condições para que surja o político do movimento, o já referido Nikolai Tchernishevski (1828-1889), para quem seria importante que o poder passasse não de jure, mas de facto para as mãos da classe mais baixa e mais numerosa: camponeses, assalariados e artesãos até porque o mais terrível de tudo é sempre o Leviathan, o monstro informe que tudo vai tragando.
Contudo, Tchernishevski prefere adoptar a via literária para a revolução, começando por meditar sobre As Relações Estéticas entre a Arte e a Realidade, de 1855, até porque, segundo ele, nas nações onde a vida espiritual e social alcançou um desenvolvimento elevado existe, se assim se pode dizer, uma divisão de trabalho entre os diversos ramos da actividade mental, ao passo que entre nós não conhecemos senão um: a literatura. Dois anos depois, já considera que o socialismo pode chegar à Rússia antes de se desenvolver completamente o capitalismo, isto é, antes que sejam destruídas as raízes colectivistas que permaneciam na Rússia rural. E na sua Crítica dos Preconceitos Filosófico contra a Posse Comunal (Obshina), de 1858, declara: não somos seguidores de Hegel e, muito menos, de Schelling, mas não podemos deixar de reconhecer que os dois sistemas prestaram grandes serviços à ciência com a descoberta das formas gerais pelas quais se move o progresso histórico. O resultado fundamental desta descoberta está no seguinte axioma: pela sua forma, a etapa superior do desenvolvimento é similar ao ponto de partida. É aliás a este autor que cabe a elaboração do guia moral de todo o populismo russo, o romance Que Fazer?, escrito quando Tchernishevski estava detido, entre 1862 e 1864. Mikhail Bakunine (1814-1876), por seu lado, na sua Confissão a Nicolau I, peça escrita no cárcere, vem dizer que o Estado mais pequeno e inofensivo do mundo até nos seus sonhos se torna igualmente criminoso, arguindo a necessidade da revolução social, porque a paixão da destruição é a paixão criadora. Assim, proclama que só temos uma pátria: a revolução universal. Essa revolução total só poderá fazer-se pela carnificina. Ultrapassará em horror tudo o que a História conhece, tudo o que o Ocidente possa imaginar.
Estes extremismos vocabulares reflectem, com efeito, um pensamento maniqueísta que distinguia os puros, os revolucionários, da canalha popular do proletariado: a massa rural, mas selvagem, virgem de qualquer civilização burguesa, encarna todas as virtudes e permanece a fonte pura de todas as revoluções. Neste sentido, o mesmo autor dizia a Michelet : a Rússia nunca será um justo centro [...] Não fará a Revolução apenas para se livrar do czar Nicolau. Noutra carta, escrita a Herzen, observava: não acredito nem nas constituições nem nas leis. A melhor das constituições não podia contentar-me. Necessitamos de outra coisa: o impulso, a vida, um novo mundo sem leis, e portanto, livre. Só que, para o mesmo Bakunine, conforme a Confissão, esse mundo livre precisava de um forte poder ditatorial, que teria a função exclusiva de levantar e educar as massas populares. Isto é, um poder livre por tendência e espírito, mas sem formas parlamentares, que imprimisse livros de conteúdo livre, mas sem liberdade de imprensa, rodeado por gente que pensasse do mesmo modo, iluminado pelo seu conselho, reforçado pela sua livre cooperação, mas não limitado por nada nem por ninguém. Conforme salienta Hélène Carrère d'Encausse, a revolta de Bakunine era feita à imagem do campesinato russo: dionisíaca. É a fraternidade das grandes coortes que seguiam Pugatchev, é a revolta dos bandidos generosos. Ele próprio assume esta luta pela vida e pela morte entre a Rússia do povo e a Rússia do Estado, acreditando que se aproximavam os tempos de Stenka Razine [...] Então como agora, toda a Rússia camponesa e trabalhadora se está levantando [...] à espera de uma liberdade nova e autêntica que já não virá de cima, mas de baixo. É destas ideias que vai surgir o típico terrorismo russo dos finais do século XIX, essa luta entre os intelectuais e o absolutismo em presença do povo silencioso, segundo as palavras de Camus, onde se destaca o grupo Terra e Liberdade (Zemlia i Volia), criado em 1876, que, três anos depois, se cinde entre a facção Partilha Negra (Tchorny Peredial), onde participa Plekhanov, que apostava na defesa da redistribuição da terra, e o grupo Vontade do Povo (Narodnaia Volia), apenas voltado para o terrorismo individual do quanto pior melhor, visando, sobretudo, provocar a autoridade para esta desencadear medidas ainda mais repressivas. Como refere Camus, estava prestes a surgir a distinção entre duas raças de homens: uma assassina uma só vez e paga o feito com a própria vida. A outra justifica milhares de crimes e condescende em ser paga por meio de honrarias. Por seu lado, Nietzsche, já considerava que podemos servir-nos no nihilismo como um martelo formidável, para quebrar, suprimir as raças que degeneram e morrem, abrir a via a uma nova ordem de vida, inspirar ao que degenera e perece o desejo do fim.
Entre os principais terroristas, que, por não acaso, são quase todos romancistas frustrados, destaca-se Piotr Zaitchnevski (1842-1896), o adolescente autor do Manifesto Jovem Rússia de 1862, defensor de uma forma russa de jacobinismo. Já Serguei Netchaev (1847-1882), fundador da Sociedade do Machado, morto na prisão, foi redactor, em colaboração com Bakunine, de um Catecismo Revolucionário, escrito em 1869, na Suíça, onde se declara que o revolucionário é um homem antecipadamente condenado. Não pode permitir-se relações apaixonadas, nem possuir coisas ou seres amados. Devia mesmo despojar-se do seu nome. Tudo nele se deve concentrar numa única paixão a revolução. Finalmente, Piotr Tkaktchev (1844-1885) assume-se como defensor de uma espécie de homem novo, preconizando a conquista do poder por uma minoria revolucionária, com utilização do aparelho governamental para o lançamento de uma revolução a partir de cima. Com efeito, Tkaktchev, a partir do jornal O Rebate (Nabat), rejeitava as teses espontaneístas defendidas pelo populismo, considerando que o povo deixado a si próprio não seria capaz de realizar a revolução social... esse papel e essa missão pertencem exclusivamente à minoria revolucionária. Assim, partindo do princípio que a força material se centra no poder estatal, dizia que a autêntica revolução só pode realizar-se com uma condição: a conquista do poder estatal pelos revolucionários. Por outras palavras, o objectivo próximo e imediato da revolução tem de consistir precisamente em conquistar esse poder e em transformar o Estado conservador num Estado revolucionário. Para ele, a luta só pode realizar-se com êxito nas seguintes condições: centralização, severa disciplina, rapidez, decisão e unidade na acção. A concessão, a incerteza, o compromisso, a fragmentação da ordem, a descentralização das forças na luta não fazem mais do que debilitar as suas energias, paralisar a sua obra, eliminar toda a possibilidade de vitória. A actividade revolucionária construtiva, pelo contrário, ainda que tenha de levar a cabo a actividade destrutiva, tem que basear-se, pelo seu carácter fundamental, em princípios absolutamente opostos. Se a primeira se baseia, antes de mais, na força material, a segunda apoia-se numa força moral. A primeira tem sobretudo em conta a rapidez e a unidade, a segunda, a solidez e a vitalidade das transformações conseguidas. A primeira deve realizar-se com a violência, a segunda com a convicção. A última ratio da primeira é a vitória, a última ratio da segunda é a vontade, a razão do povo.

