quarta-feira, 2 de julho de 2008

Crime nos Telemóveis


Mobile Phone Radiation: Is it safe or not? (Olle Johansson CV)





Por José Carlos Marques, Campo Aberto, Porto


Para quem se escandalizar com a palavra crime especifico que se trata de homicídio potencial (e estatisticamente muito provável), devido a negligência ou interesse, por recusa de aplicação do
princípio de precaução já consagrado em termos gerais na legislação europeia e com carácter ético irrecusável, negligência e interesse que incide sobre a parte mais fraca da sociedade, as crianças.

Há vários anos já que o governo inglês advertiu para a necessidade de proteger as crianças nesta matéria. Alguém viu em Portugal ser alguma vez dado destaque às recomendações de que fala a Direcção-Geral de Saúde, com relevo à altura do que está em causa? Alguém viu, mesmo a
nível internacional, as empresas de telemóveis a publicitarem com o devido destaque, ou até sem ele, qualquer recomendação de prudência relativa ao uso de telemóveis por crianças?

Diga-se aliás que em adultos há também indícios suficientes para uma aplicação do princípio de precaução, pelo menos ao nível de obrigar as empresas a publicitarem com destaque que esses indícios existem. Mas repete-se (nada de novo sob o sol) a história do amianto e do tabaco. E entretanto os poucos peritos que ousam não baixar os braços no estudo e na denúncia dos perigos são perseguidos ou caluniados por poderes mascarados (conceito chave em As Constituições Democráticas do Terceiro Milénio, de Jean Pignero, definido logo nas páginas iniciais).

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Diário de Notícias de 16 de Junho de 2008

Saúde. Especialistas internacionais falam em indicadores inquietantes

Direcção-Geral de Saúde diz que para já não há motivo para alterar a lei

Um grupo de 20 especialistas internacionais publicou ontem, na imprensa francesa, um alerta sobre os efeitos dos telemóveis onde, entre outras recomendações, pede a proibição do uso deste equipamento por crianças, excepto em situações de emergência. A Direcção-Geral de Saúde (DGS) diz que ainda não existem provas que justifiquem uma medida desta natureza, mas renova as recomendações de que o uso por menores seja restrito.

Os autores do alerta, coordenado por David Servan-Schreiber, professor de psiquiatria na Universidade de Pittsburgh, concordam que não existem evidências de que os telemóveis sejam prejudiciais à saúde, mas avisam que os riscos justificam medidas preventivas: Estamos na mesma situação que há 50 anos com o amianto e o tabaco. Ou não se faz nada e se aceita um risco ou se admite que há um leque de argumentos científicos inquietantes, diz Thierry Bouillet, especialista em cancro no hospital Avicenne de Bobigny (França).

Calor do telemóvel é perigoso

Contactado pelo DN, José Robalo, subdirector-geral de Saúde, explicou que, para sugerir alterações legislativas, a DGS teria primeiro de se basear em factos e, apesar de haver alguns estudos que apontam para uma ligeira subida de incidência de tumores em utilizadores de telemóveis, ainda não foi possível, a nível experimental, perceber qual foi o mecanismo de acção que levou a esse aparecimento. Há suspeitas, mas não casos comprovados, resumiu. Porém, frisou, existem uma série de recomendações, subscritas pela DGS, para evitar a utilização frequente de telemóveis por crianças.

Até porque há outras suspeitas, relacionadas com as consequências do calor emitido por estes aparelhos: Nas crianças, há uma diminuição da espessura do osso da calote [crânio], que muitas vezes ainda não está completamente estruturado, explicou. Os telemóveis aquecem e esse calor pode ser transmitido para dentro da caixa craniana, avisou, referindo que o aumento de temperatura poder ser de um a dois graus. Porém, esta é outra questão sobre a qual ainda não há provas conclusivas. A DGS baseia as suas recomendações em estudos
próprios e nos relatórios da Comissão Europeia e da Organização Mundial de Saúde.





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