Retirado de Respublica, JAM


Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Para os não interessados em receber publicidade electrónica


Video anti-publicidade The Product is You ,da Adbusters de 1999 (e agora, dez anos depois?)

No Portal do Consumidor a partir de 9 de Maio já é possível registar-se na Lista Nacional de não interessados em receber comunicações publicitárias.

A Internet e os telemóveis, nomeadamente através de e-mails, SMS e MMS, tornaram-se veículos publicitários atractivos, permitindo aos anunciantes chegar a um grande número de consumidores, a um custo reduzido.

As inscrições de pessoas e empresas na Lista é aqui.

Quanto aos autocolantes nas caixas de correio basta enviar o pedido para o endereço de mail: autocolantes@ic.pt (o IC é de Instituto do Consumidor).
Não são muito rápidos a entregar, mas é grátis e o ambiente agradece.



Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

As minhas leituras - O Português que se correspondeu com Darwin

Já tenho o livro há uns tempos. Mas também desejo falar-vos de Paulo Trincão, o autor.
É com enorme prazer que reproduzo a postagem sobre o autor no Natureza Naturada.

Lembramos que o Professor Paulo Renato Trincão foi, efectivamente, o último director do Museu Nacional da Ciência e da Técnica, tendo sido nomeado para o cargo pelo ministro Mariano Gago, aquando do seu primeiro mandato no tempo de Guterres. Houve quem pensasse, ingenuamente, que tinha finalmente chegado a hora do Museu se erguer definitivamente. Criava-se, também, junto do Museu, o primeiro Instituto dedicado ao estudo da História da Ciência e da Técnica em Portugal. Uma área em que existia (e existe) uma lacuna, bem reconhecida pelo ministro aquando do discurso da tomada de posse de Paulo Trincão. Paulo Trincão deixou-nos também uma fotobiografia fabulosa do Professor Mário Silva. Mas estavam enganados. Bastou ter caído o governo, para que os seguintes, os governos de Durão e Santana, terem feito tudo para deitar abaixo o Museu, destituindo o Professor Renato Trincão e dando alento às ideias mesquinhas de uma certa direita retrógrada, bem coimbrinha, que sempre se abrigou à sombra do PSD. Entretanto, eis que retorna Mariano Gago para um novo mandato, agora sob os auspícios do engenheiro Sócrates. Infelizmente, esquecendo o que tinha feito durante o seu primeiro mandato, dando razão aos carrascos do Museu, desfere-lhe a derradeira machadada ao entregar todo o espólio do Museu Nacional aos cuidados da Universidade de Coimbra, mantendo no cargo, desde o início, o director Paulo Gama da Mota, que tinha sido nomeado no tempo do PSD, acumulando este com o cargo de director do novo Museu da Ciência da Universidade de Coimbra... enfim... incompatibilidade que nunca deveria ter sido permitida, mas que neste país… enfim… O Professor Mário Augusto da Silva e a cidade de Coimbra não mereciam mais esta afronta!

Pena que o ministro tenha dado o dito por não dito e que, provavelmente, pela primeira vez no mundo, pasme-se, tenha sido possível encerrar um Museu Nacional de Ciência. Este acto só é comparável com a destruição das estátuas dos budas gigantes pelos talibãs no Afeganistão. Coimbra ficou mais pobre, mas Portugal também. Porreiro, pá!


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